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interview ISSN 2175-6708

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O arquiteto Jayme Zettel trabalhou em parceria com Lucio Costa e esteve inserido tanto no contexto da construção de Brasília como da memória da arquitetura modernista no Brasil.

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LEVY, Wilson. Entrevista com Jayme Zettel. Entrevista, São Paulo, ano 16, n. 064.03, Vitruvius, nov. 2015 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/16.064/5809>.


Palácio da Alvorada, Oscar Niemeyer [Wikimedia Commons]


WL: Jayme, agora vamos falar um pouco sobre a questão do movimento modernista, do pensamento moderno. Você se recorda da Revista Brasília? Qual era o seu objetivo?

JZ: Não sei como posso te dizer. Quer ver uma coisa? Pega esse texto meu. Esse daqui. Dá uma lida no começo.

WL: “Arquitetos modernistas, por formação e consenso, sempre olharam de viés para o ecletismo. O estilo que dominou a paisagem urbana brasileira, sobretudo a carioca, na virada do século XIX até os anos de 1930, encarna tudo que a arquitetura modernista inaugurada em 1935, com o prédio da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro, e nos anos seguintes entronizada com o Palácio Campanema, ali mesmo vizinho, antagonizou e rejeitou. Mistura insensata, em desalinho; estética trabalhosa e abastardada era, em síntese, o que pensávamos sobre o ecletismo, agravado pelo fato de o estilo vir de fora, representar de certo modo aquele sentimento brasileiro que Nelson Rodrigues vai traduzir, com genialidade, o “complexo de vira-lata”, síndrome caracterizada pelo acovardamento diante de outro que lhe é superior, no caso, o colonizador.“

JZ: É, aí eu digo, “Eu, como arquiteto modernista...”

WL: “Para um jovem arquiteto como eu, que saiu da universidade e desembarcou direto no mais ousado empreendimento modernista registrado na história da arquitetura mundial (a construção de Brasília), uma experiência radical, o ecletismo era de se lamentar. Afinal, fazer arquitetura modernista, naqueles meados de 1950, era muito mais que aproveitar uma boa oportunidade de trabalho. Era militância, irrigada na fonte de arquitetura colonial. Uma arquitetura muito limpa, o contrário do eclético. Era afirmar o “brasil brasileiro”. Mas, e a revista?

JZ: Eu acho que a revista traduzia isso.

WL: Você se recorda como ela era editada, qual a estratégia, enfim, como era a equipe... Quem era da equipe da revista?

JZ: Não me lembro bem. É que a Revista Brasília eu estou confundindo com a Módulo, acho, né? Qual era a Brasília, a editada pelo Oscar?

WL: Eu acredito que sim.

JZ: Porque eu estou na dúvida se a Brasília existia antes e depois virou Módulo. Por isso é que estou na dúvida.

WL: Depois consultamos e prosseguimos.

JZ: É, eu precisaria ver isso, pois não me lembro. Porque o Módulo, na minha cabeça, que era a nossa revista, onde você afirmava todos os princípios da arquitetura moderna, né?

WL: Ainda dentro da questão do pensamento moderno, o ideário modernista, na sua opinião, foi adequado para a construção de uma nova capital?

JZ: Eu acho que se não fosse isso... Eu não tenho a menor dúvida (que sim), porque só assim ela foi feita em três anos. Agora, não me pergunte depois; como foi sua evolução. Mas, naquele momento, eu tenho certeza. Certeza não, porque aconteceu, era a condição de possibilidade. E isso você vê inclusive no relatório do inglês, William Hawford. Ele percebe que a Brasília do Lúcio era a única que poderia ter sido executada. O Oscar gostava, uma vez ele me confessou, mas não que ele não gostasse do Lucio, mas ele gostava muito do projeto do Rino Levi. Eu te falei nisso já, né?

WL: Sim. Mas ele falou por que?

JZ: Ah, porque eram cidades verticais, né? Você lembra do projeto? São grandes estruturas

WL: Agora, até pegando esse gancho, Jayme, os outros projetos que foram preteridos, como você avaliaria?

JZ: Eram dentro dos conceitos de planejamento urbano inglês. Eu estava querendo me lembrar de quem era o mentor. Guedes Paterpeds, eu acho. Era, na verdade, o intelectual que falava disso, que fez Londres e sua descentralização pós-guerra. Esse era o modelo de urbanismo. E na verdade a gente herdou um pouco isso e o Corbusier, que era na verdade um design urbano, entende? Essas foram as diretrizes para onde a gente consolidou Brasília. Mas você hoje entra em Brasília e é a capital do país, sem dúvida alguma. A Praça dos Três Poderes, aquela entrada, os ministérios...você não está entrando em uma cidadezinha, né?

WL: E isso mesmo em relação a projetos – não pensando tanto no projeto e eu até trago isso como um olhar de fora- mas, por exemplo, a importância que Artigas tinha naquela época, ainda assim não despertava grandes paixões nessa nova geração?

JZ: Eu não me lembro muito do projeto do Artigas. Tinha projeto dele?

WL: Sim.

JZ: Eu gosto dele, tinha um projeto dele inclusive que era um centro de habitação muito interessante.

WL: Parque CECAP, de Guarulhos, né?

JZ: É! Por exemplo, Paulinho Mendes da Rocha chegou para ficar conosco.

JZ: Tem uma história curiosa: no governo do Jango, ele havia nomeado para fazer a reforma urbana eu, o Jorge Wilheim e o Guedes, e o Arthur Cavalcante que era um deputado-arquiteto de Pernambuco. Acho que o Guedes não estava, não me lembro mais. Eu sei que a gente – no dia do golpe, você pode imaginar – foi pro Hotel Nacional rasgar aquela papelada toda e jogar na descarga, porque estava aquela confusão toda. A coisa do IAB era a reforma urbana, né? Uma das plataformas. Havia a reforma agrária, do governo, e a reforma urbana.

WL: Que estava dentro do pacote das reformas de base, né?

JZ: Sim! Então, a reforma urbana, você pode imaginar...Como eu era diretor de urbanismo de Brasília e depois Secretário de Planejamento. Agora, como é que essa gente maluca coloca um cara de 30 anos fazendo isso é o que eu gostaria de entender! (risos). Mas era assim.

WL: Então você não vê outro projeto para pensar uma capital além do projeto (implementado).

JZ: Não, não. É a cara de capital que era. Não tenho dúvida, pronto. (risos)

Vista geral do Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado (CECAP Cumbica)
Foto Eduardo Augusto Kneese de Mello [Acervo arquigrafia]

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