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drops ISSN 2175-6716

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O Prêmio APCA 2012 – Categoria “Homenagem pelo conjunto da obra" é um importante reconhecimento ao trabalho de Paulo Mendes da Rocha

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VILLAC, Maria Isabel. Prêmio APCA 2012 – Categoria “Homenagem pelo conjunto da obra”. Premiado: Paulo Mendes da Rocha. Drops, São Paulo, ano 13, n. 063.06, Vitruvius, dez. 2012 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/13.063/4622>.



A premiação "Homenagem pelo conjunto da obra" ao arquiteto Paulo Mendes da Rocha é um reconhecimento tanto à arquitetura como ao sujeito arquiteto. A arquitetura não permanece sem o discurso e as aspirações que a amparam.

Paulo Mendes da Rocha inicia sua carreira em 1954 e, em 1958, vence o concurso para a construção do Ginásio do Clube Atlético Paulistano. A obra, finalizada em 1961, ganha o Grande Prêmio Presidência da República, na exposição internacional de arquitetura da VI Bienal de São Paulo e chama a atenção de Vilanova Artigas que lhe convida para ser seu assistente na FAU USP.

Já nesta primeira realização que lhe projeta como arquiteto no cenário nacional, as características de uma arquitetura singular são evidentes: simplicidade, inventividade estrutural e beleza plástica. Mas também merece atenção a reversibilidade com que se trata o programa, tal que o edifício tanto é percebido como objeto funcional no espaço como estrutura que se expande além da forma útil para construir uma praça aberta ao entorno. Para o arquiteto, portanto, o projeto da arquitetura ultrapassa a resolução de um problema através de uma forma operativa e específica. A arquitetura tem um compromisso com a sociabilidade e a dinâmica urbana.

A poética da arquitetura para Paulo Mendes da Rocha não se afirma em um método mas sim em um sentido orientador de um ideal artístico e um programa de arte marcadamente social e voltado para a participação plural.

Ainda sob esta perspectiva, lembramos o Pavilhão do Brasil na Feira Internacional Osaka em 1970, um projeto de cunho simbólico, que,em oposição ao estado de ditadura por qual o país passava, e em cujo marco não se enquadra, apresenta um valor de ruptura, em «uma arquitetura que, produzida dentro da específica condição brasileira, se mostrava [...] como aproximação humana de interesse universal» (Flavio Motta, "Arquitetura brasileira para a EXPO-70", 1970). Dentro de aspirações mais elevadas que a mera afirmação de uma "identidade nacional" ou, inclusive, de uma "estética de exposições", o projeto propõe uma perspectiva humanista. Uma sombra, um solo continuo e um pilar em arco romano duplo inauguram a relação natureza-cidade e assinalam a “brasilidade”, sob o ponto de vista antropológico, como uma sincronia entre o arcaico e o moderno e a fecunda capacidade de articular diferenças.

A conjugação entre objetividade construtiva e subjetividade poética também orienta o projeto do Museu Brasileiro de Escultura – MUBE, desenhado em 1986 e construído em 1995. A configuração essencial se marca por uma grande viga e uma praça emoldurada por água e jardins. A visão cálida e sombreada contrasta com uma São Pauloagitada, caótica, infernal e constrói um lugar comum que interpreta o tema "museu" de forma incomum: nenhum roteiro fixo, mas a indução ao movimento e à participação na descoberta dos espaços.

Para Mendes da Rocha a História não está encerrada e a arquitetura está comprometida com contextos consolidados e com a vitalidade da vida urbana, seja revelando estruturas históricas seja impregnando o conhecido com o desenho do imprevisível. Este procedimento define a forma da nova cobertura da Praça do Patriarca, projetado em 1992 e construído em 2002, na qual o artefato está plasmado por uma dinâmica "intra" e "extra" arquitetônica. Para a arquitetura que tem a cidade como espaço de referência, o que está em questão não é somente a arquitetura como construção, senão a contemporaneidade como tal, sob os aspectos com que a arquitetura constrói e interpreta espacialmente a cidade.

Outras tantas obras públicas merecem atenção pelas qualidades inestimáveis para a cultura brasileira. Entre elas, a Capela São Pedro (1987) em Campos do Jordão, a Pinacoteca do Estado (1993-98), os Museus de Etnologia, Zoologia e Ciências da USP (2000)os projetos urbanos Cidade Porto Fluvial do Tietê (1980) e Baia de Vitória (1992), que assumem papel desalienante e compromisso social em sua configuração. Mas também as obras privadas, que mantêm personalidade própria e se afastam de personalismo e estrelismo. Como, por exemplo,o Centro Cultural Fiesp-Sesc-Sesi (1996), a Loja Forma (1987) e as inúmeras residências, entre elas,a residência do arquiteto (1962-64).

No que tange ao panorama internacional, o arquiteto teve o reconhecimento da critica ao receber o prêmio Pritzker, em 2006, e tem feito várias obras fora do Brasil. Destaco apenas a última delas, o Museu dos Coches (2008), ainda por inaugurar, em Lisboa.

O prêmio APCA de arquitetura "Homenagem pelo conjunto da obra" que ora se confere a Paulo Mendes da Rocha é, volto a insistir, um tributo à trajetória de um arquiteto que busca a integridade entre ideia e desenho distinguindo que

"Arquitetura é fazer e produzir as coisas com que o homem dota seu inadiável existir, com o atributo de adorno. Linguagem que, como objetivo, pensa elogiar o próprio trabalho feito, ao projetar a forma de fazê-lo como um gozo da riqueza conquistada, atribuindo-lhe valor especialmente humano, com uma forma. Não como monumento a alguma circunstância, mas com a monumentalidade indispensável ao exercício da própria vida, na sociedade." (Paulo Mendes da Rocha, "Idéia e desenho", 1981).

sobre a autora

Maria Isabel Villac é Arquiteta e Urbanista pela Universidade Mackenzie e Doutora em Teoria e Historia da Arquitetura pela Universitat Politecnica de Catalunya, com tese sobre a obra do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. É professora do curso de graduação e do curso de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Como pesquisadora atua principalmente nos seguintes temas: arquitetura e cidade, arquitetura, arte e cultura, arquitetura e cidadania, ensino de arquitetura.

 

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