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Projeto de habitação coletiva em fundação do Panamá, ganhador de concurso de arquitetura realizado em 2008, que foi inaugurado recentemente é de autoria de arquitetos brasileiros.

how to quote

PORTAL VITRUVIUS. La Fundación Ciudad del Saber. Projetos, São Paulo, ano 15, n. 169.04, Vitruvius, jan. 2015 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/15.169/5397>.


Dormitórios e alojamentos para professores e estudantes

La Fundación Ciudad del Saber, criada em 1995, é um complexo internacional voltado à educação, investigação e inovação, organizado para promover e facilitar trabalhos entre universidades, laboratórios de pesquisas, empresas privadas e organismos internacionais. Desde 1999 localiza-se em uma área de aproximadamente 120 ha, na antiga base militar de Clayton, às margens do Canal do Panamá e próximo às eclusas de Miraflores.

O concurso Propuestas de Diseño para edifícios em La Ciudad del Saber, aberto aos arquitetos latino-americanos, foi organizado em duas fases: na primeira, buscava reunir propostas e idéias conceituais dos projetos; na segunda etapa foram selecionados 3 trabalhos finalistas, para desenvolvimento de anteprojeto de arquitetura.

As categorias dividiam-se nos seguintes programas:

  • conjunto para escritórios e laboratórios;
  • área comercial para serviços e restaurantes;
  • e dormitórios para professores e estudantes.

O júri, coordenado pelo arquiteto Carlos Morales Hendry, da Colômbia, foi formado pelos arquitetos Ernesto Alva Martínez (México), Ricardo Arosemena (Panamá), Ariel Espino (Panamá), Christian Binkele Peluffo (Colômbia), Eduardo Gonzáles (Venezuela) e Javier Pérez (Espanha); e pelo engenheiro Tomás Paredes (Panamá). O resultado foi divulgado em 2008 e o projeto ganhador foi publicado na ocasião pelo portal Vitruvius (1).

Dormitórios e alojamentos para professores e estudantes

A análise do sítio, os aspectos geográficos, climáticos e espaciais – além da solicitação de uma construção em etapas – induziu a uma implantação e um partido arquitetônico bastante claros, onde os blocos dos alojamentos são implantados no sentido transversal ao terreno (NE/SO), paralelos entre si, formando pequenos pátios. Esses nove blocos (fase 1 + fase 2) são conectados a uma estrutura linear de circulação de uso comum, paralela à rua e longitudinal aos alojamentos (NO/SE), unificando o conjunto.

A distância entre os blocos também foi estabelecida em função da vegetação existente no terreno, permitindo a preservação de grande parte das árvores e reforçando a permeabilidade entre jardim e edificações.

A implantação dos edifícios ganha maior destaque no momento em que cruza com o eixo de circulação de pedestres, preestabelecido pelo “Plan Maestro”. O pátio entre os blocos ganha maior dimensão e o piso térreo dos dois edifícios adjacentes desenham um alargamento da calçada, configurando-se como espaço público, de reunião, sociabilidade e acesso. Os desníveis criam uma nova referência para o sítio, desenhando as diferentes relações entre os espaços – público, semi-público e privado, formando um vazio onde o conjunto edificado ganha uma nova centralidade: a praça.

O térreo atende e sugere programas de uso comum e apoio aos alojamentos, como: estar, lavanderia, sala de leitura, café e pequeno auditório. No 1º e 2º pavimentos, elevados por pilotis encontram-se os alojamentos, copa e depósito; além de um espaço flexível, junto à edificação linear, dando suporte a pequenas reuniões e estar.

Estrutura

Os blocos de alojamentos terão estrutura em concreto armado, moldado in locu com vãos de 7,50x3,60m e dois balanços de 2,50m estabelecendo uma estrutura equilibrada (momento negativo igual ao positivo) e mais econômica na razão 1/5; 3/5; 1/5, com laje maciça, armada em uma única direção. No térreo o número de pilares é reduzido, possibilitando maior flexibilidade aos espaços de uso comum.

Estes edifícios de concreto armado conectam-se ao eixo de circulação, um edifício com estrutura em aço, através da área formada pela copa e depósito, também em estrutura metálica. O edifício de circulação estrutura-se por uma malha de 3,60 x 7,50m, correspondendo à modulação fixada pelos edifícios de concreto dos alojamentos, vencendo o vão entre eles com vigas metálicas.

O conjunto terá fundações rasas do tipo sapata, em concreto armado.

Ventilação

A implantação do conjunto, ao optar por pequenos edifícios conectados por uma circulação comum, otimizou o aproveitamento da ventilação natural. Nas unidades, estão previstas grandes aberturas protegidas da chuva e do sol, e sistema de grelhas para ventilação transversal dos ambientes, ocorrendo no entre forros. Na circulação principal do bloco de alojamento, com aberturas nos dois extremos, também ocorre fluxo de ar por sucção.

Circulação e acessibilidade

A acessibilidade aos programas do térreo, implantados com um desnível de 0,70m acima da calçada, ocorre por rampas. Neste embasamento localizam-se os conjuntos de escadas que dão acesso aos alojamentos no 1º e 2º pavimentos. Junto à praça, implantada no mesmo nível da calçada, existe um conjunto de elevadores que garantem acessibilidade.

Energia

Na cobertura sugerimos a existência de painéis para a captação de energia solar, destinada ao aquecimento de água, reservada em acumuladores tipo boiler.

Esta laje de cobertura está protegida por painéis de argamassa armada elevados, que permitem seu sombreamento e ventilação, melhorando o desempenho térmico e reduzindo consideravelmente a manutenção dos tratamentos de impermeabilização.

As soluções adotadas para a ventilação natural colaboram para melhor desempenho térmico do conjunto, possibilitando economia de energia no sistema de climatização.

Dormitórios e alojamentos para professores e estudantes, Miraflores, Panamá, 2014. Sic Arquitetura
Foto Ana Mello

nota

1
PORTAL VITRUVIUS. Fundación Ciudad del Saber. Concurso Internacional de Arquitectura. Projetos, São Paulo, ano 08, n. 092.02, Vitruvius, ago. 2008 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/08.092/2919>.

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169.04 habitação
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Sic Arquitetura
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