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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Entrevista realizada com o arquiteto Héctor Vigliecca em seu escritório, onde falamos sobre seu selo de publicações, inspirações, obras e como a arquitetura e construção se entrelaçam no espaço coletivo e individual.

english
Interview with the architect Héctor Vigliecca in his office, where we talk about his house, inspirations, works and how architecture and construction intertwine into collective and individual space.

español
Entrevista con el arquitecto Héctor Vigliecca en su taller, donde se habla de sus publicaciones, inspiraciones, obras y como la arquitectura y construcción se entretejen en el espacio colectivo e individual.

how to quote

SOLARES, Jaime. Entre publicações e obras. Entrevista com Héctor Vigliecca. Entrevista, São Paulo, ano 18, n. 071.01, Vitruvius, jul. 2017 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/18.071/6605>.


Capa do livro O terceiro território
Foto divulgação [Acervo escritório Vigliecca & Associados]


Jaime Solares: Como se deu o processo de publicar livros sob selo próprio, de obras e do conjunto de projetos que vocês vêm desenvolvendo no escritório? Quando que deu essa vontade e por quê o senhor o fez?

Héctor Vigliecca: Pouca obra construída e muitos projetos feitos e guardados nas gavetas foram o ponto de partida. Poder tornar públicas nossas reflexões de 40 anos de trabalho é uma necessidade quase imperiosa. Não é possível que quase meio século de trabalho profissional fique apenas arquivado. No entanto, como trabalhamos principalmente com o poder público, e este dificilmente destina verba para livros sobre as obras dos arquitetos, decidimos então, produzir os livros em nosso escritório e com recursos próprios.

Além disso, somos procurados, com bastante frequência, por estudantes, pesquisadores e instituições na busca de material sobre nossos projetos e conceitos; sintetizar esse material e disponibiliza-lo em formato didático seria uma maneira de contribuir no âmbito acadêmico.

Todo projeto e desenvolvimento gráfico fazemos aqui no escritório. Montamos um pequeno setor de desenho dos livros e enfrentamos esse desafio, que não foi fácil. Dar nome ao selo editorial utilizando a expressão “La Mar en Coche” talvez tenha sido uma forma de se apropriar dessa “liberdade” para nos lançarmos a esse desafio; um esforço de investimento nosso, mas com total consciência de que não se ganha dinheiro com dois mil volumes; no entanto, ainda assim estamos satisfeitos. La Mar en Coche é uma expressão utilizada em países de língua espanhola que tem origem no início do século XX, época do surgimento do automóvel. Refere-se à ideia de que quem podia ir à praia de carro podia fazer qualquer coisa.

JS: Quais são, hoje, as suas principais referências em arquitetura no Brasil e no mundo?

HV: Não temos referências únicas quando fazemos uma obra. Nossa referência é a história da arquitetura, ou seja, qualquer coisa desde o Renascimento até aqui nos interessa. Ministro aulas em universidades nas quais mostro nossos projetos e nossos referenciais, que são atemporais. Nelas, procuramos sabedorias e não questões formais ou estéticas.

Foto do Sesc Nova Iguaçu
Foto divulgação [Acervo escritório Vigliecca & Associados]

JS: É recorrente em suas obras o uso de diferentes tipos de materiais, além de uma grande atenção ao detalhe, naquilo que o arquiteto italiano Vittorio Gregotti entende do termo, ou seja, a articulação o dos diferentes tipos de materiais. Como o senhor pensa o material em sua obra?

HV: Não fazemos arquitetura em função de um material novo. A definição do material faz parte da condição de um tipo de projeto e da interpretação de uma condição peculiar. O Sesc Nova Iguaçu, por exemplo. Ele está localizado em uma área industrial e cercado por áreas habitacionais de arquitetura muito simples. Dessa condição especifica surgiu a ideia de fazer um grande conjunto de interesse social e coletivo acessível à compreensão da população geral. Usamos o tijolo tradicional, o telhado de duas águas. Esses elementos são escolhidos a partir da interpretação de uma condição local e de um uso social muito importante que é tradição do Sesc. Isso funcionou muito bem. Aos finais de semana, o Sesc fica pequeno, pois chegam a ir oito, 10 mil pessoas. Na época da inauguração, era a praia da cidade, com piscina de 5 mil metros quadrados, foi um sucesso e continua sendo.

JS: O senhor desenvolve o conceito de “hipótese de cidade”, tanto que esse é o nome de um de seus livros. O senhor acredita que a arquitetura brasileira hoje é capaz de formular uma hipótese de cidade, ou ainda estamos muito voltados ao projeto de arquitetura enquanto “design”, enquanto objeto isolado?

HV: Sim, acredito. Existe uma tendência que a arquitetura se transforme em um objeto de design. Nós consideramos arquitetura como outra coisa, como modo de construir cidade. Quando não se tem cidade, se tem a paisagem, a topografia. Então se trata de como você se integra a essa condição pré-existente, e não trata arquitetura como um objeto que está totalmente isolado, apesar de eu não ser contra o objeto isolado. Existem só duas maneiras de se enfrentar a arquitetura: como objeto isolado ou como objeto integrado. Esse conceito já está estabelecido desde as construções primitivas, o Trílito e o Cromlech,que são duas formas de se estabelecer o espaço. Então tudo é possível, a questão maior é saber se você está usando a solução exata naquela condição, naquela problemática. Quando estou fazendo uma casa, não estou pensando nela como objeto de arte; quando estou fazendo cidade, muito menos.

Projeto Mooca Vila Carioca
Foto divulgação [Acervo escritório Vigliecca & Associados]

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