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my city ISSN 1982-9922

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Luiz Carlos Toledo, arquiteto responsável nos últimos anos pelos projetos de melhorias urbanísticas na comunidade da Rocinha, Rio de Janeiro, comenta o Programa Comunidade Cidade, que realiza com a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Obras.

how to quote

TOLEDO, Luiz Carlos. O Programa Comunidade Cidade e o Covid-19 na Rocinha. Minha Cidade, São Paulo, ano 20, n. 237.06, Vitruvius, abr. 2020 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/20.237/7720>.



Hoje vou falar um pouco sobre meu trabalho com o Maciel Antônio, nosso colega, na Secretaria Estadual de Infraestrutura e Obras – Seinfra, ajudando a tocar o Programa Comunidade Cidade.

Para mim, e para Maciel, tem sido um privilégio trabalhar junto à equipe de um programa que visa melhorar em muito a qualidade de vida das famílias que vivem na Rocinha, trazendo saneamento, equipamentos urbanos, habitações de qualidade e melhorias viárias.

Só lamento que isso tudo não tenha sido feito há mais de dez anos, conforme previsto no Plano Diretor de Desenvolvimento Sócio Espacial da Rocinha. Se o Plano tivesse sido implantado a Rocinha se encontraria em melhores condições para enfrentar a pandemia que tem na ocupação indiscriminada do solo, na falta de saneamento, nos becos escuros e abafados e em moradias onde famílias se comprimem num único cômodo, campo fértil para o vírus se desenvolver.

A boa notícia é que o investimento de aproximadamente dois bilhões de reais na Rocinha, previstos no Programa, ajudará a mitigar parte dos efeitos da pandemia na economia, que já se fazem sentir e que, certamente, se agravarão nos próximos anos.

Cumpre ao Governo do Estado e, particularmente a equipe da Seinfra, estudar estratégias que venham à maximizar os impacto positivo do Programa. Nesse sentido será importante que os empregos que serão criados em função das obras viárias, de saneamento, da construção e reforma de unidades habitacionais e equipamentos, como creches, escolas, mercados, centros de cidadania e de reciclagem de lixo, entre outros, sejam preenchidos, preferivelmente, por mão de obra local.

No que concerne especificamente aos projetos das Habitações de Interesse Social – HIS, desenvolvidos por uma equipe de jovens arquitetos da Seinfra e pelo idoso que vos escreve, podemos fazer ainda mais, aprimorando e dando sustentabilidade aos processos construtivos, de forma a aumentar os resultados do Programa na economia local e na proteção do meio ambiente.

A começar pelas demolições decorrentes das obras viárias e de implantação dos sistemas de abastecimento de água, esgotos, macro e micro drenagem pluvial, e em menor escala, da construção de unidades habitacionais e de equipamentos urbanos. O volume dessas demolições será gigantesco e terá um impacto brutal no meio ambiente, ao ser transportado e, principalmente, descartado.

Há que se estudar a viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem na Rocinha para a reutilização dos materiais de construção provenientes das demolições, nas habitações e equipamentos que serão construídos na favela pelo Programa, sem esquecer que a operação da usina demandaria a criação de dezenas de empregos locais.

O projeto das HIS poderá vir a ter um papel igualmente importante, tanto na racionalização dos processos construtivos, como para a internalização dos benefícios do Programa na economia local. Nesse sentido, a escolha de tijolos cerâmicos, aplicados sem revestimento nas paredes externas das HIS, além de reproduzir um modo de construir típico das favelas cariocas, foi adotado porque os pedreiros da Rocinha estão acostumados a construir dessa forma.

É importante, entretanto, que os projetos, ao buscar soluções que possam utilizar mão de obra local, não coloquem em segundo plano a racionalização e otimização dos métodos construtivos, assim o projeto de um painel modulado de alumínio, composto por uma porta e um conjunto de basculantes, além de poder ser fabricado por serralheiros da própria favela, terá por objetivo agilizar a construção dos apartamentos.

O Programa Comunidade Cidade poderá tornar-se uma ferramenta poderosa para revigorar a economia da Rocinha, abalada pela pandemia. Nesse sentido há que se repensar algumas de suas estratégias de implantação, para isso dispomos de uma equipe criativa e comprometida, que, antes dos primeiros casos de Covid-19 eclodirem na favela, revelou-se ágil e competente no apoio às famílias da Rocinha.

nota

NE – Aula de “A Rocinha que queremos”, curso sobre urbanismo oferecido voluntariamente pelo arquiteto Luiz Carlos Toledo no Ciep Ayrton Senna da Silva há quase dois anos, atualmente em apresentações virtuais devido a pandemia de Covid-19.

sobre o autor

Luiz Carlos Toledo, arquiteto, mestre e doutor pelo Proarq UFRJ, diretor da Mayerhofer & Toledo Arquitetura, autor do Plano Diretor Sócio-Espacial da Rocinha (2006) e diretor da Casa de Estudos Urbanos. Recebeu do IAB-RJ o título de Arquiteto do Ano em 2009.

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