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drops ISSN 2175-6716

abstracts

português
O Prêmio APCA 2018 – Categoria “Pesquisa e difusão” foi concedido a Celso Lima e Neide Jallageas (curadoria e pesquisa) e Goma Oficina (comunicação visual e maquetes de arquitetura) pela exposição Vkhutemas.

how to quote

ANELLI, Renato. Exposição Vkhutemas: revolução social e produção serial. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Pesquisa e difusão”. Exposição Vkhutemas / Celso Lima e Neide Jallageas (curadoria e pesquisa), Goma Oficina (comunicação visual e maquetes de arquitetura). Drops, São Paulo, ano 19, n. 141.06, Vitruvius, jun. 2019 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.141/7386>.



O desenvolvimento das artes aplicadas em direção ao design industrial e gráfico constitui um dos capítulos mais instigantes da história moderna na primeira metade do século 20. A exposição sobre a escola soviética Vkutemas (1918-1930), ocorrida no Sesc Pompeia em 2018 (1), apresentou ao público uma parte desse processo, quase desconhecida pelos brasileiros. E o fez através de uma dinâmica investigativa coletiva, coerente com os princípios da própria Vkutemas. A curadoria de Celso Lima e Neide Jallageas trouxe sua história através da apresentação de uma grande quantidade de reproduções feitas especialmente para a mostra.

A estratégia de não apresentar itens originais é coerente com o objeto da exposição: para entender uma escola de design nos primórdios da produção serial industrial, os originais se tornam irrelevantes. Qual seria o original de uma xícara ou de uma estamparia de tecido produzidos em série para uma sociedade de massas?

Vkhutemas se refere a uma sucessão de escolas de artes plásticas e artes aplicadas criadas na Rússia pós-revolução: inicialmente Svomas, 1918, torna-se Vkhutemas, 1920 e Vkhutein, 1927 até ser fechada em 1930. A questão da Vkhutemas foi levar a arte ao cotidiano através da produção industrial, postura que seria também adotada pela Bauhaus, ainda que sem o mesmo ímpeto revolucionário. Na arquitetura pensaram os novos programas da sociedade soviética, ousando na relação entre forma, uso e técnicas construtivas. Nos objetos – móveis, utensílios, azulejos, estamparia, gráfica – a transformação foi também enorme. Enquanto os movimentos de artes e ofícios, artes aplicadas e artes novas do século 19 tentavam inserir a arte na vida através da manufatura, o artista da Vkhutemas almejava tornar-se um técnico criador dos protótipos de séries industriais.

Os curadores da exposição assumem que na produção serial não existem mais originais, não havendo sentido em procurar aquilo que é mais autêntico para ser exposto. A série destrói os valores de unicidade da obra de arte e de autenticidade do original. Para as vanguardas do entre guerras, todas as estampas, todas as xícaras de chá ou talheres da série são equivalentes. Dialogando com essa postura vanguardista, os curadores questionam a prática curatorial dos museus atuais, baseada nos empréstimos a preços caríssimos dos originais que registram esse momento das vanguardas modernas. Se o ponto central da proposta moderna do entre guerras foi a transformação da sociedade através de edifícios e objetos produzidos em massa, com objetivo de atingir o máximo possível de pessoas, qual seria o sentido da seleção de vestígios dessas séries para expô-los em situações excepcionais de museus?

No sentido contrário, os curadores pesquisaram a fundo a história da escola, os documentos dos seus principais projetos e trabalharam com jovens artistas, arquitetos e designers para refazer os objetos com as técnicas atuais mais próximas possíveis das originais. Por exemplo, a maquete da torre de Tatlin ganha frescor ao ser construída com perfis de alumínio e aço carbono galvanizado. Sem preciosismos desnecessários, ocuparam os corredores dos ateliês de artes aplicadas do Sesc Pompéia, como a propor um programa novo para aquelas instalações, coerente com as concepções do projeto de Lina Bo Bardi.

A posição dos curadores desafia o fetiche que cerca o sistema cultural contemporâneo, que altera o sentido original da obra das vanguardas modernas ao torna-las excepcionais e inalcançáveis com o objetivo de alimentar seu valor no mercado de arte e design. Há coerência entre a concepção política revolucionária que animou o Vkhutemas e o modo como foi concebida a exposição. Mostram as décadas de 1910 e 20 para falar do presente. Ousadia rara no atual contexto cultural brasileiro, que foi reconhecida pela APCA nesta premiação.

notas

NE – Desde 2010, a APCA incorporou os críticos de arquitetura, concedendo anualmente sete prêmios. Em 2018, os críticos Abilio Guerra, Fernando Serapião, Francesco Perrotta-Bosch, Gabriel Kogan, Guilherme Wisnik, Hugo Segawa, Luiz Recamán, Maria Isabel Villac, Nadia Somekh, Renato Anelli foram os responsáveis pela seleção dos premiados. Os artigos dedicados à premiação da modalidade Arquitetura e Urbanismo da APCA 2018 são os seguintes:

RECAMÁN, Luiz; SOMEKH, Nadia. BR Cidades: a reconstrução democrática do espaço urbano. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Urbanidade”. BR Cidades / Ermínia Maricato, Karina Leitão, Paolo Colosso, Carina Serra, João Sette Whitaker, Margaterh Uemura, Lizete Rubano e Celso Carvalho. Drops, São Paulo, ano 19, n. 141.05, Vitruvius, jun. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.141/7384>.

ANELLI, Renato. Exposição Vkhutemas: revolução social e produção serial. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Pesquisa e difusão”. Exposição Vkhutemas / Celso Lima e Neide Jallageas (curadoria e pesquisa), Goma Oficina (comunicação visual e maquetes de arquitetura). Drops, São Paulo, ano 19, n. 141.06, Vitruvius, jun. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.141/7386>.

CAMARGO, Mônica Junqueira de. Rosa Kliass, uma trajetória duplamente exemplar. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Trajetória”. Drops, São Paulo, ano 19, n. 141.07, Vitruvius, jun. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.141/7388>.

PERROTTA-BOSCH, Francesco; WISNIK, Guilherme. Minimod, Mapa Arquitetos. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Inovação tecnológica”. Minimod – Mapa / Luciano Andrades, Matías Carballal, Rochelle Castro, Andrés Gobba, Mauricio López, Silvio Machado. Drops, São Paulo, ano 19, n. 142.05, Vitruvius, jul. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.142/7410>.

VILLAC, Maria Isabel. Arquitetura como experiência e apropriação. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Contribuição à cultura brasileira”: Brasil Arquitetura / Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci. Drops, São Paulo, ano 19, n. 142.07, Vitruvius, jul. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.142/7422>.

KOGAN, Gabriel. Vazio e pensamento, vento e movimento. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Obra brasileira no exterior”: Capela Bienal de Veneza / Carla Juaçaba. Drops, São Paulo, ano 20, n. 143.05, Vitruvius, ago. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.143/7457>.

SEGAWA, Hugo. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Melhor obra”: Campus da UFABC / Claudio Libeskind e Sandra Llovet [no prelo].

1
Exposição Vkhutemas: o futuro em construção (1918-2018), curadoria e pesquisa de Celso Lima e Neide Jallageas, Sesc Pompeia, São Paulo, 26 de junho a 30 de setembro de 2018. Comunicação visual e produção das maquetes de arquitetura: Goma Oficina; produção: oficinas Funarte SP; azulejos: Paulo Pinheiro; estamparia: nove alunos (coordenação Celso Lima; estúdio Daniela Azevedo).

sobre o autor

Renato Luiz Sobral Anelli, arquiteto e professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos.

 

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