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interview ISSN 2175-6708

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Entrevista com o arquiteto e pesquisador Wilfried Wang sobre as contradições da cultura arquitetural contemporânea.

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MARQUES, Sonia. Cultura arquitetural contemporânea. Entrevista com Wilfried Wang. Entrevista, São Paulo, ano 16, n. 061.01, Vitruvius, fev. 2015 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/16.061/5419>.


Conjunto residencial Küppersbusch, Gelsenkirchen, IBA Emscher-Park, 1998. Escritório Szyszkowitz + Kowalski
Foto divulgação [IBA Emscher-Park]


Sonia Marques: Como você define a cultura arquitetural contemporânea atual em geral?

Wilfried Wang: A sustentabilidade, ainda que um campo essencial do pensamento e da ação, tem sido marginalizada no discurso recente da cultura arquitetural, porque, em primeiro lugar, muitas das áreas de ação têm sido resolvidas em termos tecnológicos e, em segundo lugar, muitas das outras questões são solúveis pelo bom senso, por exemplo, para citar Frei Otto: ser sustentável significa não construir. Tudo o mais que envolver um ato de construir já é um compromisso, um distanciamento do real objetivo sustentável.

É possível utilizar o princípio da sustentabilidade tanto na dimensão quantitativa quanto qualitativa como a medida do sucesso ou fracasso de um artefato proposto ou existente.

Aquela parte da cultura arquitetural que se autoconsidera de vanguarda é egocêntrica, auto-referencial e não tem relevância para a cultura contemporânea. Isto é o que é hoje a velha vanguarda. Muito do que é publicado em blogsfanzines e nas chamadas revistas de vanguarda pertence a isto. Pertencem a este segmento exercícios de criação de formas desenvolvidos como um fim em si mesmo; qualquer tentativa de legitimar uma relação entre as formas e sociedades, em geral, não passa de esotéricas pós-racionalizações pseudo-intelectuais. Grande parte deste pensamento retorna ao discurso do nordeste do EUA da década de 1980.

O direito ao formalismo individualista continua a ser uma falsa medida de liberdade acadêmica e cultural. A compulsão pela procura da "criação de novas formas" é uma parte do sistema de mercantilização do capitalismo tardio. "Nova arquitetura" é provavelmente mais um serviço de marketing da propriedade e de satisfação da sede supersaturada por "novidade" das classes de lazer do que um serviço ao progresso da humanidade. A maior parte do que foi recentemente publicado como arquitetura de vanguarda é de fato parte da indústria da especulação-propriedade-construção que fornece abrigo para o excesso de liquidez em vez de abrigo para as pessoas.

Há muitas influências parcamente difundidas e absorvidas nas escolas de arquitetura em todo o mundo. Sem ter consciência de uma contradição básica, o princípio da sustentabilidade, bem como a reivindicação de liberdade absoluta de expressão não são fundamentalmente fáceis de serem buscados em paralelo. Inovações em técnicas de construção e na criação de formas são válidas apenas com fins socioculturais.

A pequena proporção contínua de imóveis recém-construídos de qualidade adequada em relação à produção global (talvez 10%) significa que a sustentabilidade cultural não será alcançada em breve.

A maioria da construção civil global está fora da influência da profissão de arquitetura e urbanista. O pouco que resta, ou permanece como um fim em si mesmo, e assim socialmente irrelevante, ou é arquitetura no que há de melhor, verdadeiramente de vanguarda: com uma qualidade de projeto adequada, consciente de sua contribuição limitada para o princípio da sustentabilidade e eminentemente transformadora do ponto de vista sociocultural.

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