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drops ISSN 2175-6716

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Valentina Moimas, responsável pelas novas aquisições para as coleções do Musée National d'Art Moderne, comenta os originais de projetos de João Walter Toscano, incorporados no acervo do Beaubourg em Paris

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MOIMAS, Valentina. João Walter Toscano (1933–2011). Arquiteto e urbanista. Drops, São Paulo, ano 11, n. 045.04, Vitruvius, jun. 2011 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/11.045/3926>.



O arquiteto brasileiro João Walter Toscano estudou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde se graduou em 1956. As bolsas de estudo do governo francês, em 1963-1964, e da Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal, em 1971, dão a ele a oportunidade de viajar pela Europa. Desde 1962, atua em várias ocasiões como professor da Universidade de São Paulo e, a partir de 1985, já doutor, ele é nomeado professor no departamento de história da arquitetura e da estética do projeto da FAU. Ele dá palestras e aulas na Universidade do Porto e Coimbra, em Portugal, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Florianópolis e Brasília no Brasil.

Ele abre seu escritório e começa a sua atividade profissional logo após a sua formatura.

Em 1959, a equipe formada pelos arquitetos João Walter Toscano, Abrahão Sanovicz, Júlio Roberto Katinsky e Odiléa Setti, vencem o concurso aberto pelo Instituto de Arquitetura do Brasil para o Iate Clube de Londrina. Apesar de possuir uma identidade visual forte, o edifício se adapta à inclinação natural do terreno e se integra à paisagem urbana. As margens do lago e a avenida determinam os acessos e as atividades.

O bloco principal reúne os equipamentos necessários para a pratica dos esportes tanto no interior como ao ar livre (tênis, basquetebol, voleibol, piscina olímpica, um centro equestre). O conceito utilizado para a cobertura é de uma membrana de concreto côncava, estruturada por cabos puxados entre as duas vigas situadas nas extremidades. A vela é fixada ao solo no norte por dois tirantes enquanto no sul os dois tirantes permitem a construção de um terraço em balanço acima do lago. Este projeto não pôde ser construído.

No mesmo ano ele começou uma reflexão sobre os edifícios escolares e realiza em dez anos três conjuntos importantes: a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Itu (1959), a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis (1959-1961) e o Campus Universitário de Araraquara (1968). Paralelamente, Toscano desenvolve um trabalho à escala urbana, como responsável dos planos diretores da cidade de Itu (1966) e Santa Bárbara do Rio Pardo (1971).

Em 1974 ele constrói o balneário de Águas de Prata em colaboração com Massayoshi Kamimura e a paisagista Odiléa Setti, que o acompanha há vários anos. O centro congrega instalações termais, atividades esportivas, espaços expositivos e comerciais, além de um auditório. Seguindo as curvas da paisagem, Toscano constrói um bloco compacto em arco sobre pilotis que liberam o térreo. Ele organiza em torno da "rua" assim criada as atividades culturais e comerciais. O andar superior está reservado para os banhos abertos à paisagem através de métodos que ele tinha já usado na sua casa em São Paulo em 1967, como os brise-soleil em alumínio perfurado. Encontramos neste projeto a influência da tradição moderna do Rio de Janeiro, através de uma citação clara do residencial Pedregulho desenvolvido a partir de 1947 por Affonso Eduardo Reidy, mas também a austeridade do concreto armado bruto e a fluidez das circulações e entre os espaços a vocação lúdica, social ou administrativa próprias à corrente moderna de São Paulo.

Sua carreira deu uma guinada decisiva na realização em São Paulo, no ano de 1985, da Estação Largo 13 de Maio da CPTM, uma das mais importantes da linha Marginal Pinheiros, sobre a extensão de um importante eixo, a avenida Padre José Maria. Em um sítio atravessado por trilhos de trem, cercada de um lado pela Avenida. Nações Unidas e de outra pelo rio Pinheiros, Toscano propõe um prédio sobre os trilhos. A ponte que cruza a via expressa proporciona o acesso, ligando a estação à cidade. Nesta ocasião, João Walter Toscano – em colaboração com Odiléa Setti e Massayoshi Kamimura – conduz as primeiras pesquisas no Brasil sobre o uso do aço na arquitetura. Ele faz um uso expressivo que faz referência voluntária à arquitetura de estações tradicionais, num espírito de continuidade com o passado, ao mesmo tempo em que busca no aço as suas qualidades tanto estruturais como formais ligadas a sua utilização em forma de placas. O mezanino – que acolhe as bilheterias, os pequenos comércios e as circulações, e que dá acesso às escadas que descem para as plataformas no piso térreo – está suspenso por um sistema de 12 pórticos de aço, espaçados a cada 20 metros.

O projeto da Estação Largo 13 de Maio é premiado na Bienal Internacional de São Paulo em 1983, no World Architectural Biennal, Inteerarch’87 de Sofia e na segunda Bienal Internacional de São Paulo em 1993.

A construção da Estação Largo 13 de Maio impulsiona a obra de Toscano para uma outra área de intervenção, o estudo da infraestrutura de transportes, que se desenvolve em paralelo com a sua atividade em planejamento urbano e sua reflexão sobre a arquitetura escolar e de lazer. Seguirão em 1986 a estação de trem Jurubatuba, as estações de Metrô Pêssego, em 1990, e Vila Madalena, em 1992, e o Terminal de ônibus Princesa Isabel, em 1996, todos localizados em São Paulo.

O arquiteto e urbanista João Walter Toscano, um dos mais importantes nomes da arquitetura brasileira, falece no dia 05 de junho de 2011, domingo, na cidade de São Paulo.

nota

NE
Este artigo é baseado em texto interno do Centre Pompidou, que visa documentar a inclusão de originais do arquiteto no acervo da instituição. Os projetos comentados são os contemplados pelos documentos depositados no Beaubourg, em Paris.

créditos das imagens

Coleção arquitetura do Musée national d’art moderne/Centre de création industrielle
Centre Pompidou, MNAM-CCI / Georges Meguerditchian / Dist. RMN-GP
© João Walter Toscano

sobre a autora

Valentina Moimas é arquiteta, mestre em história da arquitetura moderna e contemporânea. Atualmente ensina projeto urbano na Ecole Nationale Supérieure d’Architecture de Paris La Villete e é responsável, na Espanha, Portugal, América Latina e Central, da prospecção de novas coleções arquitetura do Musée National d’Art Moderne – Centre Création Industrielle do Centro Pompidou.]

tradução para o português

Paulo Roberto Gaia Dizioli

 

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