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architexts ISSN 1809-6298

abstracts

português
Três megaestruturas são vistas consideradas a crença modernista no progresso e na transformação da vida e a ética do brutalismo para o habitar: a Unité de Marselha, o conjunto Pruitt Igoe no Missouri, e o Parque Boa Vista no Recife.

english
Three meagestructures are studied considering the modernist beliefs in progress as well as a brutalist ethic regarding habitation: Unitè d´habitation a Marseille, Missouri´s Pruitt Igoe, and the Parque Boa Vista in Recife.


how to quote

MARQUES, Sonia. A ética habitante e o espírito do brutalismo. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 166.05, Vitruvius, abr. 2014 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5142>.

Brutalismo, megaestrutura e habitação social

A relação entre ética e estética na produção da arquitetura moderna – por real ou mitológica que seja – foi e tem sido incessantemente evocada. Para o falecido Kopp (1988), o modernismo havia sido mais que tudo uma causa, causa esta evidente sobretudo no campo da habitação social. Para o sempre muito vivo Jencks, nesta ambição social residiria justamente um dos motivos da “falência do modernismo”. Os estudos de caso apresentados por Kopp concernem sobretudo o primeiro modernismo, indo das aspirações construtivistas soviéticas e dos Siedlungen ou outras realizações, na esteira do Bauhaus, até a diáspora consequente ao nazismo. Já Jencks (1977) escolheu o caso espetacular, ou bode expiatório, ao concentrar-se exatamente num exemplar do modernismo tardio, o famoso conjunto de Pruitt-Igoe, projetado por Yamasaki e sua equipe, no início dos anos cinquenta, sendo habitado a partir de 1954.

Neste período surgem, em várias partes do mundo, as obras inaugurais de diferentes arquitetos que guardam entre si importantes aproximações formais, construtivas e plásticas e que receberiam a posteriori a qualificação de brutalistas (Zein; 2007).

Banham foi, talvez, o primeiro a utilizar esta qualificação para classificar um conjunto de obras, em 1966, numa publicação cujo título vinculava brutalismo, ao mesmo tempo, a uma ética e a uma estética. Porém, esta vinculação dava-se em termos da tradição da verdade dos materiais, na esteira da Arts and Crafts. Ou seja, poderíamos dizer que se tratava de uma ética estética. À época em que Banham inaugura o filão classificatório do brutalismo, o conjunto de Yamasaki já estava sofrendo um considerável processo de degradação. Em 1968, o Departamento Federal de Habitação incentivava os moradores a deixarem o conjunto e, finalmente, em 1972, ele foi implodido, num grandioso espetáculo um tanto ao quanto inaugural e que ofereceu a Jencks a oportunista e fácil boutade, segundo a qual, neste momento, o modernismo morrera (1).

Deste modo, até recentemente nem o conjunto de Yamasaki foi incluído como pertencente ou digno de pertencer ao movimento brutalista, nem tampouco suas qualidades projetuais foram discutidas. No que diz respeito à literatura que se desenvolveu em relação à arquitetura brutalista, esta seguiu a tradição de Banham, associando ética e estética em termos de uma atitude em relação à tectônica e, mais particularmente, à verdade dos materiais. Findou que as relações entre brutalismo e habitação social, por óbvias que tenham sido, como atestam desde o inaugural Conjunto de Marselha, o Robin Hood Gardens, o Arlequin de Grenoble ou Pruitt- Igoe foram, até o momento, muito pouco discutidas.

Neste texto, partimos da relação megaestrutura, habitação e brutalismo para discutir o que chamamos de ética habitante. Como estudos de caso, começaremos pela unidade de Marselha e de Pruitt-Igoe, edifícios emblemáticos do ponto de vista internacional, ambos voltados para a habitação social, para levantar, finalmente, algumas questões sobre o parque Boa Vista, uma megaestrutura brutalista residencial realizada em Recife para a classe média.

Anos 60: a utopia das Megaestruturas

Surgido nos anos 1960, o conceito de Megaestrutura segue sendo até hoje ambíguo. Tomemos, por exemplo, as distinções apresentadas para o termo por Wikipedia em suas versões francesa e inglesa. Em francês, megaestrutura corresponde a uma construção de enormes dimensões cujo programa arquitetônico acumula vários elementos que compõem a cidade tradicional (2). Mas se distinguiria da tipologia tradicional da arquitetura pela relação entre os seus componentes e sobretudo pela relação com a cidade existente e suas redes de transporte. Estas seriam renegociadas segundo uma lógica própria que romperia com a tradição clássica. Modelo teórico dinâmico, a megaestrutura não teria uma configuração fixa, sua organização deveria variar segundo as modalidades de uso.

Em inglês, Wikipedia torna o termo mais preciso, remetendo-o ao que conhecemos na Historiografia da Arquitetura; ou seja, à ligação com o mundo anglófono e mesmo britânico, em particular, ao grupo Archigram bem como ao desenvolvimento das novas cidades na Inglaterra. Cita ainda os grandes trabalhos de Montreal e, acima de tudo, os escritos de Banham que terminaram por cunhar o termo.

O fato é que, a crer na historiografia, o conceito de megaestrutura corresponde à tentativa de superar os limites do zoneamento que marcou o pensamento inicial dos CIAM, trazendo novos ingredientes à relação entre arquitetura e planejamento urbano, no modernismo tardio dos anos 1960. Para Gold, (2006) os precursores das megaestruturas achar-se-iam, até no século XIII, mas, o mais comum, é que, seguindo Banham (1976) caracterizando-as pela grande escala – a meio caminho entre uma edificação e um trecho urbano – e pelo multiuso, o pioneirismo caiba a Le Corbusier, com o centro cívico de Saint-Dié e a unidade de Marselha.

Centros cívicos, grandes conjuntos universitários ou edifícios-praças são exemplos, na historiografia, de megaestruturas brutalistas como a dos americanos Paul Rudolph, Louis Kahn e Kevin Roche. Do lado europeu, destacam-se aquelas do Team X, através de seus membros ingleses e holandeses, como aquelas para o Plano Pampus de ampliação de Amsterdam. Mas igualmente são megaestruturas as propostas dos metabolistas no Japão, bem como a série de edificações responsáveis por uma nova costura urbana de Montreal, como o Habitat de Safdie. O Brasil integra este novo campo internacional onde o modernismo difunde-se e renova-se, nos anos sessenta e, na historiografia, desde Bruand, passando por Segawa, Sanvitto e Fuão esteve o termo brutalismo quase sempre associado ao adjetivo paulista. Zein concede à Lina Bo Bardi o pioneirismo do nosso brutalismo, aproximando realizações como Masp (1958) e o Sesc Pompéia, ao conceito de megaestrutura, tanto pela escala intermediária entre edificação e trecho urbano, bem como pelo múltiplo uso. Seguem-se os projetos de Artigas e depois do premiado Paulo Mendes da Rocha, com propostas habitacionais, como o festejado conjunto para Cumbica. Mas além deste e dos conjuntos habitacionais realizados por Lélé, o período brutalista legou-nos sobretudo anônimos projetos desenvolvidos sob a égide do BNH, caixotinhos de quatro pavimentos que hoje marcam o padrão periférico de nossas cidades. Envergonhados, talvez nós pesquisadores, prefiramos trabalhar as obras de exceção e outras megaestruturas da época.

Nem por isso a relação entre ética e estética brutalista à la Banham deixou de encontrar solo fértil no Brasil, onde Artigas, um dos mais lídimos representantes do brutalismo, foi prolífico nas associações questionáveis entre posturas ideológicas e escolhas estéticas. Porém, os estudos sobre o brutalismo e a escola paulista de certo modo ofuscaram a relação entre este movimento, megaestrutura e habitação multifamiliar e mais precisamente habitação social. Esta relação estava, no entanto, presente já no Conjunto Pedregulho, de Afonso Eduardo Reidy, de 1947, de concepção bastante assemelhada à pioneira obra de Le Corbusier de cuja evolução vamos tratar a seguir.

Le Corbusier. Unidade de Habitação, Marselha, 1952. Cobertura.
Foto Crookesmoor [Wikimedia Commons]

Marselha: A Unidade de Habitação na capital da cultura e do tráfico

A notícia saiu na revista M, encarte dos sábados do jornal francês Le Monde do dia 31 de maio de 2013: o ginásio do paradigmático imóvel de Le Corbusier, construído de 1945-52, em Marselha, vai tornar-se um centro de arte e design contemporâneos. A façanha deve-se a Ora-ïto, nome artístico de um francês, nascido em 1977, que tornou-se famoso sequestrando em 3D, os produtos de marcas emblemáticas como Vuitton, Apple, Nike e Bic. Pelo menos é o que diz o site oficial do personagem (3).

O artigo apresenta Ora-ïto como um apaixonado pela Unidade de Habitação, um grande admirador do trabalho de Le Corbusier.

A ocupação proposta para o ginásio que fechado há alguns anos, estava em ruínas, “surfa na onda” de Marseille-Provence 2013. Este foi o nome escolhido para a capital europeia mundial da cultura (4), uma vez que muitos estrangeiros conhecem o nome da Provence, região onde fica a cidade de Marselha, mas desconhecem o nome desta cidade. À frente dela, desde 1995, o prefeito Jean-Claude Gaudin, reivindica a conquista do título, dizendo que a escolha não foi casual, mas uma consequência e o reconhecimento de sua politica cultural (5). Na esteira deste reconhecimento, o site da prefeitura afirma que, com uma despesa de 155 euros por habitante, Marselha é referência na Europa e situa-se logo depois de Berlim, em relação ao investimento público no domínio da cultura e das indústrias do conhecimento.

Artes da rua, artes plásticas passando pelo teatro, cinema, músicas de todos os horizontes, ou ainda dança, a euforia sobre a presença de todos os campos de expressão artística não cobre o fato de que a cidade de Marselha vive com a mais alta taxa de criminalidade e tráfico de droga da França, num contexto em que a crise já desmoraliza bastante os brios nacionais.

Assim, no mesmo dia em que Le Monde informava sobre o novo centro cultural da cidade, uma manifestação de centenas de pessoas desfilava nas ruas da cidade, respondendo a uma convocação de uma associação de moradores dos bairros norte, constituído em fevereiro, depois do assassinato de vários jovens associado ao tráfico de drogas. Droga e cultura não andam forçosamente juntas. Mas a situação de Marselha não deixa de lembrar o quadro brasileiro, onde, infelizmente faltam ações como a de Ora-ïto.

Le Corbusier. Unidade de Habitação, Marselha, 1952. Térreo em 2012.
Foto Marina Ferreira Leite

Mudanças sociais e geracionais e programáticas: da escola ao centro de Artes

A sociedade mudou, constata Oraï-to, ao justificar o fato de transgredir o uso previsto pelo mestre modernista para sua unidade de habitação. O ginásio previsto por Le Corbusier, dentro do princípio do “espírito são num corpo são”, caro à assepsia do mestre, é uma esplêndida abóboda que acolheu os exercícios dos residentes do prédio. Mas, que perdeu sua razão de ser. Do mesmo modo, perderam o sentido as lojas previstas sobre todo um andar comercial, pois, como diz o novo promotor do centro cultural, “a cidade chegou à unidade habitacional” e, na rua, junto à edificação há um grande supermercado e uma sala de esportes.

Como alhures, as forças econômicas, sociais e políticas regem a vida dos moradores da Unidade de Habitação. Donde, a importância de um decreto municipal de 31 de agosto de 2012 que determinou que os locais da escola maternal fossem de novo abertos ao público, e, em consequência a escola funcionou normalmente a partir da volta às aulas em 4 de setembro de 2012. É o que se pode perceber pelo fato de ele constar do site (6) da Associação dos Moradores que parece extremamente consolidada, mantendo laços estreitos com a Fundação Le Corbusier, bem como com associações que cuidam de outras edificações do mestre modernista.

Deste modo, antes de empreender qualquer modificação no ginásio, para abrir seu centro de artes, Ora-ïto teve que ganhar o seu brevê de “corbusianismo”, junto à assembleia dos coproprietários, devolvendo ao teto-jardim sua feição original. O fato é que, alguns anos após a realização da Cité radieuse, havia sido enxertado ao solarium, provavelmente por algum proprietário do ginásio, um telhado de duas empenas, apelidado de “a verruga”. Depois disso, o conjunto foi tombado como monumento histórico. Ora-ïto teve que obter o destombamento desta anomalia junto aos arquitetos do monumentos históricos e depois a autorização para demolir.

Ele exibe um grande orgulho de ter salvo o lugar e de querer antes de tudo homenagear o seu criador. Também é o que pretende o primeiro convidado, o artista Xavier Veilhan com a apresentação de um episódio “d'Architectones", uma série de intervenções artísticas nos locais mais importantes da arquitetura modernista, especialmente com um mobile volumoso suspenso na abóbada do ginásio cujo contrapeso é uma estátua de Le Corbusier. A exposição deveria começar em junho e expor as obras no teto-jardim, o terraço de cobertura assume assim uma nova vocação: ser uma plataforma para jovens criadores e novos talentos. A edificação marselhesa passa, assim, por mais uma de suas muitas fases, antes e depois de ter sido tombada como monumento Histórico Nacional, em 1995, aos seus quarenta e três anos de vida. Sua evolução da megaestrutura parece bem resumida por uma das moradoras, a arquiteta Corinne Vezzoni ao dizer:

"Après tout, la ville a rejoint depuis longtemps la Cité radieuse, les commerces ont fermé, le bâtiment n'est plus autonome. C'est bien la démonstration qu'il a toujours une capacité à évoluer, à continuer à vivre." (7)

Modernidade: da demolição...

Nem todas as megaestruturas puderam continuar a viver como a Cité Radieuse cujo tombamento ocorreu justamente em um momento em que o valor da arquitetura moderna e, em particular, dos grandes conjuntos habitacionais eram – como ainda são – bastante questionados. No ano anterior, em 11 de outubro de 1994, duas torres residenciais modernistas haviam sido dinamitadas na França. Elas faziam parte das 10 “Tours Démocratie” que haviam acolhido os primeiros moradores da ZUP – Zona de Urbanização Prioritária (8) – das Minguettes Vénissieux, na periferia da cidade de Lyon, em 1966. Este evento poderia ser interpretado como uma versão francesa - 22 anos depois – da implosão de Pruitt-Igoe (9), o conjunto projetado em 1956 por Yamasaki, cuja implosão em 1972 foi tão bem manipulada por Charles Jencks que oportunisticamente afirmou que, naquele momento, em Saint Louis, Missouri morria a arquitetura moderna. Como este, a implosão de duas das Tours Démocraties foi caracterizado um símbolo do fracasso social e urbanístico (10) do movimento moderno e de suas aspirações, sendo os grandes conjuntos habitacionais periféricos a expressão máxima da bancarrota.

Valeria ainda considerar, no que concerne à Unidade de Habitação de Marselha, a recepção ambígua - até hoje - que os franceses concedem à obra de Le Corbusier. Como sabemos, a revista l’Architecture d’Aujourd’Hui, fundada em 1930 por André Bloc, grande amigo de Le Corbusier, foi durante muito tempo um órgão de difusão emblemático da arquitetura moderna e a Villa Savoye foi o primeiro monumento de Le Corbusier a ser tombado, por um decreto de 1965. Mas este tombamento ocorreu, depois de muitos anos de abandono da famosa casa, e, em grande parte, em consequência da tomada de consciência do seu prestígio mundial e ainda muito especificamente, graças à ação de André Malraux. Ministro da Cultura na França, entre 1959 e 1969, Malraux nunca chegou, no entanto, a levar a intelectualidade francesa além dos meios especializados a apreciar a arquitetura moderna. Em 1975, a revista l’Architecture d’Aujourd’Hui enfrentava sua primeira crise, com a demissão coletiva do comitê editorial que não foi substituído. No ano seguinte, em 1976, Malraux morreu antes que os trabalhos de restauração da Villa Savoye fossem concluídos, o que só veio a ocorrer em 1997. Assim, a Unidade de Habitação tornou-se monumento em 1994, ao mesmo tempo em que, de um lado, caem duas torres da Démocratie e, de outro, François Chaslin, após uma breve tentativa de recuperar em vão o prestígio de l’Architecture d’Aujourd’Hui finda por deixar a direção.

Do ponto de vista da população residente na Unidade de Habitação, a classificação como monumento nacional deu-se na continuidade de um primeiro processo de gentrificação, iniciado nos anos oitenta, quando intelectuais e profissionais liberais, boêmios, socialistas, progressistas haviam ido morar no prédio. À época, o andar comercial (11) previsto por Le Corbusier ainda funcionava. Mas, até o início dos anos 2000 a situação de conservação do imóvel ainda era periclitante, apesar de ainda contar com uma orgulhosa residente desde a inauguração da edificação.

À reabilitação?

A situação atual parece haver mudado, ainda que uma grande parte da intelectualidade francesa e talvez europeia permaneça refratária à obra do arquiteto suíço. Um exemplo pode ser dado pelo influente filósofo Olivier Mongin, autor do livro La Condition Urbaine, diretor da Revista Esprit que reivindica ter sido iniciado aos problemas da cidade e das práticas urbanas por Michel de Certeau. Crítico de Le Corbusier, ele parece juntar-se a muitos compatriotas para quem a arquitetura deste mestre nada mais é do que “du béton” (12). As negociações para que a obra de Le Corbusier se tornassem patrimônio mundial da Humanidade pela UNESCO evidenciam as restrições latentes, tanto assim que muitos dos que têm lutado por este tombamento consideram que as oposições técnicas escondem uma hostilidade estética definitiva. Como pergunta um dos envolvidos na questão:

“N'a-t-on pas accusé le mouvement moderne d'avoir engendré les pires des grands ensembles?“ (13)

Mas a associação entre modernismo e produção de conjuntos habitacionais a serem implodidos poderia ser hoje coisa de uma geração ultrapassada. Lembremos que o senhor Robert Venturi aproxima-se dos noventa anos (14). Além disso, foi o primeiro signatário do abaixo-assinado de 2006 contra o projeto de Renzo Piano para anexos à capela de Notre Dame du Haut de Ronchamp. A ele, seguiram-se nomes como os de Cesar Pelli, Richard Meier e Rafael Moneo, juntando perto de 15000 nomes para bloquear o projeto que foi considerado bárbaro e agressivo ao espírito da obra de Le Corbusier e à implantação no sítio. Irônico quando se pensa que a maior parte do novo edifício de Piano é subterrâneo. Ou seja, Piano fez o que Venturi dizia que faziam os arquitetos modernistas quando não sabiam enfrentar as contradições: enterrou o edifício, só que por zelo de preservação do sítio (15).

Os ventos de uma nova avaliação de Le Corbusier e da modernidade parecem ter soprado na França, também, desde a metade da primeira década do novo século, embalando sobretudo jovens como Ora-ïto. Assim, justamente em seguida a episódios de violência urbana nas banlieues francesas e nos chamados “bairros sensíveis”, eufemismo para classificar as periferias pobres, em junho 2006, um colóquio foi realizado na cidade Saint Etienne, intitulado Habiter la Modernité (16). Talvez tenha sido este um primeiro levantamento das ações governamentais levadas a cabo durante trinta anos para reabilitar os conjuntos habitacionais, numa perspectiva de consideração do valor arquitetônico dos edifícios emblemáticos. Um dos principais organizadores assinalou, então, o quanto é possível e necessário, separar os problemas de construção e de localização dos demais problemas. De fato, o uso de concreto ou outras técnicas construtivas ainda não comprovadas nas construções destes grandes conjuntos contribuíram, sem dúvida, para que eles se degradassem muito rapidamente. Já do ponto de vista urbanístico, salientava como pode ser vista claramente a diferença entre situação dos conjuntos que continuam isolados, apartados da cidade e aqueles que foram “engolidos” pela extensão urbana, fundindo-se ao seu tecido. O que impressiona, no entanto, é o hiato entre o pensamento dos pesquisadores que reconsideram estas realizações, especificando separadamente as causas das degradações e a mentalidade oficial dos responsáveis pela política urbana. Como diz Guillot (2007), se a demolição das duas Tours Démocratie haviam chocado em 1994, em 2006, à época do colóquio, o programa nacional de renovação urbana francês previa a demolição de 200.000 habitações para transformar a imagem de 751 “bairros sensíveis”. Guillot segue mostrando, com razão, a insensatez desta política de demolir para reconstruir sem fazer a seleção dos erros e acertos do passado, homogeneizando todas as arquiteturas dos grandes conjuntos.

No ano seguinte a este colóquio, a revista L’Architecture d’aujourd’hui chegava ao fundo do poço, ariscada a desaparecer. Foi quando, alertado, Jean Nouvel interveio com uma nova equipe comprometida em reerguer a revista. Finalmente, em setembro de 2009, L’Architecture d’Aujourd’hui conseguiu retomar sua periodicidade tradicional e abrir uma interação via Internet. Arquitetos como Shigeru Ban, Rudy Ricciotti, Frank Gehry, Benedetta Tagliabue, entre outros, fazem parte do comitê editorial evidenciando a abertura internacional da revista, tanto a diversas influências como a diversas gerações.

Pruitt-Igoe: o resgate no filme

Numa mesma linha de recuperação dos feitos da modernidade, após o tanto que lhes foi imputado, estaria um filme de 2012 The Pruitt-Igoe Myth: an Urban History que permite rever a história do conjunto estigmatizado por Jencks. Dirigido por Chad Freidrichs, o filme é construído em torno de entrevistas com pessoas que viveram no edifício, com clips de arquivos e filmagens da floresta que cresceu no local. Segundo o articulista do The Guardian:

“No filme, os moradores recordam a absoluta alegria de quando se mudaram e aspectos não apenas como da canalização, aquecimento e eletricidade, mas também do ponto de vista do ‘calor da comunidade’. ‘Quando me mudei, foi um dos dias mais emocionantes da minha vida’, diz um entrevistado. ‘Minhas memórias de Pruitt-Igoe são algumas das melhores que eu tenho’, diz outro. Há uma que se refere ao seu apartamento como ‘cobertura de pobre’. As pessoas se lembram de ‘um prédio maravilhoso com tantos cheiros diferentes da cozinha’ e ‘tantas crianças para brincar’.” (17)

A visão do arquiteto sobre como o terceiro pavimento, comum, seria usado no Pruitt Igoe
Minoru Yamasaki [Newman, Oscar. "Creating defensible space". U.S. Department of Housing and Urban Developme]

Mas o filme também mostra a degradação progressiva do prédio: elevadores que pararam de funcionar, incineradores de lixo que falharam, canos estourando no inverno, bullying e gangues. Além disso, as descrições de vivências, a partir da decadência da edificação, como relatos de um homem, então aos nove anos de idade, quando viu sua mãe carregando seu irmão, baleado no estômago.

O que agora parece ficar claro no filme (Moore, 2012) (18), já havia sido dito antes em diversos trabalhos acadêmicos. No entanto, estes não conseguiram ser uma contrapartida às invectivas oportunistas, como assinalou Benévolo, que Jencks e outros fizeram contra a arquitetura moderna. Como se sabe, as causas do fim de Pruitt-Igoe foram muito mais complexas. O governo pagou para a construção do edifício, mas projetos de habitação social eram mal vistos, considerados como antiamericanos e socialistas, mal considerados do ponto de vista do mundo dos negócios, por depreciar a propriedade privada e o setor imobiliário. Eles eram bons apenas para a indústria da construção civil, enquanto estavam sendo construídos. O governo decidiu então investir apenas na construção; a manutenção deveria ser financiada pelos alugueis. Estes, como os moradores eram pobres, não foram suficientes e subiram de tal forma que chegaram a consumir três quartos do rendimento de alguns moradores. Pruitt-Igoe sofreu ainda por ser o primeiro conjunto inter-racial, os habitantes eram negros, imigrantes vindo do interior, cujas primeiras casas em Saint Louis haviam sido favelas. Mas a população branca, na medida em que era expulsa dos subúrbios foi crescendo ao longo da vida do conjunto e os conflitos raciais aumentaram. Como complemento, na condição de beneficiários de política social, os habitantes começaram a ser submetidos a regras cada vez mais brutais. Entre estas, destaque-se a de que as famílias perderiam seus direitos se houvesse um homem em casa; exigência que forçou a criação de falsas famílias mono-parentais. Televisores e telefones foram proibidos. Para culminar, a consolidação de Pruitt-Igoe foi vítima da redução populacional da cidade de Saint Louis em 50%. Neste contexto, a enorme escala do projeto do Yamasaki prevista para uma cidade em expansão, perdia o sentido.

Os depoimentos dos moradores, apesar destes fatos, não destratam a arquitetura de Yamasaki. Pelo contrário, são as qualidades dos apartamentos que são ressaltadas. Quando a vida em Pruitt-Igoe é comparada com a prisão é em referência às normas do serviço social e não ao projeto. Não há tampouco nenhuma sugestão de que se o projeto tivesse sido feito em outro “estilo”, o conjunto poderia ter sido salvo. É óbvio que se os edifícios fossem baixos não teria havido o problema do elevador e que os espaços muito abertos podem ter contribuído para a violência e ausência de lei, como sugeriu Jane Jacobs em 1961. Mas, como salientam as análises do colóquio de Saint-Etienne para a Europa, mesmo na América do Norte, há projetos de habitação social bem sucedidos, com elevadores e implantados em meio a espaços abertos.

Demolição de um dos edifícios do conjunto Pruitt Igoe
Autor desconhecido [Wikimedia Commons]

Megaestrutura, versão zona tórrida: o parque Boa Vista

O futuro do Parque Boa Vista, megaestrutura residencial recifense cujo estudo estamos iniciando é incerto. Proposta do final dos anos sessenta, ela foi implantada num amplo terreno onde foi demolida a casa da família Pessoa de Queiroz, proprietários da rede de jornal, rádio e TV jornal do Commércio (19). Trata-se de um lote privilegiado com duas esquinas, uma no encontro da Rua Dom Bosco com a rua Manoel Borba e outra no encontro desta rua com a Rua Gonçalves Maia. Foi projeto do GP – Grupo de Planejamento Físico e Arquitetura, na sua fase inicial, formado por José Fernando Carvalho, Geraldo Santana e Moisés Sampaio Andrade. O bairro da Boa Vista, então, prolongava o centro urbano comercial do bairro Santo Antonio, sendo, no entanto, ainda predominantemente residencial. Nas redondezas do conjunto, encontravam-se alguns equipamentos como o cinema Boa Vista, várias escolas, colégios e faculdades.

O uso misto existia no bairro na sua parte mais próxima ao centro, em geral em edificações adossadas uma às outras. A ousadia do projeto era adotar um tipo de implantação típica da edificação residencial multifamiliar, blocos em altura soltos no terreno, para uma inserção no tecido urbano com uso misto. São 270 unidades residenciais, distribuídas em três edifícios, um deles com dimensões, escala e volumetria muito próxima a da Unidade de Habitação de Marselha. Os dois outros com reentrâncias que fazem pensar em torres duplas. Os três edifícios foram distribuídos de tal forma que a cada um deles corresponde uma entrada preferencial por cada uma das três ruas do lote do parque. Segundo depoimento de Santana, ele fizera anteriormente, em 1966 com José Fernando Carvalho, um primeiro projeto para a mesma Incorporadora LUME, (Linaldo Uchoa de Medeiros) o Centro Comercial Novo Recife. “Este era todo em concreto aparente, grande marquise-terraço e duas fachadas-“mural” em brises de concreto com pintura (leve referência a Le Corbusier e Maekawa); e poucos brancos nos revestimentos.” Houve um primeiro ANTEPROJETO, que, no dizer de Santana era um tanto sofisticado, com muito concreto de sustentação, tudo brutalista, e logo evoluímos para um segundo sistema construtivo, com elementos pré-moldados (“painéis-pilares” periféricos) de sustentação e pilares internos e lajes, caixas de elevadores e escadas e casa de máquinas tudo em concreto aparente).

Esta busca estética, independentemente de qualquer inclinação ideológica, provinha do fato que os arquitetos envolvidos haviam sido formados numa tradição de busca de rigor construtivo e eram informadíssimos com os movimentos de vanguarda europeu, sobretudo com a evolução das new towns na Inglaterra, bem como com a produção de Candilis, que, à época desenvolvia o projeto para a faculdade de Toulouse-le-Mirail (1960–77). Além da estética de um brutalismo caboclo, a megaestrutura tropical, na zona tórrida, era uma proposta de fusão com a cidade, com um pequeno centro comercial, formado pelos três pavimentos em sobrelojas.

Embora não se destinasse à habitação social, o lado “progressista” do projeto pode ser encontrado no fato que as unidades habitacionais eram de tamanhos diversos indo de dois a quatro quartos o que permitia uma heterogeneidade social incomum e ainda hoje pouco suportada pela sociedade local. Tudo isto implicava numa engenharia complicada do ponto de vista condominial não prevista pela legislação em curso. A obra foi vítima de vários problemas de natureza diversa, dificuldade em obter o habite-se e, portanto, de ter a oferta de serviços básicos de infraestrutura.

Finalmente, o setor comercial nunca foi implantado e a megaestrutura degradou-se acompanhando a degradação do bairro. De fato, o bairro da Boa Vista havia recebido o primeiro conjunto residencial vertical multifamiliar e, em seguida, ao longo dos anos sessenta, algumas outras edificações, muitas de alto padrão residencial como o pioneiro. Mas, progressivamente, fatores como o deslocamento das faculdades para o campus da UFPE e o desenvolvimento de novas centralidades e decadência do centro comercial do bairro de santo Antônio levaram ao abandono do bairro pelas classes mais altas. O golpe de misericórdia foi selado em 1980 com a criação do shopping Recife. A criação do shopping Boa Vista apenas agravou a decadência geral, como buraco negro, no dizer de Luiz Amorim, cercando-se do comércio indigente.

Grupo de Planejamento Físico e Arquitetura. Parque Boa Vista, Recife, fim da década de 1960. [Google Street View]

Grupo de Planejamento Físico e Arquitetura. Parque Boa Vista, Recife, fim da década de 1960. [Google Street View]

Muito recentemente, o Bairro começa dar alguns sinais de recuperação, porém muito pontuais e estrategicamente localizados, como o surgimento de um edifício novo de alto padrão e a implantação de um curso de medicina de elite. O Parque Boa Vista o levantamento de um muro e o estabelecimento das três portarias distintas parecem acenar para um esforço de reorganização. No dizer de Santana, na esteira deste esforço, quando houver massa crítica, os moradores optarão por instalar o comércio conforme o espírito da proposta. Mas o Parque Boa Vista parece seguir um pouco o caminho do Copan, em São Paulo, apesar dos espaços generosos e da qualidade do projeto oferecido.

Por que a cidade não chegou ao parque Boa Vista como ocorreu em Marselha? Erro de concepção projetual?

Conclusão

No caso da habitação de Marselha, a associação de moradores parece contente com a transformação do ginásio em centro de arte, como evidenciam testemunhos. Mas no caso brasileiro, o afã pelo novo e sobretudo pelo novo padrão programático do edifício residencial/clube requisitado pelas classes médias (antigas e novas) e pelas classes altas condena à obsolescência e decadência a maior parte de realizações pregressas fora desta norma.

"O brutalismo era isso, tentar resolver quase todo o programa da casa com o mínimo de materiais. As casas de pessoas ricas daquele momento, encomendadas ao Niemeyer, ao Paulo Mendes da Rocha, eram muito espartanas. E essa casa [de Ruy Ohtake] é parte de um momento em que se buscava a simplificação, a contenção, o mínimo necessário. Depois entrou uma cultura mais consumista". (20)

São ainda mais sensíveis aquelas edificações em localizações que sofreram também desqualificação social, como o parque Boa Vista bem como aquelas que implicam em altos custos de manutenção por unidade.

Como última trincheira do modernismo, para usar a expressão muito adequada de Fuão (2000), o brutalismo apenas levou à outrance a crença modernista nas possibilidades do progresso tecnológico e no poder da arquitetura e do arquiteto em transformar o quadro de vida. Assim, no que diz respeito a megaestruturas habitacionais desenvolveu padrões baseados em tecnologia e infraestrutura com altos custos de manutenção que só não se deterioram quando processos de gentrificação se consolidam.

A reflexão sobre o trajeto das propostas conduz-nos, na verdade, ao questionamento do poder da arquitetura e das relações entre ética e estética. Reflexão que consideramos oportuna, num momento em que, na preparação da próxima Bienal de Arquiteura que ocorrerá em 2014 retomam-se alguns discursos dos brutalistas brasileiros como Artigas e interpretações de gestos projetuais que seriam transgressores da domesticidade burguesa, como teriam sido as casas de Mendes da Rocha. Ou ainda, o discurso social sobre o alcance de um programa como Minha Casa, Minha Vida, que geralmente tem apresentado misérias projetuais.

O fato é que o poder da arquitetura é bem limitado, como bem diz Moore:

“The effects of architecture alone are rarely as significant as people think: it can certainly affect your sense of wellbeing for better or worse, and it can aid or hinder the larger forces that it serves. But politics, economics, and such things as the presence or absence of prejudice are what really change people's lives.” (Moore, 20013) (21)

notas

NA
A autora agradece a leitura cuidadosa e solidária das colegas Edileusa da Rocha e Eliane Lordello.

NE – Sob coordenação editorial de Ruth Verde Zein (FAU Mackenzie, Conselho Editorial Arquitextos) e Abilio Guerra (editor Arquitextos), número traz nove artigos apresentados no X Seminário Docomomo Brasil (Curitiba, 15 a 18 de outubro de 2013), que teve como tema “Arquitetura moderna e internacional: conexões brutalistas 1955-75”. Os artigos do número especial sobre o brutalismo são os seguintes:

ZEIN, Ruth Verde. Modernidade madura, alternativa, brutalista, plural. O patrimônio e legado dos anos 1955-75. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 166.00, Vitruvius, abr. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5120>.

ESPALLARGAS GIMENEZ, Luis. O recuo brutalista. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 166.01, Vitruvius, abr. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5041>.

CARRILHO, Marcos José. Residência Telmo Porto. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 166.02, Vitruvius, abr. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5136>.

ÁLVAREZ, Eva; GÓMEZ ALFONSO, Carlos. Apuntes para una adecuada apreciación, necesaria protección y razonada revitalización. El conjunto Universidad Laboral de Cheste (1967-1969) de Fernando Moreno Barberá. Arquitextos, São Paulo, año 14, n. 166.03, Vitruvius, abr. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5138>.

CABRAL, Cláudia Piantá Costa. Conexões figurativas. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 166.04, Vitruvius, abr. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5137>.

MARQUES, Sonia. A ética habitante e o espírito do brutalismo. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 166.05, Vitruvius, abr. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5142>.

SANTOS, Cecília Rodrigues dos. Preservação da arquitetura brutalista. Os brutos também querem ser amados. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 166.06, Vitruvius, abr. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5147>.

BURRIEL BIELZA, Luis. La estructura y su dimensión poética en Saint-Pierre de Firminy. Arquitextos, São Paulo, año 14, n. 166.07, Vitruvius, abr. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5148>.

LEJEUNE, Jean-François. Preserving the Miami Marine Stadium (1962-64). Tropical brutalism, society of leisure, and ethnic identity. Arquitextos, São Paulo, year 14, n. 166.08, Vitruvius, may 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.166/5151>.

1
Para selar o enterro, cinco anos após “a morte” Jencks dedicava um livro à supostamente nova linguagem pós-moderna

2
Elle correspond à une construction de très grandes dimensions dont le programme architectural cumule plusieurs des éléments qui composent la ville traditionnelle. La mégastructure se distingue des types architecturaux traditionnels par le rapport qui existe entre les éléments qui la compose ainsi que par le rapport qu’elle entretient avec la ville existante et ses réseaux de transport. Dans la mégastructure, ces rapports sont renégociés selon une logique qui lui est propre et qui s’inscrit en rupture avec la tradition classique. En théorie, la configuration de la mégastructure n’est pas fixe. La mégastructure est plutôt pensée comme un modèle architectural dynamique dont l’organisation devrait pouvoir varier en fonction des modalités de son utilisation.

3
<www.ora-ito.com/profile>.

4
<www.mp2013.fr/presentation/>.

5
<www.marseille.fr/siteculture/marseille-capitale/marseille-capitale>.

6
<www.marseille-citeradieuse.org/cor-assoc.php>.

7
Afinal, a cidade veio ao encontro da Cité Radieuse, as lojas fecharam, o edifício não é mais autônomo. É de fato uma demonstração de que ele ainda tem capacidade de evoluir, de continuar a viver. Tradução da autora.

8
Inicialmente chamada zona a urbanizar por prioridade, passou a designar em seguida zona à urbanizar em prioridade, foi um processo administrativo de urbanismo operacional na França entre 1959 e 1967 para responder à demanda crescente de habitação à época e que permitia a criação de bairros novos ex nihil como também o comércio e seus equipamentos. Um dos urbanistas mais atuantes desta época e que escreveu um livro sobre toda a política urbana francesa traduzido para o português e que foi muito influente nas escolas de arquitetura no Brasil foi Robert Auzelle.

9
Já escrevemos bastante sobre o assunto.

10
É interessante neste sentido a apresentação de slides reencontrados por Guy RAVIER quinze anos depois que mostram o bairro DEMOCRACIA tal como nos idos de março de 1991. <http://videos.lalibre.be/video/actu/venissieux-tours-democratie/?sig=iLyROoaft9LQ>.

11
Atualmente funciona apenas o hotel.

12
Conforme opinião expressa em palestra realizada no Recife no Instituto Pelópidas Silveira da qual a autora foi debatedora. A oposição de Mongin se estende também a arquitetos contemporâneos pois o filósofo considera que em muitos casos, o vedetismo do gesto arquitetural evidenciaria uma oposição entre arquitetura e urbanismo <http://www.canal-u.tv/video/ecole_normale_superieure_de_lyon/la_condition_urbaine_olivier_mongin.6763>.

13
Não acusaram o movimento moderno de ter engendrado os piores grandes conjuntos [habitacionais]? Cf. artigo :A l'Unesco, le classement de l' œuvre de Le Corbusier dans une situation fragile, no caderno M do jornal Le Monde de 25. 06. 2011. Disponível em <www.lemonde.fr/culture/article/2011/06/25/a-l-unesco-le-classement-de-l-oeuvre-de-le-corbusier-dans-une-situation-fragile_1540968_3246.html>.

14
Dentro de dois anos, pois nasceu em 25 de junho de 1925.

15
Também irônico que no mês de abril passado Renzo Piano tenha assinado a petição que ora corre para que o prêmio Pritzker concedido em 1991 a Robert Venturi venha a ser atribuído retrospectivamente a Denise Scott Brown sua esposa e sócia da firma Venturi Scott Brown já há 22 anos; quando o marido recebeu o prêmio, além de ser coautora do livro Aprendendo com Las Vegas, com Venturi e Steven Izenour em 1972.

16
Habiter la modernité : Acte du colloque.

17
Moore, Rowan. Pruitt-Igoe: death of the American urban dream. A new film shows how an idealistic postwar housing project in St Louis, Missouri went disastrously wrong. The Observer. Domingo, fevereiro de 2012. Disponível em: <www.guardian.co.uk/artanddesign/2012/feb/26/pruitt-igoe-myth-film-review>.

18
Ao qual não tivemos ainda acesso. As informações vem do relato do jornalista inglês, conforme nota anterior que são confirmadas pelos comentaristas de archdaily que descobriram a “nova versão”, ver <www.archdaily.com.br/21785/cinema-e-arquitetura-filme-the-pruitt-igoe-myth-an-urban-history/>.

19
O que corresponderia ao prestigio da família Roberto Marinho e de uma Rede Globo local à época.

20
<http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2013/08/1324210-proprietario-e-contra-tombamento-e-quer-vender-casa-de-ruy-ohtake.shtml>.

21
Os efeitos da arquitetura sozinhos raramente são tão significativos como as pessoas acham: (arquitetura) pode certamente afetar seu sentido de bem estar para o bem ou para o mal e pode ajudar ou impedir forças mais amplas às quais serve. Mas política, economia e coisas como existência ou ausência de preconceito são o que realmente mudam a vida das pessoas. Tradução da autora.

referências bibliográficas

BANHAM, Reyner. The new brutalism: ethic or aesthetic? Londres, Architectural Press, 1966.

FUÃO, Fernando Freitas. Brutalismo a última trincheira do movimento moderno Arquitetxtos 007.09ano 01, dez 2000

GUILLOT, Xavier. Logement et Mouvement Moderne: un heritage bâti à l’épreuve du temps. In Guillot, Xavier (org.) Publications de l’Université de Saint-Etienne, 2007

JENCKS, Charles. The Language of Post-Modern Architecture. 1977

KOPP, Anatole. Quand le moderne n'était pas un style mais une cause. Paris, Ecole Nationale Supérieure des Beaux-Arts, 1988

MOORE, Rowan. Why we Build? Picador, London, 2012.

ZEIN, Ruth Verde. Brutalismo, sobre sua definição. (ou, de como um rótulo superficial é, por isso mesmo, adequado). Arquitextos, São Paulo, ano 07, n. 084.00, Vitruvius, maio 2007 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/07.084/243>.

sobre a autora

Sonia Marques é arquiteta e urbanista, doutora em Sociologia na École des Hautes Etudes em Sciences Sociales, Paris, e professora do DAV/UFPB e do PPGAU/UFPB.

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Modernidade madura, alternativa, brutalista, plural

O patrimônio e legado dos anos 1955-75

Ruth Verde Zein

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O recuo brutalista

Luis Espallargas Gimenez

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Residência Telmo Porto

Marcos José Carrilho

166.03 docomomo br

Apuntes para una adecuada apreciación, necesaria protección y razonada revitalización

El conjunto Universidad Laboral de Cheste (1967-1969) de Fernando Moreno Barberá

Eva Álvarez and Carlos Gómez Alfonso

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Conexões figurativas

Cláudia Piantá Costa Cabral

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Preservação da arquitetura brutalista

Os brutos também querem ser amados

Cecília Rodrigues dos Santos

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La estructura y su dimensión poética en Saint-Pierre de Firminy

Luis Burriel Bielza

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Preserving the Miami Marine Stadium (1962-64)

Tropical brutalism, society of leisure, and ethnic identity

Jean-François Lejeune

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