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drops ISSN 2175-6716

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Leia o artigo do historiador e crítico inglês William J. R. Curtis publicado originalmente no "Guardian" quando da morte de Oscar Niemeyer

how to quote

CURTIS, William J.R.. R.I.P. Oscar Niemeyer. Drops, São Paulo, ano 13, n. 063.01, Vitruvius, dez. 2012 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/13.063/4611/pt_BR>.



Dizer que Oscar Niemeyer era uma lenda viva seria uma afirmação incompleta. Sua vida se estendeu por mais de um século da história do mundo e sua carreira o levou para dentro e fora do "terceiro mundo" e às mais avançadas nações industriais. Niemeyer deixou um legado de cerca de 600 projetos em lugares tão distantes como Rio de Janeiro e Argélia, Pampulha e Paris, e uma série deles podem ser considerados obras primas, em particular, creio eu, o Cassino da Pampulha (1943) e a Casa das Canoas (1952) que combinou o rigor da estrutura moderna com a fluidez do espaço e da forma, e sensibilidade com a natureza. Niemeyer pertenceu ao que é às vezes chamado de "segunda geração" de arquitetos modernos, no sentido que ele herdou e transformou as descobertas dos pioneiros como Le Corbusier e Mies Van der Rohe para lidar com as realidades da rápida modernização em seu país, o Brasil. Ele trabalhou ao lado de Lucio Costa e Le Corbusier no projeto para o Ministério da Educação no Rio de Janeiro em 1936, um dos primeiros arranha-céus a ser equipado com brises soleils, e um edifício que parece tão atual hoje quanto o foi no dia de sua construção. Subsequentemente ele desenvolveu uma arquitetura que trabalhou em todas as escalas, desde aquela da casa individual àquela do conjunto monumental: suas contribuições para a nova capital, Brasília, projetada nas décadas de 50 e 60 (plano básico de Lucio Costa) como o Palácio da Alvorada, o Presidencial, mostram que ele podia lidar com questões de monumentalidade e representação estatal com grande elegância.

Enquanto moderna e progressista em tom, a arquitetura de Niemeyer absorveu lições do passado e da natureza. Suas formas biomórficas eram inspiradas em parte por Picasso e Arp, mas também pela herança do Barroco no Brasil. Ele desenvolveu um estilo que tornou abstratas as formas dos rios sinuosos e os contornos da paisagem tropical, e aqueles da figura feminina. Sua arquitetura combinou curvas sensuais, materiais ricos, e movimento através de camadas do espaço. Seus edifícios se assemelham com filtros por meio dos quais o ar pode passar enquanto o calor e o brilho são excluídos por telas. Na "utopia" de Niemeyer o homem deveria supostamente alcançar harmonia com a natureza através da liberação do espaço e do uso da nova tecnologia – uma posição que expressava quase inconscientemente os mitos nacionais brasileiros de progresso e identidade. Um comunista que construiu casas para ricos, uma catedral, habitação social e edifícios para diversos estados burocráticos, Niemeyer não era nada além de ideologicamente consistente. Os mundos para os quais ele construiu faleceram mas seus edifícios permaneceram em toda a sua intrigante riqueza. Em direção ao fim ele foi algumas vezes culpado por um formalismo vazio e auto-caricato. Mas sua vasta obra inclui numerosos exemplos de sua fecunda imaginação espacial e habilidade para resolver problemas em todas as escalas. É como um livro aberto de lições e princípios arquitetônicos. Mais do que uma coleção de edifícios, Niemeyer deixa um criativo universo que é suscetível a influenciar os outros por mais um longo tempo que está por vir.

[Tradução Marina Rodrigues Amado]

notas

NE1
Publicação original: Guardian, London, 06 dec. 2012.

NE2
R.I.P. é uma abreviação para “requiescat in pace” (Latin), tradução para o português como "descance em paz".

NE3
O contato com o autor foi intermediado por Carlos Eduardo Comas, a quem os editores agradecem.

about the author

William J.R. Curtis, historiador, crítico, autor de Modern Architecture Since 1900.

 

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