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interview ISSN 2175-6708

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Os professores Gabriela Celani e Rafael Urano entrevistam os alemães Tobias Walisser e Oliver Tessmann para o portal Vitruvius.

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Professors Gabriela Celani and Rafael Urano interview Tobias Walisser and Oliver Tessmann for the Vitruvius portal.

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CELANI, Gabriela; URANO, Rafael . Conversa com Tobias Walisser e Oliver Tessmann. Entrevista, São Paulo, ano 18, n. 069.01, Vitruvius, fev. 2017 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/18.069/6428>.


Oliver Tessmann e Tobias Walisser na Praça das Artes, São Paulo
Foto divulgação

Gabriela Celani: Tobias e Oliver, esta é sua primeira vez em São Paulo, certo? Qual foi a sua primeira impressão sobre a cidade?

Tobias Walisser: É uma experiência incrível quando você chega tarde da noite de avião e leva bastante tempo para chegar à cidade. Fomos direto para o 29º andar do Copan, que tem uma vista fantástica. Há muita poluição no ar, o que faz a cidade brilhar à noite. Isso, juntamente com todos os ruídos, cria a atmosfera de uma cidade vibrante. Tivemos a mesma impressão hoje durante nosso passeio pela cidade. Estivemos em alguns lugares cuja história arquitetônica já conhecíamos por meio de publicações. É ótimo ver como isso não é apenas uma cidade grande, mas também uma cidade muito animada; há pessoas em todos os lugares. É uma cidade com muitos bairros diferentes, mas também com muitas atividades diferentes. Para mim, a coisa mais linda das cidades é que você tem essa diversidade e simultaneidade de coisas diferentes.

Oliver Tessmann: O som do 29º andar de Copan abrindo a janela e olhando para algo que parece uma floresta ou um mar sem fim de luz... O som sobe até o alto. Isso é muito impressionante. Ao andar pela cidade, notei uma certa contradição. Por um lado todas as casas muradas; as pessoas querem se proteger do espaço público. Mas depois, após o passeio de hoje, fiquei muito impressionado ao ver a abertura dos prédios, e ver esse gradiente entre estar fora e entrar dentro de um edifício – isso é algo que nunca teríamos na Alemanha por causa do clima. Há sempre um envelope que define o interior e o exterior. E aqui existe esse gradiente, que é um tema arquitetônico para se trabalhar. Conhecemos esses edifícios dos livros, mas na fotografia geralmente não há pessoas e hoje foi impressionante ver pessoas usando os prédios, os espaços públicos e ver tantas caras diferentes.

TW: A arquitetura moderna aqui é muito conhecida pelo uso de concreto, mas o que eu realmente achei absolutamente emocionante é que isso apenas uma ferramenta ou uma técnica para expressar o desejo de ter edifícios abertos para todos, edifícios que podem abrigar amplos espaços, espaços que produzem a abertura que Oliver acabou de descrever. Você tem a paisagem e, em seguida, você tem uma lâmina reta que é o edifício e que está se opondo à natureza como elemento tecnológico, mas ao mesmo tempo, colocando os dois em uma harmonia muito equilibrada. A coisa mais impressionante quando você vem aqui é que esta não é uma obra de arte, arte como sendo algo estático e um meio em si, mas isso é para as pessoas que habitam. Em particular, o centro cultural da Lina Bo Bardi é um espaço incrível, onde você realmente tem a sensação de que isso não é apenas feito como uma boa peça de arquitetura, mas isso é algo que é apreciado por uma variedade de pessoas diferentes; ele está aberto para todos, ele pode ser apreciado de maneiras totalmente diferentes, se é para esportes ou se eles fazem aulas de artesanato, ou eles se vêm para assistir ao teatro, ou se só querem tomar um café. É um lugar que oferece um banho ao sol... Há uma “praia”... Não há água, mas a sensação da praia está lá e as pessoas estão realmente desfrutando, o que é fantástico de se ver. E o parque de Burle-Marx e a arquitetura de Niemeyer, onde também tivemos a sensação de que não importa quantos anos você tem e se você usa patins ou uma bicicleta ou um carro, você só quer se sentar e aproveitar a tarde agradável. Todo mundo pode participar... É incrível pensar que essa visão deve ter sido a inspiração para que as pessoas expressem seus sonhos em concreto, para definir uma maneira técnica de criar esses espaços para que outras pessoas possam desfrutá-lo. Você realmente precisa ter uma visão, você realmente precisa ter uma forte crença em algo com o que você pode contribuir para o desenvolvimento da sociedade, para ser capaz de desenvolver espaços como este. Nos dias de hoje tantas pessoas estão preocupadas em fazer as coisas tecnicamente possível, mas eles nunca fazem a pergunta “o que queremos alcançar?”, “Por que estamos fazendo isso?” e “quem vai se beneficiar com isso?”. Isto é, o que é realmente bom de sentir nestes lugares é que você pode chegar a uma arquitetura muito mais interessante e mais vibrante se você começar com essas perguntas no início e, em seguida, tudo se resolve a partir disso.

OT: Acho que há uma visão muito mecânica da arquitetura modernista na Europa. Le Corbusier e sua Maison Dominó representam a separação de unidades funcionais em um edifício modernista. As colunas carregam as cargas, as paredes criam o espaço e o envelope transforma-se na barreira do clima. A construção torna-se uma máquina feita a partir de sistemas e subsistemas. E aqui você vê que existem estruturas que carregam as cargas e ao mesmo tempo são esculturas. E você não pode realmente diferenciar entre o sistema estrutural, o ornamento, e a escultura. O sistema de suporte de carga também é estruturador do espaço.

GC: Também fomos à Praça das Artes...

TW: Pudemos apenas ver o térreo, mas hoje não estava tão animado como ele deve ser...

GC: Estava fechado...

TW: Mas é uma maneira interessante de inserir um novo edifício na vizinhança, e aquela região definitivamente precisa de algo que lhe dê a vida de volta. Então, a partir desse ponto de vista, é realmente bom colocar algo muito moderno, mas também algo que, de um ponto de vista urbano, realmente tente integrar o ambiente e brinque com os outros edifícios antigos.

Rafael Urano: E o que você já sabia sobre a arquitetura brasileira, antes de vir aqui?

OT: Há este maravilhoso livro chamado Concreto e cultura, de Adrian Forty. Ele fala sobre como o concreto é usado no Japão e compara-o com o modo como é usado no Brasil. Acho que o que eu aprendi hoje é que há duas escolas diferentes aqui: a escola de São Paulo e a escola do Rio, e Adrian Forty fala sobre a escola do Rio. Concreto como forma de construir membranas. Conchas muito finas, como nos brises do edifício de Copan. Do ponto de vista europeu, é o que primeiro associamos à arquitetura brasileira. Vendo hoje em dia São Paulo, sinto uma forte relação com a arquitetura em concreto suíça. A forma como o material é tratado e lançado em sistemas de construção está mais para mais Christian Kerez do que para Heinz Isler.

RU: Você sabe que eles são amigos? Kerez e os arquitetos mais jovens de São Paulo. Mas também Luigi Snozzi e Paulo Mendes da Rocha... Todos eles se entendem em termos de arquitetura.

OT: Mesmo sem saber dessa conexão você pode notá-la a partir dos edifícios.

TW: Do ponto de vista europeu, este é um país jovem, onde de repente surgiu a necessidade da arquitetura contribuir para a construção da nação e criar ícones ou manifestos para a nova sociedade e para o Estado. Ela começa naturalmente com a capital que vocês construíram... Uma capital completamente nova com um monte de edifícios modernos e edifícios que realmente definem uma era, que se tornaram ícones não só para o país, mas também de uma certa era da arquitetura. Isso é fascinante de vivenciar, não nas fotografias, mas dentro dos edifícios reais, compreendendo a lógica por trás deles, como eles funcionam com as condições climáticas. São Paulo é uma cidade com certos bairros que não podemos comparar a nada que já tenhamos visto em outro lugar. Certas partes são absolutamente únicas e isso é porque a arquitetura cria uma ponte entre uma certa história e um desejo de um certo futuro.

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