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drops ISSN 2175-6716

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Questões do 15º Taller Internacional de Cartagena de Índias: contextualismo e espaço público. Os termos são amplos e contemporâneos, mas dentro do próprio consenso da importância existiram distintas formas de interpretação, nas propostas e debates

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FIGUEROA, Mário. Olhar estrangeiro. 15º Taller Internacional de Cartagena de Índias: contextualismo e espaço. Drops, São Paulo, ano 03, n. 005.04, Vitruvius, ago. 2002 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/03.005/1596>.


Sobre duas questões predominaram as atenções projetuais e críticas do 15º Taller Internacional de Cartagena de Índias: contextualismo e espaço público. Os termos são amplos e contemporâneos, mas dentro do próprio consenso da importância dos mesmos existiram distintas formas de interpretação, tanto nas propostas como nos debates.

Em relação a uma versão estática e conservadora da arquitetura contextual que a leva quase ao mimetismo historicista foi alentador notar, entre professores e estudantes, distintas posturas de demonstração contrária.

É necessário entender que após a retomada contextualista das últimas décadas, o pensamento arquitetônico atreve-se novamente a assumir o enfrentamento da inserção de novos edifícios em contextos urbanos consolidados. Porém, esse enfrentamento não se trata mais de uma abordagem positivista através da imposição de uma nova ordem racional ou de uma cidade ideal como desejava o abstrato ideário moderno. Surge muitas vezes da simples originalidade programática.

Novas intervenções de caráter urbano que se fazem necessárias ciclicamente devem sempre levar em consideração a sua condição complementar do espaço já constituído. O processo contemporâneo de projetos inseridos em contextos urbanos já há tempos não é mais a construção do objeto em relação a um conjunto, mas sim a complementação do espaço desse mesmo conjunto. Toda nova proposta arquitetônica deveria passar pela revisão do espaço construído e do espaço livre da cidade herdada.

Tratamos talvez de uma nova ordem que poderíamos chamar de edifícios de responsabilidade urbana. A responsabilidade urbana implica obrigatoriamente no entendimento da imposição moral de reparar, de recompor danos e perdas causados às nossas cidades e da impossibilidade da omissão perante o futuro. Oferecer através de sua existência a possibilidade da desejada cidade igualitária.

A essência do Taller Internacional de Cartagena aposta na descoberta  de um contextualismo fundamentado no deslocamento do arquiteto, retirando estudantes e professores convidados de seus contextos e levando-os a olhar de uma maneira nova a realidade. Nossa extrema diversidade cultural fragmenta caleidoscopicamente o olhar, torna este certamente mais amplo e referencial, capaz de estimular o trabalho de invenção.

Luis Fernández-Galiano já tinha afirmado:“Resumir América es um empeño quijotesco o quimérico...bajo la equívoca comunidad del idioma, la religión o la cultura, existen diez, cien, acaso mil Américas”.

Nesse sentido é difícil imaginar condições urbanas mais contundentes e múltiplas do que as oferecidas e vivenciadas por todos – estudantes e professores – em Cartagena de Índias. O olhar estrangeiro confrontou novos lugares, novas culturas.

A atual condição urbana do espaço público mais do que nunca foi o tema central das reflexões. O protagonismo do urbano acendeu nas discussões a necessidade de hierarquizar os espaços urbanos, de rever os seus limites, e sendo Arquitetura uma forma de conhecimento cujos limites são colocados constantemente em discussão, o limite hoje é absolutamente introspectivo.

Na impossibilidade da transformação das cidades, estimulados pelas próprias discussões nas suas escolas de origem, os estudantes ofereceram espaços tradicionalmente íntimos da cidade para o convívio cotidiano da comunidade.

Para configurar esses espaços optou-se entre duas possibilidades de processo projetual. De um lado as formas determinaram partidos. Essa abordagem formalista criou às vezes armadilhas indissolúveis gerando propostas com pouca reflexão crítica sobre os espaços construídos. Seria portanto, uma vertente estimulada por um raciocínio compositivo abstrato do espaço.

De outro lado, notou-se repetidas vezes a aplicação de um raciocínio construtivo poético, estimulado nitidamente pela condição mágica de Cartagena, mas fragilizado com freqüência pela subjetividade de certas interpretações.

Existe na maioria das propostas aqui apresentadas, ainda que de maneira tímida e insipiente, um comprometimento com a contemporaneidade, mesmo que de maneira figurativa e inocente. Ainda que as referências sejam claramente identificadas e vinculadas com um colonialismo cultural.

O extraordinário sucesso deste evento não está na possibilidade do acerto do produto final, mas no fortalecimento das estratégias projetuais. O processo, cotidiano e intenso, é um dos grandes méritos. O outro, é estimular e propiciar a descoberta do valor das diferenças. O Taller Internacional de Cartagena propicia o encontro respeitoso de desiguais, estimulando experimentações intelectuais contemporâneas inimagináveis em outra situação.

notas

[publicação: maio 2002]

Mario Figueroa, São Paulo SP Brasil

Cartagena

Ateliê de Cartagena em 2001

 

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