Your browser is out-of-date.

In order to have a more interesting navigation, we suggest upgrading your browser, clicking in one of the following links.
All browsers are free and easy to install.

 
  • in vitruvius
    • in magazines
    • in journal
  • \/
  •  

research

magazines

drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
No Dia Internacional da Mulher, o Coletivo Rosa Kliass, uma rede nacional de mulheres Arquitetas e Urbanistas do IAB que usa a arquiteta paisagista Rosa Kliass como símbolo, divulga a agenda da luta feminina no meio profissional.

how to quote

ROSA KLIASS, Coletivo. Manifesto feminista no Dia Internacional da Mulher. Arquitetas e urbanistas, uni-vos! Drops, São Paulo, ano 20, n. 150.02, Vitruvius, mar. 2020 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.150/7666>.



Mulheres! Uni-vos para que a sociedade nos escute e nos ouça. E que nos ouça com a devida atenção. Uni-vos para que homens nos ouçam e para que todos nos ouçam para além do posto de esposa e mãe. Sim, porque há uma enorme diferença entre ouvir e escutar. A sociedade encarcerou a fala das mulheres no paradigma da frivolidade recebendo com filtros a oitiva da mulher.

O discurso inteligente da mulher, aquele que pode mudar uma percepção, modificar processos ou aperfeiçoar uma decisão ainda é pouco assimilado na inglória luta das mulheres pelo seu lugar de fala e como dizem atualmente, na disputa das narrativas hegemônicas. Isso não é diferente nos Conselhos, nas entidades aonde as mulheres venham exercer um papel antagônico ou lutar por um protagonismo insurgente. O desafio é banir um direito de fala sem oitiva, que faz parte de seu processo de conquista de um lugar social próprio, porém de difícil destaque: quando escutam, dificilmente nos ouvem. Assim, opinar, presidir, coordenar, representar, dar a palavra final para nós mulheres, não é tarefa das mais simples. A mulher na atualidade quer ocupar um lugar de destaque na política institucional.

Em aparente contradição com a conquista do espaço de fala, somos maioria na categoria profissional, nas salas de aula, nos escritórios, nas ruas, mas nossa capacidade de desaparecer do protagonismo e de não conseguir deflagrar processos femininos de mudança é absurdo, chegando a ser violento. Tão violento que há mulheres que se posicionam contra ele, atribuindo ao feminismo e não a machismo social preponderante, a gênese da violência. Temos que alterar esta realidade.

Se lutamos para nos situar e ter espaço para disputar campos de conquista na hegemonia masculina, teremos que desencadear a consolidação de um processo de mudança da “programação neurolinguística” da sociedade machista que coopta inclusive o espaço do feminino desta sociedade. Exato! Isso inclui modificar a fala de homens e mulheres machistas. Alterar a cultura da formação e afirmação dos machos que independente de sexo, reproduzem e fortalecem esta natureza preponderante do machismo social.

Programados para aceitar com naturalidade a mulher que fala, mas não é ouvida, somos campo fértil para reproduzir a desigualdade de gênero e preconceituar a luta pelo direito ao lugar que também é da mulher. Temos que alterar a cultura social alterando a origem daquilo que será reproduzido e transformado no futuro: a preponderância do masculino da sociedade. Afinal, reproduzimos o estereótipo social prejudicial a nós mesmas quando culturalmente delegamos ao pai, a tarefa final de decidir pela família, mesmo quando potencialmente exercemos com distinção, nosso papel no matriarcado clandestino, efetuando mais do que também a tarefa humana mais sublime que é a da maternidade. Esta realidade cultural, portanto histórica, acentua desigualdade entre homens e mulheres e povoa o universo repressivo das mulheres mães, pobres e negras...

E aí o estrago se fez. Nas instâncias institucionais, temos o insistente modus operandi de ocupar espaços sem fortalecer a nossa presença essencialmente diferente e feminina. E legitimá-los como verdadeiras e árduas conquistas femininas.

Mulheres, uni-vos! Temos a conquista como palavra: a conquista do espaço de fala com oitiva reverbera a identidade feminina, pois temos que entrar na sala, falar, ser ouvida e trazer a nossa perspectiva de mudança contribuindo com aquilo que somos e sabemos e isso muda tudo. Entrar no jogo trazendo nossos tabuleiros, regras e valores. Sabendo que ao entrar no jogo, temos capacidade de influenciar e mudar as regras. E isso vai exigir de nós mulheres o aprendizado da sororidade. Aprender a nos fortalecer em rede, confiar uma nas outras para sustentar as mudanças dos espaços de fala e de escuta que queremos provocar. Feliz Dias das Mulheres!

sobre as autoras

Coletivo Rosa Kliass, composto pela rede nacional de mulheres Arquitetas e Urbanistas do IAB. Link para entrar no grupo: https://chat.whatsapp.com/EXHuFfeTsnmIaVDgh6BmqQ.

legenda

Participantes da Rede Nacional de Mulheres Arquitetas e Urbanistas do IAB
Imagem divulgação

 

comments

150.02 dia da mulher
abstracts
how to quote

languages

original: português

share

150

150.01 prêmio Pritzker

E o Pritzker 2020 vai para...

Yvonne Farrell e Shelley McNamara, do Grafton Architects!

Gabriel Kogan

150.03 política

A culpa não é das chuvas...

Nem do vírus!

Carlos A. Ferreira Martins

150.04 homenagem

Nelson Leirner (1932-2020)

A desilusão como arma libertadora

Paulo Miyada

150.05 design

O MAM Rio e a importância do design

Ethel Leon

150.06 arte urbana

Street Art pela América Latina

Adriana Idalina Rojas Gutierrez

150.07 coronavírus

Tempos de isolamento

Para bem e para mal

Carlos A. Ferreira Martins

150.08 homenagem

Michael Sorkin, 1948-2020

O pensador do ambiente urbano

Laura Belik

150.09 coronavírus

O vírus, a política e os políticos

A saúde pública refém de interesses pessoais

Carlos A. Ferreira Martins

newspaper


© 2000–2020 Vitruvius
All rights reserved

The sources are always responsible for the accuracy of the information provided