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interview ISSN 2175-6708

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Entrevista com Benjamin Adiron Ribeiro, ex-coordenador da Cogep, responsável pela primeira Lei de Zoneamento, Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo da cidade de São Paulo assim como suas delimitações, além de ser responsável pela Fórmula de Adiron.

how to quote

PESSOA, Jorge. Entrevista com Benjamin Adiron Ribeiro. Entrevista, São Paulo, ano 16, n. 062.02, Vitruvius, maio 2015 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/16.062/5523>.


Roberto Cerqueira César (1917–2003)
Foto divulgação [ANELLI, Renato; et al. Rino Levi, arquitetura e cidade. Romano Guerra, 2001]

Jorge Pessoa: Adiron, eu vou aqui fazer um pequeno histórico, o senhor me corrija por favor, se estiver errado... O senhor foi coordenador geral de planejamento, na época da Cogep...

Benjamin Adiron Ribeiro: Isto. Deixa eu esclarecer já de saída. Esse título de coordenador geral de planejamento correspondia, legalmente, ao de Secretário de Planejamento. Por que se usava de preferência coordenador? Porque motivo a legislação, que fui eu que preparei para criar esse órgão, colocou coordenador? Porque a idéia era que a Coordenadoria de Planejamento deveria coordenar todas as atividades de planejamento da Prefeitura. Então, colocar só mais um secretário, seria para competir com os demais. Eu insisti, na época em que a Cogep foi criada – época do prefeito Figueiredo Ferraz – que não fosse dado o título de Secretaria, mas de Coordenadoria de Planejamento, para que o coordenador tivesse legalmente a atribuição de coordenar todo o trabalho de planejamento. Agora, nós estamos falando das atividades próprias de cada secretaria, mas uma das atividades de cada secretaria municipal é planejar. Então esse planejamento teria de ser coordenado, por isso então coordenador.

JP: Coordenadoria que depois se transformou em Sempla.

BAR: Depois se transformou, regrediu.

JP: Regrediu?

BAR: Regrediu para Secretaria. Por que? Porque os demais secretários e os prefeitos nunca aceitaram esta atribuição, de que alguém deveria coordenar o trabalho deles na área de Planejamento.

JP: O senhor entrou nessa Coordenadoria em que época?

BAR: Veja bem, a Coordenadoria de Planejamento foi criada em 72. Eu já estava na Prefeitura há muito anos, no Departamento de Urbanismo, que era um departamento da Secretaria de Obras. Antigamente quem cuidava de tudo era a Secretaria de Obras. projetos de todo tipo e planejamento da cidade. Então, um dos departamentos especializados da Secretaria de Obras era o Departamento de Urbanismo, no qual eu trabalhei muitos anos. Dentro do Departamento de Urbanismo, ao longo dos anos, eu e outros colegas que trabalhavam lá, a maioria arquitetos – tinha alguns engenheiros também – chegamos à conclusão de que planejamento era muito mais do que aquilo que o Departamento de Urbanismo fazia, devia ser muito mais abrangente, não podia se limitar quase exclusivamente ao problema viário, de circulação de veículos – que era quase a única atividade do Departamento de Urbanismo.

Então nós fomos insistindo com sucessivos prefeitos para que eles criassem um órgão próprio de planejamento, fora da Secretaria de Obras, capaz de exercer plenamente a função do planejamento urbano – que inclui programas sociais, programas econômicos, programas ambientais principalmente. E por fim, o Figueiredo Ferraz (homem inteligente, de cultura aguçada, um dos melhores prefeitos que nós tivemos – por estranho que pareça, só ficou 2 anos, foi expulso pelo Laudo Natel, pois o prefeito era nomeado naquela época...), então o Figueiredo Ferraz se convenceu disso e criou a Coordenadoria de Planejamento, com status de Secretaria. Ao mesmo tempo, ou pouco depois, como consequência da criação da Cogep, ele criou a Emurb. Foi uma consequência, uma coisa saiu da outra, e por quê? Porque também nós, do antigo Departamento de Urbanismo, estávamos absolutamente convencidos de que ação direta, principalmente de renovação urbana – que era muito importante, continua sendo hoje – tinha que ser exercida por uma empresa com estrutura empresarial, e não por um órgão apenas regulador, certo? Tinha que haver uma ação direta do poder público sobre o processo de renovação urbana, que na época já era tão importante como continua a ser até hoje. Então criou-se a Emurb. Foram dois órgãos criados sucessivamente.

JP: O Sr. foi para a Cogep...

BAR: Eu fui... Primeiro o Ferraz levou para a Cogep o amigo dele, que tinha sido colega de turma na Politécnica, o Robertão, Roberto Cerqueira César. Ele trouxe Roberto Cerqueira César, que tinha seu escritório de arquitetura, nunca tinha trabalhado no setor público. Ele trouxe o Roberto Cerqueira César, portanto, da iniciativa privada, porque era colega dele, era amigo pessoal, e o colocou como Coordenador de Planejamento. Mas aí ele criou a Emurb e o Roberto diz: “Eu me interesso mais pela ação direta, estou mais acostumado com a ação direta”. Então o que ele fez? Levou o Cerqueira César para a Emurb, e o deixou durante algum tempo exercendo as duas funções. Mas o Cerqueira César, o Robertão, logo percebeu que não era possível, que não dava para acumular as duas funções Na época eu era diretor da Cogep, justamente da Diretoria de Planejamento. Então o Cerqueira César propôs ao Ferraz que ele ficasse só na Emurb e que me colocasse na Coordenadoria. Eu era um simples funcionário municipal, na verdade, não tinha nenhum apoio político, não tinha nenhum relacionamento com políticos, era um funcionário de carreira, portanto permanente. Então o Cerqueira César – que era um homem inteligente, de bom senso – convenceu o Ferraz que era melhor colocar uma pessoa da máquina nesta área, uma área que exigia experiência, e foi então isto.

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062.02 Introdução
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062.01

Entrevista com o professor Jorge Figueira

Gabriela Celani

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