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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
Carlos A. Ferreira Martins, professor titular do IAU USP São Carlos, comenta as últimas notícias internacionais sobre o Brasil, onde as políticas públicas tornam-se contrárias ao desenvolvimento nacional.

how to quote

MARTINS, Carlos A. Ferreira. Chega de falar de política. Então vamos falar de política educacional e política científica. Drops, São Paulo, ano 20, n. 147.04, Vitruvius, dez. 2019 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.147/7561>.



Concordo com o leitor: está chato falar de política o tempo todo. Estraga amizades, azeda o fígado e separa as famílias, neste momento em que a passagem sazonal do espírito natalino pede paz e reconciliação.

Vamos então falar de ciência e do avanço do conhecimento, cujo objetivo maior é beneficiar a humanidade.

Durante as edições anteriores do relatório Free to Think (Livre para pensar), elaborado por uma rede internacional sediada na Universidade de Nova York, quem ocupou as capas foram o Irã, a Turquia, o Paquistão e o Egito. Países, como se sabe, de pendor antiocidental, regidos por governos autoritários e obscurantistas.

Neste ano, o Brasil ganhou a capa, por causa das declarações do quase ex-ministro da educação contra as universidades públicas, dos tuites do presidente e de episódios vários de repressão policial ou judiciária.

Também cita a asfixia orçamentaria da ciência e da tecnologia e as ameaças à autonomia universitária, simbolizadas pela foto da Faculdade de Direito da Universidade do Paraná em que uma faixa dizendo “Em defesa da educação”, foi retirada por ordem judicial.

O coordenador do relatório, Robert Quinn, explica que seria injusto dizer que o Brasil é o pior país do mundo para a liberdade acadêmica. “O que estamos dizendo é: O Brasil está aqui e isto é novidade”, afirma.

Por outro lado, Nature, a mais prestigiosa revista científica do planeta, incluiu o físico brasileiro Ricardo Galvão entre os dez “cientistas do ano”. Se o leitor não se lembra, ele foi o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe, exonerado porque divulgou índices de desmatamento da Amazônia que desagradaram o governo.

Para alguns na comunidade acadêmica a boa notícia da semana é a quase certa demissão de Abraham Weintraub do ministério daquilo que ele odeia, a educação. Mas é bom não esquecer que, apesar do dito popular, sempre pode ficar pior do que está.

Afinal a irmã do posto Ipiranga, Elizabeth Guedes, é presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares e parece que ela acha que o governo tem gasto seu tempo achincalhando as públicas em vez de cuidar do lucro das privadas.

sobre o autor

Carlos A. Ferreira Martins é professor titular do IAU USP São Carlos.

 

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