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interview ISSN 2175-6708

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Entrevista com o arquiteto e pesquisador Wilfried Wang sobre as contradições da cultura arquitetural contemporânea.

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MARQUES, Sonia. Cultura arquitetural contemporânea. Entrevista com Wilfried Wang. Entrevista, São Paulo, ano 16, n. 061.01, Vitruvius, fev. 2015 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/16.061/5419>.


Lovell House (Health House), Los Angeles, California, 1929. Arquiteto Richard Neutra
Foto Los Angeles [wikimedia comomons]


Sonia Marques: De acordo com estudos, tais como os de Raymonde Moulin de 1974 Les Architectes. Métamorphose d'une profession, arquitetura é a profissão onde há o maior hiato entre o ideal profissional e as condições reais da prática. Em 1992, Dana Cuff escreveu The Story of Practice para mostrar um novo retrato da profissão que crescia mais rapidamente na América naquele período, “mas num contexto privado que permanecia envolto em mitos". Você acha que as coisas mudaram desde então? De que maneira?

Wilfried Wang: Se qualquer coisa ocorreu, é que o hiato aumentou. O melhor retrato da realidade vem a ser os mapas que mostram o crescimento das cidades e a sua decadência interna. Este é um fenômeno visto em muitas cidades ao redor do mundo. Então, se alguém perguntar, quanto impacto têm os arquitetos no planejamento dessas periferias suburbanas e no projeto dos edifícios individuais, torna-se claro como é pouca a influência, como é grande o fosso entre ideais e realidade.

A taxa de crescimento de uma cidade como Phoenix, Arizona, é paradigmática. É imparável, baseado no modelo político e econômico do "sonho americano" e alimentado pela ideologia da família nuclear que vive perto da natureza. É improvável que este "sonho americano”,  esta ideologia seja reformada. Então, com toda a conversa sobre empreender esforços internacionais para limitar as alterações climáticas, enquanto o "sonho americano" e sua ideologia associada à moradia unifamiliar no campo não parar, o insustentável modo de vida suburbana e seu crescimento imparável garantirão que a mudança climática vai acelerar.

Como não há poderosas alternativas sendo comunicadas dentro da profissão e nem entre o público em geral, e mesmo que houvessem modelos sendo propagados agora, levaria décadas para essas alternativas fazerem o seu caminho através das mentes e práticas das instituições e academias de todo o mundo.

Esta falta de liderança global, os contra-movimentos atuantes pelos setores interessados da economia global (instituições financeiras, como bancos e companhias hipotecárias, companhias de habitação, fabricantes de automóveis, etc.); as ações de querer tapar o sol com uma peneira através de iniciativas bem-intencionadas para reduzir a consciência culpada dos indivíduos e da coletividade; a insistência das academias no gênio do arquiteto individual (apesar do fato bem conhecido de que arquitetura é trabalho de equipe); a obsessão com o objeto arquitetônico autônomo como o veículo fotogênico para a legitimação dessa cultura arquitetônica ego-fixada; a perpetuação da historiografia arquitetônica ensinando estilos via recontagem da realidade construída como constituída pela construção de tais objetos autônomos (apesar do fato bem conhecido de que a maioria dos edifícios conhecem algum tipo de transformação ao longo de suas vidas); em suma: a falta de vontade da civilização global contemporânea para enfrentar a difícil verdade sobre a necessidade de mudar radicalmente o nosso comportamento será a razão pela qual: arquitetura vai continuar a automarginalizar-se; a profissão não vai recuperar a autoridade, uma vez que não está disposta a propor um paradigma que resolva as necessidades do ecossistema vis-à-vis às diferentes necessidades das sociedades em todo o mundo; os conflitos como resultado da mudança climática serão inevitáveis e irreversíveis, dada o profundo enraizamento dos padrões de comportamento acima mencionados.

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