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research

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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
O texto apresenta conversa com a arquiteta e professora Zaida Muxí Martínez e a pesquisadora Daniela Abritta Cota sobre a relação entre cidade, política e gênero. A entrevista ocorreu no mês de julho de 2018 em Santa Coloma de Gramenet e em Barcelona

english
This text presents a conversation with the architect and professor Zaida Muxí and the researcher Daniela Abritta Cota on the relation between city, politics and gender. The interview took place in July 2018 in Santa Coloma de Gramenet and in Barcelona

español
El texto presenta conversación con la arquitecta y profesora Zaida Muxí y la investigadora Daniela Abritta Cota sobre la relación entre ciudad, política y género. La entrevista ocurrió en el mes de julio de 2018 en Santa Coloma de Gramenet y en Barcelona

how to quote

COTA, Daniela Abritta. Entrevista com Zaida Muxí. Cidade, política e gênero. Entrevista, São Paulo, ano 19, n. 075.02, Vitruvius, set. 2018 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/19.075/7123>.


Cidade para todas e todos
Foto divulgação [Col.lectiuPunt6, Entornos Habitables, p. 61]

DAC: Como isso pode contribuir para ter uma cidade mais justa e possibilitar o direito à cidade (pensando que a cidade é produzida pelo capital)?

ZM: Não só implantar ações de mudança, mas gerenciá-las de modo a tornar as cidades mais auto-contidas, menos fragmentadas e dispersas, para que as distâncias que uma pessoa tenha que percorrer todos os dias não sejam tão grandes. Que o transporte público seja prioridade. Que se possa fazer muita coisa a pé, porque há comércio, serviços, variedade de usos nas proximidades; porque é seguro andar pela rua, porque há equipamentos, serviços e mobiliário que permita o atendimento das pessoas dependentes (idosos, crianças, pessoas com mobilidade reduzida) e que permitam que as pessoas cuidadoras também tenham acesso a oportunidades... São coisas que permitem o acesso ao direito à cidade.

DAC: O que você pode dizer às arquitetas e aos arquitetos brasileirxs sobre seus papéis como atores políticos na cidade?

ZM: Eu diria que como arquitetas e arquitetos somos responsáveis pela construção da condição física da arquitetura e da cidade e que nossas ações determinam, por décadas, por centenas de anos, a vida das pessoas que ainda virão; que deveriam pensar menos em nós e mais em todxs que virão. Para isso, precisamos observar mais as pessoas e o que necessitam; dar ênfase, inclusive, às pessoas carentes – carentes em todos os aspectos. E também que não prevaleçam egos, desejos individuais, pois nosso papel é importante na cidade. Obviamente, não podemos alterar tudo na cidade, pois há interesses diversos, mas que tenhamos a consciência de que, mesmo que seja muito pouco o que conseguimos – pois isso depende muito da área que vamos atuar – sempre há algo que se pode melhorar. Um exemplo: se em um projeto existe a possibilidade de ceder um espaço para a cidade, que ao invés de ocupar todo o terreno ou toda a calçada, dar lugar a esse espaço público; mesmo em uma construção privada, pode-se pensar em algo para a cidade.

Alguns colegas em Córdoba, Argentina, Mónica Bertolino e Carlos Barrado (13), arquitetxs convidados a projetar um condomínio fechado, disseram que “terror” e, eventualmente, trabalharam muito com o cliente e conseguiram convencê-lo que eles poderiam fazer uma parte do condomínio fechada, mas poderiam ceder à cidade espaços públicos de passagem, abertos, com comércio aberto, voltado à cidade. Claro que continua sendo um condomínio fechado, mas é um pouco melhor que outro que já está totalmente atrás de um muro e uma portaria. Então eu acho que nós temos que pensar, em cada projeto que fazemos, o que pode torná-lo um pouco melhor, o que podemos mudar. Que possamos fazer isso a partir do projeto de um equipamento, por exemplo, como uma biblioteca ou um teatro, pensando em um espaço que sirva não só para quem vai ao teatro, mas um lugar que sirva a qualquer pessoa, ou que ali possa acontecer outras atividades e formas de apropriação. Na Biblioteca de Seattle de Rem Koolhaas e Joshua Prince-Ramus (14), o piso térreo é super aberto ao exterior, não há controle de uso – os controles estão depois. É um espaço que pode ser usado por toda a população. Permite ainda que, quando chove ou faz muito calor, as pessoas possam permanecer ali e passar o dia lendo o jornal, sentados em um lugar protegido e aconchegante. Obviamente, isso não vai transformar a vida das pessoas, mas são pequenas ações que se consideradas em conjunto – entre arquitetas e arquitetos que as propõem, convencendo o cliente público ou privado, a aceitar e entender essa necessidade de gerar espaços amigáveis ??de acesso – podem fazer uma grande diferença.

Também não posso deixar de me referir aos grupos e equipes de arquitetas e arquitetos (15), na América Latina, que em seu papel como professoras e professores, trabalham em um relacionamento direto com as pessoas e suas necessidades, e assumem um papel ativo na transformação e melhoria de espaços de vida – o que também é opção política.

notas

13
Mónica Bertolino e Carlos Barrado são arquitetxs em Córdoba, Argentina, e realizam projetos e obras em diferentes escalas e temas dentro da arquitetura e do urbanismo. Para conhecer a produção da dupla, consultar: <http://www.mboarquitectura.com/mbo-equipo-colaborativo/bertolino-barrado-oficina-de-arquitectura/>.

14
Para informações sobre este projeto consultar: <https://www.archdaily.com.br/br/624269/biblioteca-central-de-seattle-oma-mais-lmn>.

15
Entre outros: Matéricos periféricos e Alejandra Buzzaglio em Rosario; Eugenia Jaime e Julian Salvarredy com o projeto Habitar em Buenos Aires; Mónica Bertolino na Universidade de Córdoba, Al Borde y Natura Futura no Equador; Entre Nós e Luis Diego Barahona em Costa Rica; e muitos outros.

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075

075.01

Paulo Mendes da Rocha: sobre o edifício Sesc 24 de Maio

Giacomo Pirazzoli

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