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architexts ISSN 1809-6298

abstracts

português
Registro histórico do Parque Zoobotânico Arruda Câmara que visa relacionar sua origem com a preservação da Fonte do Tambiá, a qual integrava o antigo e precário sistema de abastecimento d’água potável existente em João Pessoa entre os séculos XVIII-XIX.

english
Historical record of Parque Zoobotânico Arruda Câmara which aims to relate their origin to the preservation of Tambiá Fountain, which was part of the old and poor supply d'existing drinking water system in João Pessoa between the XVIII-XIX centuries.

español
Registro histórico del Parque Zoobotânico Arruda Câmara que tiene como objetivo relacionar su origen a la preservación de la Fuente de Tambia, que fue parte del viejo y precário sistema de suministro de agua potable existente en João Pessoa entre los sigl


how to quote

SILVEIRA, Carlos Fernando Albuquerque da. De bica a Parque Zoobotânico Arruda Câmara. Origens e evolução do primeiro parque urbano de João Pessoa PB. Arquitextos, São Paulo, ano 16, n. 185.07, Vitruvius, out. 2015 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/16.185/5793>.

Palmeiras imperiais existentes no Parque Zoobotânico Arruda Câmara
Foto Carlos Silveira


Introdução

Situado no Bairro do Róger e contando com uma área de 26,80ha, o Parque Zoobotânico Arruda Câmara, popularmente conhecido como ‘Bica’ é um frequentado parque urbano municipal de João Pessoa, capital paraibana. Conta com variadas opções de lazer (dentre atividades passivas e ativas) e atende tanto pela função de zoológico (abrigando diversas espécies animais: aves, répteis e mamíferos de pequeno e grande porte) quanto pela função ecológica. O parque é, sobretudo, uma relevante área verde pública enclausurada em um dos tecidos urbanos mais antigos da cidade e parte dos seus exemplares vegetais são remanescentes da exuberante Mata Atlântica que ali existia em tempos remotos.

Durante levantamento bibliográfico e documental observou-se que o parque foi criado em 1921, mas somente inaugurado em 1922, durante a administração do prefeito Walfredo Guedes Pereira (1920-1924). Originalmente detinha o nome de Parque Arruda Câmara (1), no entanto, em 1999 passou a agregar em seu nome o título ‘zoobotânico’ quando foi registrado junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) como Parque Zoobotânico Arruda Câmara (2).

Todavia, a pesquisa indicou escassez de fontes científicas sobre esse relevante parque urbano, de modo que, neste artigo, tomou-se por objetivo principal reunir o máximo de informações, realizando, assim, um registro sistemático sobre suas origens e consolidação no espaço urbano de João Pessoa. Em contraponto, ressalta-se que por meio da consulta às fontes de referência, percebeu-se que muito já se há escrito a respeito de seu congênere, o Parque Sólon de Lucena (1924/1939) (3), ou seja, apesar de serem parques contemporâneos (remanescentes do início do século 20) há uma discrepância no quantitativo de pesquisas sobre ambos, no que pesa a maior quantidade de publicações sobre o Parque Sólon de Lucena e a quase inexistência de pesquisas a respeito do primeiro parque urbano da capital paraibana: o Parque Arruda Câmara (1922-1999) (4).

Localização do Parque Zoobotânico Arruda Câmara [Mapa editado a partir de imagem do Google Earth]

Sobre as origens do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, enfatiza-se o estudo específico do processo de edificação e preservação da Fonte do Tambiá (parte integrante do antigo sistema de abastecimento de água potável da Capitania da Paraíba entre os séculos 18 e 19) e sua correlação com o sítio geográfico em que hoje se localiza, no qual surgiria posteriormente o parque.  Utilizando a história desse antigo sistema de abastecimento como ‘fio condutor’ foi possível estruturar/compreender a relevância dessa fonte para a formação/consolidação do parque em estudo, o que se constituí na hipótese deste artigo.

Com relação aos procedimentos metodológicos adotados, destacam-se as pesquisas documentais e bibliográficas. Porém, torna-se preciso esclarecer que existem limitações intrínsecas a este trabalho, pois consiste em ‘dar sentido’ a mais de dois séculos de história a partir do pouco material bibliográfico disponível sobre o tema. Como já dito, pouco se escreveu a respeito desse parque. Ainda assim, durante pesquisa de campo junto à administração do próprio parque, procedeu-se com o levantamento documental em que foram ‘recuperados’ os seguintes documentos: a) uma Tradução da Escritura (5) descrevendo a compra de parte da propriedade denominada ‘Paul’, em 1921, para ampliação da área do parque em formação; b) um texto transcrito do jornal A União de 1922 contando sobre a inauguração do espaço como ‘Parque Arruda Câmara’; e c) um recorte do jornal A União de 1994, contendo matéria que, dentre outras coisas, trata da “adequação do parque para as exigências de uma cidade que cresce e que passa a ter no turismo uma importante fonte de divisas” (6). Já com o levantamento bibliográfico adotou-se a leitura de alguns autores de referência que tratam da história urbana de João Pessoa no período em questão, dentre os quais destacamos: Aguiar (1992), Rodriguez (1994) e Moura Filha (2010). Além disto, foram realizadas pesquisas em atas e periódicos no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP) e leituras da legislação urbanística e documentos eletrônicos pertinentes ao tema.

Assim sendo, após expostas as bases metodológicas e pragmáticas desta pesquisa, passemos à realização do objetivo pretendido.

De Bica a Parque: as “origens” do Parque Zoobotânico Arruda Câmara

O levantamento realizado sinaliza estreita correlação entre as origens do Parque Arruda Câmara e a imprescindível consolidação (7) do antigo sistema de abastecimento de água potável da cidade, sistema esse baseado em bicas e cacimbas. Neste contexto temporal, se observa a necessidade de edificação da Fonte do Tambiá, principal elemento arquitetônico do atual Parque Zoobotânico Arruda Câmara. Necessidade essa que se fazia premente desde inícios do século 18, mas se arrastou por quase todo um século, devido, em partes, às crises econômicas e de autonomia política sofridas pela Capitania da Paraíba naquele período (como será descrito/referenciado mais adiante).

Antes de tudo, cabe destacar que além da Fonte do Tambiá existiam outras três grandes fontes ou bicas no passado da cidade de João Pessoa: a dos Milagres, a de Santo Antônio e a de Gravatá (8). Essas quatro grandes fontes, em conjunto com as muitas cacimbas existentes, constituíam-se no único sistema público de abastecimento de água potável da cidade à época. Contudo, segundo Rodriguez (9) “[...] as cacimbas que tinham donos estes vendiam a água para os que necessitassem.” Daí, pode-se deduzir que restava para as quatro grandes bicas ou fontes citadas (Tambiá, Santo Antônio, Milagres e Gravatá) atender a uma demanda por ‘água de beber’ para maior parcela da população então existente (10).

Ainda conforme Rodriguez (11),

“Pelas crônicas dos primeiros dias da cidade, deduz-se que o abastecimento d’água da então resumida população, provinha de uma fonte que servia aos primitivos moradores. Pertencia ao sítio do Padre João Vaz Salém, primeiro vigário da Freguesia de Nossa Senhora das Neves, sob cuja invocação foi fundada a cidade, tendo sido doado “pela Câmara, Capitão-Mor, Provedor, Almoxarife da Fazenda e o Povo” aos padres de S. Bento, em 19 de setembro de 1599” (12).

No começo do século 19 essa primeira vertente explorada, pertencente “[...] ao lençol d’água, por infiltração, do alto das colinas, onde fôra edificada a cidade [...]”, ficou conhecida por “Bica dos Milagres”. Essa bica, cuja existência em cartografia pode ser verificada desde 1692 na planta que se mandou levantar pela direção do Mosteiro de São Bento para demarcar o patrimônio da Instituição, só veio a ser edificada entre 1848 e 1849, recebendo aspecto “à semelhança das fontes portuguesas”, com torneiras de bronze, colunas de pedra, “cujos capitéis, ligados entre si ao alto, eram rematados por uma cornija em semicírculo” (13).

Ao leste da Fonte dos Milagres, na base da mesma colina, achava-se a Fonte de Santo Antônio, edificada em 1717 e “privativa dos religiosos de São Francisco”, não era utilizada pela população, exceto em anos de calamidade, quando “foram instalados hospitais de emergência, no convento” (14).

A Fonte do Gravatá, “construída mediante contribuição do povo” entre 1781 e 1785, não sobreviveu às melhorias de saneamento urbano posteriores, tendo sido aterrada com anuência da Diretoria de Obras Públicas do Estado (15). Ainda segundo Rodriguez:

“O seu formato era de um quadrado murado de pedra com cornijas, ficando a superfície das águas abaixo do nível da rua e tendo torneiras de bronze com lavores nas três faces das paredes de leste, norte e sul. No paredão do lado oeste, servindo de frontão mais elevado, ostentava as armas imperiais em pedra de cantaria. Nessa parede, estavam colocados os canos de esgoto das águas servidas” (16).

No entanto, torna-se preciso destacar a quão precária era a situação da população àquela época, na qual os habitantes da província banhavam-se e abasteciam-se nas mesmas fontes e cacimbas, sendo que a maior parcela das fontes não se achava edificada no início do século 18 e desde 1731, “[...] documentos circulavam pedindo providências para evitar o arruinamento ‘das fontes, ruas públicas, da cadeia e caza de assogue, e do porto ou caes do Varadouro’” (17).

Segundo Moura Filha (18), ocorreu que nessa centúria a Capitania da Paraíba enfrentou uma crise econômica e de autonomia política, marcada, dentre outros fatores, pela impossibilidade de embarcação do açúcar produzido, como também pelo impedimento da Câmara arrecadar os “recursos do açougue”. Quanto à crise de autonomia política, a autora explica que em meados do século 18, a capitania foi subjugada às decisões políticas dos governadores do Pernambuco (1756-1799), fato que veio dificultar, ainda mais, a edificação, reconstrução e reparos das obras necessárias para o avanço da cidade, dentre as quais se encontrava a edificação da Fonte do Tambiá.

Segundo Guedes:

“Essas fontes configuraram até os primeiros anos da década de 1910, a única e principal forma de abastecimento da capital. Com a difusão dos princípios higienistas, os administradores públicos passaram a mostrar certa preocupação com o sistema de abastecimento d’água. A fonte do Tambiá, a mais importante da cidade, era alvo de cuidados especiais e contava com verbas públicas para sua manutenção” (19).

Diante desse contexto, aventamos a hipótese de que a construção da ‘Bica’ ou ‘Fonte do Tambiá’, como equipamento necessário para auxiliar no provimento de água potável para população da cidade, entre os séculos 18 e 19, foi o fato que possibilitou a preservação dos terrenos daquele sítio geográfico e que determinou, posteriormente, que parte dos sítios e chácaras existentes nos arredores da fonte desse lugar ao parque que hoje conhecemos. Diante desse pressuposto, faz-se mister conhecer melhor a história dessa fonte, que hoje se encontra “encravada no coração do Parque Arruda Câmara” (20).

Entre lendas e fatos: de onde veio o nome da fonte?

Provavelmente, a primeira informação sobre essa fonte paraibana que se tem notícia seja uma antiga lenda passada por gerações: a lenda do amor proibido entre a índia potiguar Aipré e o guerreiro cariri Tambiá. Sobre lendas, não é possível precisar quando surgiram, porém Aguiar conta-nos da seguinte forma:

“a virgem potiguara Aipré, filha de morubixaba, apaixonou-se por um guerreiro inimigo chamado Tambiá, corajoso índio cariri, lá das bandas da Serra da Borborema. Tambiá havia sido aprisionado pelo pai de Aipré, que o dera à filha para que esta lhe servisse de esposa, antes da morte inapelável que o aguardava. Eram assim as leis da guerra entre os aborígenes... Mas acontece que o valente Tambiá estava ferido, e nem a medicina do pajé potiguara conseguia salvá-lo. A linda Aipré, de coração incendiado pelo amor, nada pôde fazer, e Tambiá acabou morrendo em seus braços. Ela então permaneceu junto à sepultura do amado durante cinqüenta luas, chorando copiosamente em todos esses dias. Suas lágrimas deram origem a uma fonte, que tomou o nome de Tambiá” (21).

Segundo Rodriguez (22) “Muitas vezes as lendas são mortas pela História, embora a sensibilidade popular guarde, pelo tempo afora, aquela fragrância esquisita, como fica impregnado de perfume um velho lenço que se usou...”. É o que se observa neste caso, pois, além de dar nome à fonte, Tambiá também denomina um dos mais tradicionais e antigos bairros da cidade: o Bairro Tambiá. Além disto, também concedeu nome, por muitos anos, à Rua do Tambiá, logradouro determinado pelo “percurso realizado pela população de suas casas até a fonte do Tambiá, no intuito [de] abastecê-las d’água” (23). Atualmente, foi dividida em dois trechos viários: Rua Deputado Odon Bezerra e Rua Monsenhor Walfredo Leal. Quanto ao Bairro Tambiá, esse, no início do século 20, quando a cidade “contava com poucos bairros” e o “número de habitações era reduzido”, chegou a ser o mais populoso (24), “[...] quando teve início a construção de ricas e elegantes residências no lugar dos antigos sítios e chácaras” (25). “O certo é que a água da fonte que deu nome à rua e ao bairro, já existia antes da construção da cidade.” (26).

Entre parcos recursos e a necessidade de abastecimento d’água: percalços no percurso histórico da Fonte do Tambiá

Desde a primeira metade do século 18 a Câmara da Capitania da Paraíba passava por dificuldades de arrecadação, devido, entre outros fatores, ao não repasse, por parte da Fazenda Real, dos rendimentos do “contrato das carnes” e também por conta da crise na produção do açúcar, esta em contexto geral na colônia (27). Essas duas limitações principais impediam que sobrassem recursos para as obras públicas, “[...] mesmo aquelas mais essenciais como a Fonte do Tambiá, necessária para suprir o abastecimento de água à população” (28).

Não bastasse esse momento de crise econômica tanto da colônia, quanto da Capitania da Paraíba, em 1756, “D. José decidiu extinguir o governo da Paraíba” e “[...] justificando tal medida como uma forma de conter gastos para a Fazenda Real e como parte do seu projeto de centralizar em capitanias-gerais a administração de outras de menor porte”, ficou a Paraíba submetida à “tutela” da Capitania de Pernambuco (29).

Não obstante, a Bica de Tambiá, como também era chamada, continuou prestando por muitos anos serviço de fornecimento de água potável à população. No entanto, diante do quadro de parcos recursos públicos e ainda estando a Capitania da Paraíba sob a autoridade dos governadores de Pernambuco, ocorreu que em 02 de março 1782 a Provedoria da Fazenda autorizou que fosse edificada a Fonte de Tambiá “[...] à custa de donativos e contribuições do povo” (30).

Essa fonte primitiva (a de 1782) foi erigida de forma precária, em madeira, porém sua água cristalina “matou a sede de silvícolas e portugueses, generosamente” (31). Todavia, “paralelamente às necessidades da população em crescimento, foram descobertas mais vertentes e outras cacimbas foram cavadas e postas à servidão pública” (32), dentre as quais se destacavam a Bica de Mandacarú, a Cacimba do Dr. Moreira e a Cacimba da Jaqueira, além destas:

“eram também conhecidas as cacimbas que vendiam água e banhos: a do Dr. Cícero Brasiliense de Moura, na Rua da Tesoura; a de José Holmes, na Rua da Gameleira; a do Dr. Belino Souto, na Rua da Palmeira; a de Maroca Estrêla, situada no quintal de sua residência, na Rua das Trincheiras, cujo portão saía no Passeio Geral; a de Joca Marinheira, na Rua 13 de Maio e a de Manuel Lopes de Melo, na antiga Rua da Lagoa de Detrás, atual Diogo Velho” (33).

Segundo Azevedo (18) a Fonte do Tambiá somente recebeu melhorias em 1889, na administração de Francisco Luís da Gama e Roza Junior (34), sendo então substituída por uma fonte em pedra-sabão. Posteriormente, no governo de Sólon de Lucena (1920-1924), “o prefeito Walfredo Guedes Pereira restaurou-a e melhorou-a por inteiro” (35).

Representação gráfica da Fonte do Tambiá [Acervo do autor]

Transformações urbanas: o advento de um novo sistema de abastecimento, o desuso da Fonte do Tambiá e o surgimento do primeiro parque urbano em João Pessoa

“Em 2 de abril de 1831, a Fazenda Pública da Província, aumenta o seu patrimônio adquirindo, ao Vigário José Gonçalves de Medeiros, por 540$000, 90 braças do terreno onde a ‘dita fonte ficava no meio das braças e fundos de extensão de igual 90 braças’” (36), talvez com vistas a proteger o patrimônio significativo que a Fonte do Tambiá já representava naquele século. Conforme exposto, a “água para o consumo da população da cidade vinha, até a primeira década do século 20, de fontes, bicas e cacimbas, públicas e particulares” (37), não havendo, então, outro sistema de abastecimento.

Quase oito décadas após a aquisição das “90 braças de terreno do Vigário” pode-se observar que esse sistema de abastecimento, precário, já não atendia mais a crescente demanda da população citadina, visto que veio a ser substituído por um mais moderno durante o governo de João Lopes Machado (1908-1912). Sobre essa questão, Rodriguez nos conta que:

“Assumindo o governo, o Dr. João Machado, médico com tirocínio na capital da [então] República, de início, viu que a cidade não poderia continuar exposta às conseqüências da falta dum abastecimento dágua potável, desde muito reclamado por sua população.

[...]

[E] Se o governo tomou a deliberação e o encargo de tal melhoramento de que tanto necessitava a população citadina foi mais uma questão de nativismo, porque diziam os derrotistas: o Estado não se encontrava naquele tempo financeiramente forte para obra de tal envergadura” (38).

Apesar das citadas condições financeiras desfavoráveis, as primeiras obras preparativas, para o novo e mais moderno sistema de abastecimento, tiveram início em 17 de junho de 1909 e em janeiro de 1910 foram realizados serviços de limpeza na Bacia do Buraquinho, além da abertura de valas no Jaguaribe e nos Macacos. Em 08 de abril de 1911, chegou por meio da barca “Randy”, o primeiro carregamento de canos para a rede de abastecimento (39).

Após 34 meses de intensas lutas, em 21 de abril de 1912 foi inaugurado o tão esperado ‘sistema de abastecimento d’água encanada’, sendo bombeadas as águas do Buraquinho até o reservatório (com capacidade para 116m³), situado na atual Avenida João Machado. Na construção desse novo sistema de abastecimento, ‘mais moderno’, no qual os ‘princípios sanistaristas’ podem ser notados e cuja água encanada não mais necessitava ser levada nos lombos dos burros, nem nos braços dos escravos, para as residências, é possível deduzir que a Fonte do Tambiá, assim como as demais, se transformou em um equipamento ultrapassado e, ao longo dos anos que se seguiram, tornou-se cada vez mais obsoleta.

No entanto, a antiga Fonte do Tambiá, que tanto favor prestou à população, não foi esquecida. Em 30 de novembro de 1921, na cidade da Parayba do Norte (40), capital do estado, representada pelo prefeito Walfredo Guedes Pereira, realizou-se a compra de um terreno situado na Propriedade Paul com vistas à ampliação e urbanização daquelas primeiras ‘90 braças adquiridas do Vigário José Golçalves em 1831’, de modo a realizar a construção de um parque para cidade: o Parque Arruda Câmara. A referida compra de terreno, firmada por meio de escritura pública, foi escrita e dada fé pelo tabelião intº Severino de Carvalho. Sobre tal escritura é preciso frisar que foi encontrada na sede do Parque Zoobotânico Arruda Câmara cópia transcrita e traduzida (41), da qual, por representar um registro relevante, transcrevemos na íntegra os seguintes trechos abaixo:

“Saibam quantos este público instrumento de escritura pública virem que do ano do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, de Mil Novecentos e Vinte e Um aos trinta dias do mez de novembro deste ano, nesta cidade da Parayba do Norte, capital do estado do mesmo nome [...] que fica inclinado a comparecerem perante mim tabelião e as testemunhas adiante nomeadas e no fim assignadas a partir juntas e contractadas a saber de um lado com a outorgante vendedora a senhora Dª Balbina Varandas, viúva, proprietária, do outro lado como outorgada compradora a Prefeitura Municipal desta capital, representada pelo prefeito Dr. Walfredo Guedes Pereira” (42).

Após a nomeação das partes interessadas na transferência de posse do terreno, continua:

“E logo pela outorgante vendedora já mencionada me foi dito perante as mesmas testemunhas que sendo senhora e possuidora da propriedade Paul, situada nesta capital contractou com a Prefeitura Municipal vender-lhe pelo preço e quantia de um conto de réis (1:000$,000), que da mesma já recebeu em moeda legal corrente de que dá quitação de um terreno situado na referida propriedade que confina ao norte e ao nascente com terrenos alheios da já referida propriedade, ao sul com a rua dos Bandeirantes e ao poente com terreno pertencente a Bica do Tambiá, hoje Parque Arruda Câmara e o domínio direto do sítio de Dª Darcilla Soares Pinho, pertencente José, digo pertencente hoje, a compradora Prefeitura Municipal desta capital, livre e desembaraçada de todos e quaisquer DNVS legal ou convencional pelo que transfiro toda posse” (43).

Um aspecto interessante logo se percebe nestes trechos da escritura transcrita, consiste no seguinte detalhe: a Srª Balbina transferiu à Prefeitura Municipal da época a posse de um terreno na propriedade Paul, e não a ‘Propriedade Paul’ como um todo, ou seja, há de se notar o quão extensa deveria ser essa dita ‘Propriedade Paul’. Quanto às testemunhas citadas neste instrumento público de compra e venda, trata-se do Sr. Francisco Dias de Araújo e do Sr. Graciliano Golçalves Cavalcanti.

Pouco mais de um ano após a aquisição dessa gleba da Srª Balbina, exatamente às 13 horas de 24 de dezembro de 1922, o Dr. Walfredo Guedes Pereira procedeu com a inauguração do parque, que recebe como homenagem o nome do naturalista, médico e botânico Manuel de Arruda Câmara (44). Segundo matéria publicada no jornal A União, nº 275, na data da inauguração do parque, a construção deste equipamento público representou “uma das realizações de maior vulto do actual administrador do município da capital”, de modo que “O novo logradouro honra Parahyba e o cidadão ilustre que o compreendeu e o realizou” (45).

O Parque Arruda Câmara foi sendo, ao longo do tempo, transformado em um zoológico, de modo que a ele foram sendo agregadas “uma fauna nativa e de outras regiões do país à flora existente, cuja variedade apresenta um somatório de espécies de plantas medicinais e ornamentais. Ao parque foram acrescentados lagos e recantos de estar e lazer coletivo” (46). No entanto, “Ali, felizmente, ainda se encontra a tradicional fonte, hoje, motivo ornamental do parque, embora já se encontre mutilado o escudo de pedra onde estariam as armas imperiais” (47).

Segundo Aguiar, o Presidente João Pessoa:

“andava por ali, vez que outra. Gostava do contato com a natureza. Buscava a paz que o coronelismo, cheio de privilégios, lhe negava. Procurava a tranqüilidade daquele paraíso verde para meditar sobre os destinos da sua querida Paraíba. Retemperava a alma corajosa para continuar enfrentando a prepotência do governo federal, que se aliara aos senhores feudais de Princesa. Queriam derrubá-lo pela força das armas, mas João Pessoa tinha o povo inteiro ao seu lado. Não cairia, porque a nossa gente lhe dava forças para resistir. O herói da autonomia da Paraíba, que deu a vida pela grandeza da terra natal, marcou com seus passos decididos o chão do Parque Arruda Câmara” (48).

Em matéria especial, publicada no jornal A União, de 20 de fevereiro de 1994, Frutuoso Chaves considera o parque como “segunda maior opção de lazer da população, depois das praias”. Continua o autor, comentando que o Parque Arruda Câmara chegou a abrigar a antiga SEMMA (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), criada em junho de 1993 pelo prefeito Francisco Franca (49). Nesta época funcionava “também, no local, o Centro de Ciências Ambientais, com sua Escola de Jardinagem, um núcleo de produção de mudas e um banco genético com sêmen de animais em extinção” (50).

Ainda segundo Frutuoso Chaves:

“A Bica vem sendo visitada por Organizações Não-Governamentais (ONGs) e já foi palco de dois importantes convênios: o primeiro, com o presidente da Câmara da cidade portuguesa de Ovar, José Guedes da Costa, e, o segundo, com o governo da Espanha, representado pela diretora do Programa de Revitalização do Patrimônio Cultural da Ibero-América, Maria Luiza Cerrillos Morales” (51).

Em 26 de agosto de 1980, o Parque Arruda Câmara foi reconhecido pelo IPHAEP (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba) como bem de interesse histórico estadual (52). Mas, somente em 1999 foi registrado junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) como Parque Zoobotânico Arruda Câmara (53).

Conforme registrado por Santos (54), na data de sua pesquisa, o parque contava com os seguintes recursos e atividades: a Fonte do Tambiá; um Mini-Zoológico, com fauna diversificada; um Horto Municipal, responsável pela “[...] produção de mudas arbustivas, arbóreas, herbáceas e gramíneas” e cujo principal objetivo é “arborizar praças, logradouros e o próprio parque”; o Lago das Cinco Fontes, área de recreação e lazer; o Orquidário Prof. Lauro Pires Xavier, fundado em 1992; uma Oficina de Jardinagem; um Centro de Ciências Ambientais (Escola do Meio Ambiente Walfredo Guedes Pereira); as Reservas da Mata Atlântica; e a maior concentração de palmeiras imperiais por metro quadrado do país.

Ainda segundo Santos (55) o Lago das Cinco Fontes tem “quatro ilhas que abrigam várias espécies de animais, um parque infantil, lanchonetes, passeios de charrete puxada por pôneis, quadriciclos, pedalinhos e a trilha das águas”. Cabe ressaltar que o parque, atualmente, vem passando por diversas melhorias (56) advindas das sucessivas implementações do ‘Plano de Reordenamento Arquitetônico’ aprovado em concurso público de ideias, no ano de 2008. Esse ‘Plano de Reordenamento’ veio a contribuir para uma mudança significativa na ambiência do parque, pois os equipamentos e recintos, com o passar dos anos, encontravam-se deteriorados, alguns, inclusive, subsistindo precariamente.

Edifício administrativo do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, Recinto dos Falconiformes e Lago das Cinco Fontes
Foto Carlos Silveira

Edifício administrativo do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, Recinto dos Falconiformes e Lago das Cinco Fontes
Foto Carlos Silveira

Edifício administrativo do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, Recinto dos Falconiformes e Lago das Cinco Fontes
Foto Carlos Silveira

Uma fonte que nunca perece: novas perspectivas

Segundo registros da PMJP (57) o Parque Zoobotânico Arruca Câmara (Bica) recebe cerca de 10 mil visitantes por mês, sendo comum vê-lo freqüentado pela população em geral, mas também por grupos de estudantes, tanto de escolas de João Pessoa, quanto de municípios vizinhos.

Visitantes no Parque Zoobotânico Arruda Câmara
Foto Carlos Silveira

A função temática de zoológico desponta, atualmente, como principal atrativo, contando com vários recintos e cerca de 510 animais de 80 espécies (58), entre mamíferos, répteis e aves. Contudo, tem sido adequado, recentemente, para também atrair o público ao lazer contemplativo e recreativo, disponível aos visitantes nos diversos recantos e atividades ofertadas. Com relação à função recreativa, que consiste em uma das formas de lazer ativo, pode-se desfrutá-la tanto por meio das caminhadas em trilhas na mata, quanto nos pedalinhos encontrados no Lago das Cinco Fontes, que servem a um público com faixa etária ampla, ou no playground, no caso específico das crianças. Existem também os passeios de charrete, as lanchonetes, os quiosques com lanches tipicamente populares (tais como algodão-doce, batatas fritas e pipocas), o Museu de História Natural João Aparecido Galdino, ‘a Oca’ (uma edificação onde inicialmente se passavam vídeos informativos voltados principalmente para educação ambiental, hoje utilizada para guarda de determinadas espécies de corujas), um orquidário, além de alguns bancos de madeira para descanso (ócio) e conversas demoradas (contato social).

Conforme comentado anteriormente, entre 2007 e 2008 foi realizado, pela PMJP, em parceria com o IAB-PB, um Concurso Público Nacional de Idéias para o Parque Zoobotânico Arruda Câmara, com vistas à escolha de um plano para o reordenamento arquitetônico, urbanístico e paisagístico do equipamento (59). Este concurso teve como proposta vencedora o projeto do arquiteto Marcos Aurélio Pereira Santana, que após etapas de habilitação tornou-se, desde 2009, o responsável pela tutela da referida requalificação. Desde então, vêm ocorrendo fases parciais de entrega e inauguração do projeto, que, na prática, consiste em um verdadeiro plano diretor com 36 projetos independentes que vão sendo implementados conforme necessidade da administração pública. Dentre essas fases, já houve a primeira, em 2010, com sete projetos licitados e a segunda, em 2011, em andamento, que prevê novos espaços para grandes felinos, jacarés, jandaias e papagaios (60). Dentre esses projetos foi inaugurado um recinto simulando uma mini-floresta para diversas aves (denominado ‘Walkthrough’), o qual permite ao visitante um contato mais lúdico/direto com os animais, o que se dá por meio de uma breve caminhada no dito recinto. Na realidade, pode-se perceber que melhorias substanciais vêm sendo paulatinamente realizadas nesse parque urbano, permitindo maior qualidade na ambiência dos espaços ofertados e maior interação entre os visitantes e os atrativos do equipamento.

Playground
Foto Carlos Silveira

Novos recintos para os primatas e pequenos mamíferos
Foto Carlos Silveira

A Oca
Foto Carlos Silveira

O Walkthrough
Foto Carlos Silveira

Considerações finais: o fluir da história de um parque

Este artigo primou por resgatar dados históricos sobre o Parque Zoobotânico Arruda Câmara, demonstrando suas correlações com o seu entorno imediato. Sítio geográfico esse que, entre os séculos 18 e 19, era destinado ao abastecimento d’água potável da população pessoense. Deste modo, a hipótese aqui aventada foi a de que a preservação/manutenção dessa vertente d’água (posteriormente denominada de Fonte do Tambiá), cuja utilização/manutenção perpassou os séculos, concorreu para preservação do próprio sítio geográfico em que se situava, permitindo com que a fonte e o entorno perdurassem até os dias atuais. Foi descrito que a fonte foi edificada (em 1782) após intensas lutas políticas e sociais, ainda que de forma precária, tendo sido reedificada em 1889. Contudo, somente na segunda década do século 20 veio receber melhoramentos, momento em que parte de seu entorno transformou-se em um parque urbano público, o qual foi se estruturando, adquirindo funções e se consolidando ao longo do tempo.

Almeja-se, com esse artigo, que novas pesquisas venham somar e aprofundar a história desse relevante parque urbano brasileiro, um dos mais antigos do país, sanando lacunas para que haja um melhor entendimento sobre suas origens e processo de consolidação no meio urbano de João Pessoa. Todavia, ressalta-se que com mais de nove décadas de existência como parque urbano, a Bica indica ser, por sua ‘trajetória histórica’, mais do que um ‘recanto verde’ ou a ‘morada para diversas espécies animais’, trata-se de um verdadeiro espaço livre público por vocação, sendo um logradouro referencial para população pessoense e, por isso, merecendo ter sua história mais reconhecida e compreendida.

notas

NE – Artigo originalmente apresentado, em agosto de 2013, à disciplina Cidades no Brasil: do século XVI ao urbanismo sanitarista, ministrada pela professora Maria Berthilde de Barros Lima e Moura Filha pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

1
AGUIAR, Wellington Hermes Vasconcelos de. Cidade de João Pessoa: a memória do tempo. João Pessoa: Gráfica e Ed. Persona, 1992.

RODRIGUEZ, Walfredo. Roteiro sentimental de uma cidade. João Pessoa: Conselho Estadual de Cultura/SEC/Editora A União, 1994.

HONORATO, Rossana. Se essa cidade fosse minha... A experiência urbana na perspectiva dos produtores culturais de João Pessoa. João Pessoa: Editora Universitária / UFPB, 1999.

2
SEMAM – Secretaria Municipal de Meio Ambiente/ DIEP/ PMJP. Plano municipal de conservação e recuperação da Mata Atlântica de João Pessoa. Coordenação: Lígia Maria Tavares da Silva; Prefeitura Municipal de João Pessoa/João Pessoa: F&A Gráfica e Editora, 2012.

3
Respectivamente: data de criação institucional e de inauguração física do Parque Sólon de Lucena

4
Período em que o parque foi denominado apenas por ‘Parque Arruda Câmara’.

5
Cópia transcrita a partir do documento original.

6
CHAVES, Frutuoso. Um parque ganha a estrutura de Primeiro Mundo. A União, João Pessoa, p.05, 20 fev. 1994.

7
O termo ‘consolidação’ é aqui utilizado, pois já se fazia uso das águas que vertiam do solo, entretanto faltava à população que se edificasse algumas das fontes, para fornecer melhores condições de uso.

8
AGUIAR, Wellington Hermes Vasconcelos de. Cidade de João Pessoa: a memória do tempo. João Pessoa: Gráfica e Ed. Persona, 1992.

9
Segundo Rodriguez. Apud AGUIAR, 1992, p. 57.

10
Cabe uma relativização na dedução: assim como o sistema público de abastecimento de água potável dos dias atuais precisa da contribuição monetária dos seus favorecidos, à época das bicas e cacimbas, também era cobrado o uso da água.

11
RODRIGUEZ, Walfredo. Roteiro sentimental de uma cidade. João Pessoa: Conselho Estadual de Cultura/SEC/Editora A União, 1994.

12
Grifo do autor.

13
RODRIGUEZ, Walfredo. Roteiro sentimental de uma cidade. João Pessoa: Conselho Estadual de Cultura/SEC/Editora A União, 1994.

14
Idem, ibidem.

15
Idem, ibidem.

16
Idem, ibidem.

17
Segundo documento constante no Arquivo Histórico Ultramarino, Cx.30, Doc.2212 (apud MOURA FILHA, 2010, p. 373-374).

18
MOURA FILHA, Maria Berthilde de Barros Lima e. De Filipéia à Paraíba: uma cidade na estratégia de colonização do Brasil: séculos XVI-XVII. João Pessoa: IPHAN/Superintendência na Paraíba, 2010.

19
GUEDES, K. A. in TINEM (org.). Tambiá, expansão da cidade para leste. Fronteiras, Marcos e Sinais: Leituras das ruas de João Pessoa. 1ed. João Pessoa: 2006, v.1, p. 185-186.

20
AGUIAR, Wellington Hermes Vasconcelos de. Cidade de João Pessoa: a memória do tempo. João Pessoa: Gráfica e Ed. Persona, 1992.

21
Idem, ibidem.

22
RODRIGUEZ, Walfredo. Roteiro sentimental de uma cidade. João Pessoa: Conselho Estadual de Cultura/SEC/Editora A União, 1994.

23
GUEDES, K. A. in TINEM (org.). Tambiá, expansão da cidade para leste. Fronteiras, Marcos e Sinais: Leituras das ruas de João Pessoa. 1ed. João Pessoa: 2006, v.1, p.185-186.

24
Segundo Medeiros, 1942. Apud AGUIAR, 1992, p. 271.

25
GUEDES, K. A. in TINEM (org.). Tambiá, expansão da cidade para leste. Fronteiras, Marcos e Sinais: Leituras das ruas de João Pessoa. 1ed. João Pessoa: 2006, v.1, p. 185-186.

26
AGUIAR, Wellington Hermes Vasconcelos de. Cidade de João Pessoa: a memória do tempo. João Pessoa: Gráfica e Ed. Persona, 1992.

27
MOURA FILHA, Maria Berthilde de Barros Lima e. De Filipéia à Paraíba: uma cidade na estratégia de colonização do Brasil: séculos XVI-XVII. João Pessoa: IPHAN/Superintendência na Paraíba, 2010.

28
MOURA FILHA, Maria Berthilde de Barros Lima e. De Filipéia à Paraíba: uma cidade na estratégia de colonização do Brasil: séculos XVI-XVII. João Pessoa: IPHAN/Superintendência na Paraíba, 2010.

29
MOURA FILHA, Maria Berthilde de Barros Lima e. De Filipéia à Paraíba: uma cidade na estratégia de colonização do Brasil: séculos XVI-XVII. João Pessoa: IPHAN/Superintendência na Paraíba, 2010.

A Paraíba ficou submetida às decisões dos governadores de Pernambuco, entre 1756 e 1799. MOURA FILHA, 2010, p. 381.

30
AGUIAR, Wellington Hermes Vasconcelos de. Cidade de João Pessoa: a memória do tempo. João Pessoa: Gráfica e Ed. Persona, 1992.

RODRIGUEZ, Walfredo. Roteiro sentimental de uma cidade. João Pessoa: Conselho Estadual de Cultura/SEC/Editora A União, 1994

CHAVES, Frutuoso. Um parque ganha a estrutura de Primeiro Mundo. A União, João Pessoa, p.05, 20 fev. 1994.

31
AGUIAR, Wellington Hermes Vasconcelos de. Cidade de João Pessoa: a memória do tempo. João Pessoa: Gráfica e Ed. Persona, 1992.

32
RODRIGUEZ, Walfredo. Roteiro sentimental de uma cidade. João Pessoa: Conselho Estadual de Cultura/SEC/Editora A União, 1994.

33
Idem, ibidem.

34
Francisco Luís da Gama e Roza Junior foi um jornalista e político, tendo presidido a Província da Paraíba de julho a novembro de 1889.

FRANCISCO Luís da Gama Rosa. Página da Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/francisco_lu%c3%ads_da_gama_rosa>

35
AGUIAR, Wellington Hermes Vasconcelos de. Cidade de João Pessoa: a memória do tempo. João Pessoa: Gráfica e Ed. Persona, 1992.

36
RODRIGUEZ, Walfredo. Roteiro sentimental de uma cidade. João Pessoa: Conselho Estadual de Cultura/SEC/Editora A União, 1994.

37
GUEDES, K. A. in TINEM (org.). Tambiá, expansão da cidade para leste. Fronteiras, Marcos e Sinais: Leituras das ruas de João Pessoa. 1ed. João Pessoa: 2006, v.1, p.185-186.

38
RODRIGUEZ, Walfredo. Roteiro sentimental de uma cidade. João Pessoa: Conselho Estadual de Cultura/SEC/Editora A União, 1994.

39
Idem, ibidem.

40
Como era denominada a cidade de João Pessoa no período em questão.

41
Cópias gentilmente cedidas pelo diretor do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, o Sr. Jair Azevedo.

42
Tabelião Intº Severino de Carvalho. Escritura pública de compra e venda entre partes Dona Balbina de Almeida e a Prefeitura Municipal desta capital, em 30 de novembro de 1921 (texto transcrito/traduzido), João Pessoa, Acervo do Parque Zoobotânico Arruda Câmara.

43
Idem, ibidem.

44
Manuel de Arruda Câmara nasceu em 1752, na ‘Vila de Pombal’, Capitania da Paraíba. Formou-se em medicina em Montpellier, na França, porém, destacou-se como ‘naturalista do Vice Reino’. Para o ilustre Arruda Câmara “[...] o estudo da Botânica constituiu preocupação máxima”, tendo sido responsável pela descoberta de “milhares de espécimes desconhecidos”, tendo, inclusive, criado gêneros e espécies novas. (I.H.G.P., 1995, p.41-42; CASTRO, 1947, p.65-80; AGUIAR, 1992, p. 123-124).

ARRUDA Câmara: Patrono. Memorial do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Edição comemorativa dos 90 anos de fundação: 1905/1995. João Pessoa: IHGP, 1995.
CASTRO, Oscar Oliveira. Arruda Câmara. Revista da Academia Paraibana de Letras. João Pessoa, n. 2, Ano I, jul. 1947.

ARRUDA Câmara. Texto de Jair AZEVEDO no site do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em 11 de Dezembro de 2012. Disponível em: <http://www.joaopessoa.pb.gov.br/zoobica/historia-da-bica/arruda-camara/>.

45
Texto transcrito gentilmente cedido pela diretoria do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, porém não consta a página do jornal em que foi publicado.PARQUE Arruda Câmara: A sua inauguração, hoje, ás 13 horas. (texto transcrito). A União, João Pessoa, 1922.

46
HONORATO, Rossana. Se essa cidade fosse minha... A experiência urbana na perspectiva dos produtores culturais de João Pessoa. João Pessoa: Editora Universitária / UFPB, 1999.

47
RODRIGUEZ, Walfredo. Roteiro sentimental de uma cidade. João Pessoa: Conselho Estadual de Cultura/SEC/Editora A União, 1994.

48
AGUIAR, Wellington Hermes Vasconcelos de. Cidade de João Pessoa: a memória do tempo. João Pessoa: Gráfica e Ed. Persona, 1992.

49
Atual SEMAM (Secretaria de Meio Ambiente), órgão da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP).

50
CHAVES, Frutuoso. Um parque ganha a estrutura de Primeiro Mundo. A União, João Pessoa, p.05, 20 fev. 1994.

51
Idem, ibidem.

52
HONORATO, Rossana. Se essa cidade fosse minha... A experiência urbana na perspectiva dos produtores culturais de João Pessoa. João Pessoa: Editora Universitária / UFPB, 1999.

53
SEMAM – Secretaria Municipal de Meio Ambiente/ DIEP/ PMJP. Plano municipal de conservação e recuperação da Mata Atlântica de João Pessoa. Coordenação: Lígia Maria Tavares da Silva; Prefeitura Municipal de João Pessoa/João Pessoa: F&A Gráfica e Editora, 2012.

54
SANTOS, Maria do Socorro Carlos dos. Parque Arruda Câmara: um lugar de lazer e preservação em área urbana. (Monografia de Graduação). João Pessoa: UFPB / Centro de Ciências Exatas e da Natureza, 1997.

55
Idem, ibidem.

56
Fruto de investimentos públicos empregados pela PMJP.

57
PARQUE Arruda Câmara constrói recinto para receber a elefanta Lady. Informativo eletrônico da PMJP. Disponível em: <www.joaopessoa.pb.gov.br/parque-arruda-camara-constroi-recinto-para-receber-a-elefanta-lady/>.

58
SEGUNDA fase de reforma do Parque Arruda Câmara começa ainda este mês, em 14 de julho de 2011. Disponível em:<http://www.joaopessoa.pb.gov.br/segunda-fase-de-reforma-do-parque-arruda-camara-comeca-ainda-este-mes/>.

59
Concurso para requalificar a Bica inscreve até 7 de janeiro, em 05 de dezembro de 2007. Disponível em:<http://www.joaopessoa.pb.gov.br/concurso-para-requalificar-abica-inscreve-ate-7-de-janeiro/>.

60
SEGUNDA fase de reforma do Parque Arruda Câmara começa ainda este mês, em 14 de julho de 2011. Disponível em:<http://www.joaopessoa.pb.gov.br/segunda-fase-de-reforma-do-parque-arruda-camara-comeca-ainda-este-mes/>.

sobre o autor

Carlos Fernando Albuquerque da Silveira é arquiteto e urbanista pela UFPB (2008) e Mestre em Arquitetura e Urbanismo pelo PPGAU da UFPB (2014). Tem experiência em projetos arquitetônicos e em sustentabilidade urbana e da habitação. No campo das artes plásticas é autodidata, iniciando sua produção em 1997, com destaque para exposição Paralaxe Paraíba (2014).

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