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interview ISSN 2175-6708

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Segundo os entrevistadores Lays Lucena Benjamin e Fernando Diniz Moreira, os arquitetos Vinicius Andrade e Marcelo Morettin tem se destacado por fazer uma arquitetura singular e conectada ao lugar, mesmo que adotem pré-fabricados e princípios da montagem.

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BENJAMIN, Lays Lucena; MOREIRA, Fernando Diniz. A arte da montagem: técnica e lugar em Andrade Morettin. Entrevista com Vinícius Andrade. Entrevista, São Paulo, ano 19, n. 073.01, Vitruvius, jan. 2018 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/19.073/6849>.


Residência O.Z., São Roque SP, 2013. Escritório Andrade Morettin Arquitetos Associados
Foto Nelson Kon

Lays Lucena Benjamin e Fernando Diniz Moreira: Todos nós arquitetos sofremos influências de arquitetos que nos precederam. Onde estariam as principais referências de arquiteturas com pré-fabricados do Andrade Morettin?

Vinicius Andrade: Desde o nosso primeiro projeto, ainda antes de abrir o Andrade Morettin, buscamos um sistema construtivo que nos permitisse evitar o sistema tradicional de construção civil. Sem dúvida, foi essa a semente do nosso caminho. Como te falei, não sabíamos no começo como fazer, mas sabíamos o que não queríamos. Porque a gente tinha trabalhado em outros escritórios, eu tinha acompanhado obras, eu odiava aquilo. Eu pensava assim, não sei porque eu fiz arquitetura, eu detesto obra. Eu me sentia perdido, o que estava fazendo ali? O Morettin também tinha essa aflição, fruto de outras experiências provavelmente. Quando tivemos a chance de fazer o nosso primeiro projeto, começamos a pesquisar. O Morettin é filho de professor, ele tinha um lado acadêmico muito forte, pesquisava muito, e eu era indisciplinado mesmo, eu não ia muito à aula, ficava na biblioteca. Nos conhecemos na biblioteca da faculdade, éramos talvez os dois que mais a frequentavam, e ali pesquisamos revistas e livros nacionais e internacionais. E perguntávamos e se fizermos assim ou dessa forma? Então foi assim, uma busca que foi mais uma fuga do que uma utopia. Não queríamos fazer isso daqui, então como faríamos? O sistema pré-fabricado permitia isso. Obviamente as principais referências de nossa arquitetura erudita no país nos encantam até hoje, mas também os galpões industriais que vemos na beira das estradas. Se você olhar tem vários projetos nossos, que lembram esses galpões que vocês vêm nas estradas do interior de São Paulo por exemplo. A telha de policarbonato, por exemplo, não veio de uma referência internacional, mas de um galpão aqui no interior de São Paulo. Eu vi na estrada e falei: Gente que negócio é esse? Parei o carro olhei, e não tinha ouvido sobre isto ainda, e fomos atrás, fomos telefonando, achando e descobrimos que tinha uma fábrica aqui perto de São Paulo, em Osasco. Pegamos um taxi e fomos lá. Então realmente tínhamos um interesse e pesquisamos sobre isso. Hoje é muito mais fácil, hoje tudo tem catalogo, tem internet, isso facilita muito as coisas, o fornecedor detém informações sobre as propriedades dos materiais, resistência, etc. Para você pode parecer óbvio, mas vejamos o exemplo do policarbonato, eu sempre me lembro disso, foi o primeiro material assim que a gente trabalhou. O representante não tinha as informações técnicas, ele não sabia a resistência mecânica. Ele nos disse que não poderia usar na vertical, que dilatava muito, e que iria rasgar.

Mas a gente acabou arriscando, pois era barato e para fechar uma casa muito barata, arriscamos e fizemos tudo à revelia do que ele falou e deu certo. Então esta opção envolveu um certo risco, até mesmo uma certa irresponsabilidade para sair do lugar comum. No caso, foi consentida, pois os clientes eram muito meus amigos, e não tinham dinheiro nenhum. Falei que nós iríamos arriscar uma coisa e que não sabíamos o que iria dar, e eles toparam. Mas hoje em dia, é muito mais fácil, se você abrir um catalogo de policarbonato, você sabe a velocidade do vento e quanto ele suporta. Evoluímos muito nesse sentido. Acho que cada vez mais a arquitetura das gerações novas vai enveredar por esse caminho, ele é um caminho mais confortável, ele tem um desempenho melhor, agora não é mais uma irresponsabilidade, ao contrário, é uma arquitetura muito mais controlada, em todo o processo. O catálogo diz o que vai acontecer, tem catalogo, por exemplo, que diz que o vermelho, fornecido por eles mesmos, não é recomendado para áreas externas. Existe um nível de controle, que não é comum em outras arquiteturas.

Residência O.Z., São Roque SP, 2013. Escritório Andrade Morettin Arquitetos Associados
Foto Nelson Kon

LLB/FDM: Analisando obras como as casas P.A e a O.Z, a simplicidade parece ser uma referência no processo de vocês, vista desde a solução da planta até a escolha de materiais. Isso está relacionado com a necessidade de racionalização da arquitetura que vocês defendem?

VA: Tem tudo a ver. Existe um desejo, que nós arquitetos não conseguimos controlar, de racionalização. Isto é muito claro em nossa formação de escola paulista, de minimização de esforço, de gastos de material, de espaço, enfim, uma vontade de racionalização, do não desperdício. No começo, éramos tentados a fazer uma arquitetura mais exuberante, que poderia nos promover mais, mas por alguma razão, que eu não sei explicar, nos contivemos e buscamos a simplicidade. Acho que essa simplicidade é mais uma contenção do que uma falta de interesse por fazer coisas malucas. Por muito tempo, a máxima do meio foi essa coisa de quanto mais trabalhado melhor, quanto mais caro melhor, quanto mais “cabelo” em cima do prédio. Mas acho que o tempo nos favoreceu, nos deu sorte, porque a preocupação com a sustentabilidade, racionalidade, voltou a pauta com muita força. No começo da nossa carreira isso não estava na pauta. Então, meu pai mesmo, cineasta, falava “mas e essa arquitetura quadradinha, sem graça...”, ele provavelmente acha que eu não tenho muita habilidade pra desenhar e tal... Entretanto, essa racionalização sistemática que aprendemos tem um lado bom, pois acabamos criando uma forma de projetar consciente, sem exageros, mesmo agora que nosso escritório está em uma idade que tem clientes mais ricos. Mesmo para esses clientes, às vezes, nós mesmo ficamos puxando o freio de mão, falando coisas do tipo “isso não é necessário”.

LLB/FDM: E vocês conseguem continuar com a arquitetura que vocês defendem nesses casos?

VA: O cliente quando vem para o escritório já sabe o que está procurando, exatamente, ninguém vem aqui com ideias rebuscadas, por exemplo. No fundo é isso. Nós somos assim, temos esse lado meio espartano, mas a gente tem conseguido sim, porque isso que eu falo, tem o lado bom e o lado ruim das coisas: essa coisa da “consciência global” criou uma modinha do verde, do ecológico, mas essa modinha ajuda a gente. Eu falo para o cara assim “fica essa extravagância, gastando muito, não é sustentável” aí o cara fala “é mesmo, não é sustentável. Então não vamos”.

LLB/FDM: Acabou havendo um processo de mudança também do que o paulistano considera como uma boa arquitetura nos últimos anos

VA: Ajudou muito. Tivemos sorte e os projetos foram meio que “caindo no nosso colo. Em 2007, São Paulo, pela primeira vez na história desde que ela era uma vila, parou de crescer. Então será que a cidade está madura? Talvez. Ela tem um crescimento vegetativo, mas muito pequeno, porque o migratório acabou. A partir de 2017, São Paulo começou a ter mais emigração, nós temos um percentual populacional nordestino muito importante. E alguns estão retornando para o Nordeste. Com isso, a tendência é uma estagnação, a expansão urbana da era da industrialização já não existe. Por outro lado, a cidade já está aí. Então esses projetos residenciais para a elite são inexpressivos no contexto da cidade como um todo, são marginais. São Paulo tem que encontrar seus caminhos agora. Não acho que a arquitetura residencial unifamiliar vai resolver São Paulo. A cidade precisa encontrar agora um caminho para ser uma cidade mais justa, mais bonita, mais agradável, sem contar com novas edificações porque não é isso que vai mudar São Paulo. Ou seja, não acho que nossa arquitetura tenha o poder de resolver o problema da cidade, mesmo que tenha caído no gosto do paulistano mais erudito.

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Foto Nelson Kon

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Técnica sem abrir mão da beleza: notas sobre ser arquiteto

Ana Vaz Milheiro

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