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research

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architectourism ISSN 1982-9930

Skyline de São Paulo. Foto Abilio Guerra

abstracts

português
O artigo comenta a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2014, “Fundamentals”, aberta ao público em 7 de Junho último. Rem Koolhaas, curador desta edição, traz várias mudanças para o formato da Mostra, sendo a principal delas a presença central da pesquisa.

english
The article comments on the 14th International Architecture Exhibition of the Venice Biennale 2014. Koolhaas, curator of this edition, brings several changes to the format of the exhibition, being the central presence of research the main one.

español
El texto comenta la Bienal de Arquitectura de Venecia de 2014, “Fundamentals”. Rem Koolhaas, curador de esta edición, trae muchas modificaciones para el formato de la exhibición, siendo la principal la presencia central de la investigación.


how to quote

MARTINS, Patrícia. Bienal de Veneza de 2014. A política como fundamento da arquitetura. Arquiteturismo, São Paulo, ano 08, n. 088-089.04, Vitruvius, ago. 2014 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/08.088-089/5264>.


Começou dia 7 de junho passado a 14aedição da Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza – “Fundamentals”, que este ano terá seis meses de duração, terminando em novembro de 2014. A curadoria é de Rem Koolhaas, que trouxe mudanças significativas para o formato da Mostra. A principal delas está relacionada ao formato da exibição: ao invés de arquitetos convidados pelo curador para expor seus projetos e ideias, como uma atualização de seus trabalhos, a exibição desse ano é o resultado de uma grande pesquisa desenvolvida por diversas equipes orientadas pelo curador, o que exigiu um tempo maior de preparação que os nove meses usuais. A pesquisa está no centro da Bienal e é, segundo seu presidente, Paolo Baratta (1), estratégia para lutar contra a atual facilidade de aquisição e atualização de informações, que causa diluição e trivialização da relação entre obra e observador, transformando até a vanguarda em algo habitual e, consequentemente, desinteressante. A ideia é ter uma Bienal como “máquina de desejos”, que aposta em redescobrir pontos de referência que possam suplantar a indiferença e a conformidade para assim reacender o desejo pela arquitetura.

Com este propósito, os outros setores da Bienal - Dança, Música, Teatro e Cinema - foram envolvidos de maneira intensa na Mostra de Arquitetura, com a colaboração de seus respectivos diretores, tanto no espaço físico da Bienal - palcos e auditórios dentro do setor Monditália, na Corderie - quanto na programação que se desenvolve ao longo dos seis meses de duração da Mostra.

A proposta curatorial de Koolhaas, como exposta por ele no catálogo, parte da constatação do divórcio entre arquitetura e espaço público, resultado da economia de mercado neoliberal acentuada desde a era Reagan, que vem erodindo o “status moral” da arquitetura, “jogando-a cada vez mais nos braços do setor privado”. “Fundamentos” – nome escolhido para a Mostra – “é uma Bienal sobre arquitetura e não sobre arquitetos” (2), que propõe uma “auditoria” na disciplina para revelar sua condição atual, o processo que a trouxe até o presente e suas possibilidades futuras. Para isso estrutura-se em três segmentos distintos.

1. Absorbing Modernity

Acesso ao Arsenale, Bienal de Arquitetura de Veneza
Foto Patrícia Martins

Sessenta e seis países, localizados em sua maioria em pavilhões nacionais nos Giardini, no Arsenale e em salas de exposições e palácios espalhados pela cidade, respondem ao tema proposto: traçar a história de seus processos de modernização durante cem anos – de 1914 a 2014. Como ponto de referência para encadear as diferentes narrativas nacionais em torno de uma discussão maior, o tema “Absorbing Modernity” funciona: a maneira como a quase totalidade das representações nacionais responde diretamente ao tema, destrinchando imbricadas simbioses entre arquitetura e sua história política, é reveladora: golpes de estado, guerras, movimentos colonizadores, levantes, socialismo, comunismo, revoltas, estão intimamente ligados à aquisição (ou não) do léxico moderno na arquitetura, indiscriminadamente, nos quatro cantos do mundo. Esse fato, analisado em conjunto e em perspectiva, resgata uma dimensão perdida da disciplina face ao atual processo de desenraizamento causado pela globalização neoliberal. Sim, é possível perceber no conjunto das representações, como queria o curador, o papel substancial da arquitetura em cada narrativa nacional que sim, resulta em certo “empoderamento” da arquitetura. A potente relação entre arquitetura e política é assunto esquecido em tempos de neoliberalismo, onde o setor privado assumiu o mando dos grandes empreendimentos, varrendo do horizonte arquitetônico os grandes projetos públicos. Neste cenário, desaparece a esfera pública, parte fundamental da história da arquitetura, e fica a pergunta: o que vai preencher esse vazio? Onde está, para onde se desloca, o caráter público da arquitetura? Como reconquistar esse poder perdido?

Pavilhão do Brasil nos Giardini, Veneza
Foto Patrícia Martins

A grande maioria das representações nacionais respondeu diretamente, inclusive textualmente, ao tema proposto. Países pioneiros na implementação da linguagem moderna, como França, no início do século XX e Inglaterra no pós 2.aGuerra Mundial, apresentam leituras mais pontuais e descentralizadas de seu processo de modernização. Países da África e do Oriente Médio, de maneira geral, apresentam cronologias históricas de seus desenvolvimentos políticos recheadas com um número incrível de obras modernas, invariavelmente causando grande contraste na paisagem urbana e cultural. Muitas dessas representações apresentam interessantes leituras da apropriação de tais edifícios pela comunidade local e ilustram as várias diásporas arquitetônicas ocorridas no período das guerras mundiais e na década de 1960. Países da Europa Oriental, em sua maioria, discutem a violência da implementação da arquitetura moderna na forma de conjuntos habitacionais e edifícios institucionais associados a novos regimes políticos e estratégias contemporâneas de resgate e manutenção da arquitetura local. Países orientais reforçam o caráter simbólico e artesanal de suas arquiteturas nacionais na construção de uma linguagem moderna local.

A Inglaterra, com a exposição “A Clockwork Jerusalem”, questiona a visão de um país moderno como produto de uma arquitetura globalizada em favor de uma modernidade informada por sua história e caráter caracteristicamente britânicos. Focada nas décadas de 1950, 1960 e 1970, quando o modernismo britânico foi mais ambicioso socialmente, politicamente e arquitetonicamente (momento também em que começa o seu colapso), a exposição mostra os grandes projetos utópicos desse período como visão de uma sociedade renovada pela arquitetura moderna, e como essa visão moderna foi absorvida pela imaginação popular através de filmes, músicas, livros e artes plásticas.

O pavilhão francês coloca a questão: “Modernidade: Promessa ou Ameaça?” discutindo experimentos modernos que fizeram parte da efervescente cena francesa do começo do século XX, mas que acabaram não sendo levados adiante ou sendo mal compreendidos. Um exemplo foi a atuação de Jean Prouvé, designer e construtor que por quinze anos deu palestras sobre a forma moderna e a tecnologia, contribuiu com muitos edifícios modernos, mas teve suas ideias rejeitadas pela indústria. Ou o caso de Drancy, conjunto habitacional de 1942 lançado por José Luis Sert, como protótipo para habitações pós-guerra, que se tornou campo de concentração nazista.

A grande maioria das representações escolheu exposições panorâmicas, traçando uma linha no tempo encadeando eventos históricos e arquitetônicos. Esse foi o caso do pavilhão do Brasil, que se preocupou em mostrar a pluralidade de sua produção moderna que, desde o início do século XX, absorveu totalmente o moderno e, encontrando condições políticas culturais e econômicas favoráveis, desenvolveu-se a ponto de tornar-se referência mundial. O ponto conceitual enfatizado pelo curador André Corrêa do Lago foi justamente a dificuldade de leitura, por parte dos críticos internacionais, da imbricada relação entre arquitetura e política no contexto brasileiro, ponto que a exposição tenta esclarecer.

Como um paralelo interessante, a República de Kosovo mostra como o país nunca absorveu a modernidade. Esta lhe foi imposta pelo estado comunista e é sinônimo de estética estrangeira e destruição. A questão nacional torna-se então como lidar com essa herança moderna não desejada, como mostrar o que foi apagado e fazer visível o que restou.

Alguns países escolheram desenvolver recortes e eventos específicos de seu processo de modernização, como o Canadá, que decidiu focar em um ponto nevrálgico da relação entre arquitetura e modernidade no país: a questão da adaptação da população nômade Inuit, que habita a porção Ártica do país por milênios e seu contexto cultural específico, problematizado por questões de soberania, que desafiam a agenda universalizante da arquitetura moderna. Maquetes físicas em ambientações computadorizadas mostram propostas arquitetônicas contemporâneas para o confronto com a modernidade, “de igloos à internet em quarenta anos” (3), testando a capacidade de adaptação da arquitetura frente um contexto político-cultural tão específico.

Polônia e Tailândia apresentaram exemplos de uma abordagem mais conceitual do tema, sem fugir dele. A Polônia, com sua apresentação “Impossible Objects” discute a complexa relação entre modernismo e política no renascimento do estado polonês depois de 1918, e reconstrói uma cripta de 1937 em escala 1:1, onde uma laje sem referências históricas “flutua” acima de colunas de ordem clássica, colocando a questão “Qual é o fundamento da identidade polonesa?”. A cripta de pedra escura localizada no centro do grande pavilhão branco e alguns poucos desenhos em preto impressos nas paredes dão ao pavilhão um ar minimalista que contrasta com a maioria dos pavilhões, repletos de imagens.

Elegendo a espiritualidade como um fundamento da arquitetura nacional, a Tailândia apresenta o seu pavilhão como uma instalação penetrável, explorando sombras, silhuetas, linhas e formas próprias da arquitetura como uma experiência individual de busca pela identidade e significação do “ser Thai”, que deve “continuar a florescer em harmonia com a modernidade” (4). Esse tema também é desenvolvido em quatro artigos disponibilizados no website www.thaiarchvenice.org, que discutem questões como autonomia e engajamento em relação aos fundamentos da arquitetura tailandesa em sua conversa com a modernidade.

Várias representações nacionais usaram o recurso de complementar suas exposições físicas com conteúdos on line, interativos, atualizados durante a duração da Mostra.

Sem um pavilhão físico, Portugal apresenta o jornal “Homeland – News from Portugal” explorando o jornal como “um importante instrumento na produção de mercadorias, consumidores e enquadramentos ideológicos como indicação de qualidade e legitimidade de um país, sua sociedade e sua cultura” (5). A proposta é discutir o tema “Absorbing Modernity” através de uma reflexão crítica sobre habitação, “campo de excelência para experimentações da modernidade”. O jornal contará com três edições diferentes durante os seis meses da Mostra.

Seguindo a linha da curadoria de intensa pesquisa, os Estados Unidos montaram um escritório de projetos em seu pavilhão – Office US – como vitrine de uma enorme pesquisa que revela os projetos de escritórios americanos em atuação em países estrangeiros no período de 1914 e 2014, em um arquivo cronológico: “Individualmente e coletivamente, esses projetos contam múltiplas e imbricadas estórias de escritórios americanos, tipologias e tecnologias, bem como uma extensa narrativa da modernização americana e seu alcance global” (6). Os projetos são expostos em impressos livres para consulta em um ambiente preparado para tal com bancos e grandes mesas, além de uma extensa programação com workshops, mesas redondas e palestras com arquitetos, críticos e estudantes responsáveis pela pesquisa, durante toda a duração da Bienal.

2. Elements of Architecture

Elements of Architecture, pavilhão central, Bienal de Arquitetura de Veneza
Foto Patrícia Martins

A ideia desta sessão, localizada no pavilhão central dos Giardini, é dissecar cada um dos elementos que constituem o edifício, seus “fundamentos”, usados por “qualquer arquiteto, em qualquer época e em qualquer lugar” (7): o chão, a parede, o teto, o telhado, a porta, a janela, a fachada, a sacada, o corredor, a lareira, o banheiro, a escada, a escada rolante, o elevador, a rampa. Cada elemento é isolado em micronarrativas a informar não uma história da arquitetura, mas “múltiplas histórias, origens, contaminações, similaridades e diferenças desses elementos antigos e como eles evoluíram para sua repetição corrente através do progresso tecnológico, exigências reguladoras e novos regimes digitais” (8). Nessa perspectiva se evidencia, com o intenso desenvolvimento tecnológico, como pontua Koolhaas, o quase desaparecimento do fundamento “lareira” e a supervalorização de fundamentos que se transformam ininterruptamente pela obsessão contemporânea por segurança e conforto, como por exemplo, a porta de segurança de um aeroporto.

Exposição Elements of Architecture, paredes, Bienal de Arquitetura de Veneza
Foto Patrícia Martins

Assim, como resultado de uma pesquisa de dois anos com a Harvard Graduate School of Design, com diversas equipes lideradas pelo curador, a exposição foi produzida paralelamente a um livro sobre todos os elementos. Alejandro Zaera Polo conduziu o tema “fachada” e Keller Easterling conduziu a pesquisa sobre “piso”. Aqui, a relação entre arquitetura e política assume um tom mais sutil, permeando narrativas sobre a transformação dos elementos na história. Como exemplo, o elemento terraço (balcony), é ilustrado com uma sequência de fotos de 1871 a 2012 onde reis, rainhas, príncipes, presidentes, ditadores e personalidades políticas aparecem em terraços fazendo pronunciamentos ou saudando a população em datas históricas, com o subtítulo: “sem o terraço não existiria história”.

Exposição Elements of Architecture, fachadas, Bienal de Arquitetura de Veneza
Foto Patrícia Martins

É inegável que considerar tamanha quantidade de informação incrustada em cada elemento comum de um projeto, como um DNA que vem desde sua origem, transformando-o, muda - ou deveria mudar – o caráter do mais simples projeto. Novamente, um sentimento de “empoderamento” que vem do conhecimento estrutural das coisas como parte de imbricados sistemas nos obriga a olhar de maneira renovada para a arquitetura.

Exposição Elements of Architecture, tetos, Bienal de Arquitetura de Veneza
Foto Patrícia Martins

3. Monditália

Ocupando todo o pavilhão da Corderie, a exibição Monditália propõe a construção de um retrato da Itália como país anfitrião em conjunto com os outros setores da Bienal – Cinema, Dança, Música e Teatro. Projeções de filmes italianos históricos localizam-se por todo o pavilhão, performances acontecem dentro das diferentes exposições, palcos com apresentações de dança e música e ensaios abertos convivem lado a lado com a Mostra de Arquitetura. A proposta é de um escaneamento da Itália: 82 filmes italianos, 41 estudos de caso arquitetônicos, a Bienal de Dança e peças e performances de teatro “representando a complexa realidade italiana como paradigma de condições locais e globais” (9).

Exposição Monditalia, palco dentro da Corderie, Bienal de Arquitetura de Veneza
Foto Patrícia Martins

Os estudos de caso de arquitetura mostram-se extremamente interessantes ao discutir eventos italianos que refletem questões globais. Equipes de jovens pesquisadores mergulham nos mais diversos temas, e conhecê-los demanda tempo e uma quantidade maior de cadeiras ao longo da Corderie. Questões políticas que inicialmente se colocam como pano de fundo, com o aprofundamento das pesquisas revelam-se estruturais na configuração do cenário arquitetônico e cultural italiano ao longo do século passado e no início deste.

Em “La Maddalena”, Ila Bêka e Louise Lemoine fazem um vídeo com um tocante mea culpa de Stefano Boeri, importante arquiteto italiano, em visita ao pavilhão da ilha La Maddalena, na Sardenha, cujo projeto e construção são sua autoria. Por motivos políticos e arquitetônicos o edifício foi abandonado logo após sua inauguração e permanece fechado desde então, já em franca decadência. O arquiteto, natural da região, fala do processo de projeto e construção e analisa causas do fracasso do empreendimento.

“Assisi Laboratory” do AMO, Giampiero Mariottini e Marco Sammicheli, mostra a luta da cidade histórica conhecida como um dos berços do Renascimento Italiano e importante destino de peregrinações religiosas para sobreviver com o fluxo de seis milhões de turistas por ano tendo uma população de apenas 28.000 pessoas. Novas ideias, muita tecnologia e força de vontade estão sendo usadas na equação deste problema contemporâneo, que se torna comum em muitas cidades da Europa. A pesquisa mostra como a Ordem Franciscana vem tentando preservar a santidade do lugar em meio à enxurrada de turistas, frágeis acordos políticos e o processo de reconstrução devido ao terremoto de 1997.

Exposição Radical Pedagogies, curadoria de Beatriz Colomina, Bienal de Arquitetura de Veneza
Foto Patrícia Martins

“Radical Pedagogies” mostra a extensa pesquisa desenvolvida por Beatriz Colomina e seu grupo baseado na Universidade de Princeton, EUA, cuja proposta é explorar uma série de experimentos pedagógicos que tiveram papel crucial na configuração do discurso e da prática arquitetônica na segunda metade do século XX. Tratam-se de experimentos radicais que questionaram as bases da arquitetura, desafiando, redefinindo e reconfigurando o pensamento normativo estabelecido na época. Neste contexto, diásporas do pensamento italiano espalharam-se por escolas de todo o mundo, como a influência das ideias do Superstudio e de Manfredo Tafuri no resto da Europa e das Américas. A vinda de Lina Bo Bardi para o Brasil e a proposta de ensino de Vilanova Artigas para a FAU USP fazem parte do Atlas montado em uma enorme parede, ilustrando as décadas de 1950 e 1960. Como primeiro evento dos “Weekend Specials” programados para acontecer durante toda a duração da Mostra, na tarde dia 7 de Junho Beatriz Colomina comandou uma mesa redonda cujo objetivo era discutir pedagogias arquitetônicas radicais, com a presença de Stefano Boeri, Andrea Branzi, (fundador do Archizoom), Paolo Deganello, Marco De Michelis, François Dallegret, Joseph Grima, Gabrielle Mastrigli, William Menking, Lucas Molinari, Alessandra Ponte e Cristiano Toraldo di Francia (fundador do Superstudio, por videoconferência). A discussão abordou principalmente possibilidades de radicalidade no ensino hoje, que vão desde uma “aceitação da realidade” como colocada por Boeri, até propostas como “The Silent University” – uma plataforma de conhecimento localizada em Londres e a “School of no Curriculum” – uma proposta de escola pública de Los Angeles que prega a abolição do currículo, apresentados por Joseph Grima.

Weekend Sessions – Beatriz Colomina em Radical Padagogies
Foto Patrícia Martins

A pesquisa “Italian Limes”, do grupo Folder, apresenta uma questão tipicamente contemporânea que vem afetando várias nações: as atuais mudanças climáticas vêm modificando paisagens e geografias e acarretando problemas de soberania para alguns países europeus. Apesar da alta tecnologia envolvida no mapeamento de regiões remotas por satélite e programas de alta definição para monitoramento de fronteiras, o derretimento das geleiras nos Alpes, fronteira da Itália com a Áustria, a Suíça e a França, gerou o aparecimento do conceito “fronteira variável”, que reconhece a volatilidade de qualquer divisor de águas através de alterações regulares de sua estrutura física na determinação de fronteiras exatas. A pergunta colocada pela pesquisa é: “Esses eventos são somente vestígios remanescentes da geopolítica do século passado ou eles informam a noção moderna de fronteira, dentro da retórica enganosa dos fluxos contemporâneos?” (10).

Arquitetura e política, ao longo do século XX, desenvolveram uma complexa simbiose que assumiu diversas formas e gerou resultados surpreendentes quando analisados sob a lupa de cada representação nacional, pesquisa temática sobre eventos italianos, ou reconstrução do desenvolvimento de um elemento arquitetônico ao longo da história. Analisadas em conjunto, em perspectiva, essas narrativas evidenciam a importante participação da arquitetura no desenvolvimento das comunidades, estados e nações – e dela mesma, enquanto disciplina parte da cultura. Mas, como provoca o curador, “o papel da arquitetura nessas narrativas é substancial, mas talvez não tão crucial como os arquitetos desejariam” (11).

sobre a autora

Patrícia Martins é arquiteta no escritório Ultradesign Arquitetura Contemporânea, Mestre em História e Teoria da Arquitetura pela Architectural Association School of Architecture de Londres, Doutora em Arquitetura pela Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, atualmente desenvolvendo pesquisa de pós-doutoramento na FAU USP com bolsa da Fapesp.

notas

NA
Agradecimento: A autora visitou a Bienal como parte de sua pesquisa de pós-doc financiada pela Fapesp.

1
BARATTA, Paolo. Foreword. Fundamentals Catalogue, 14. Mostra Internazionale di Architettura, La Biennale de Venezia. Veneza, Marsilio, 2014, p. 14-15.

2
KOOLHAAS, Rem. Fundamentals – Architecture not Architects. Fundamentals Catalogue (op. cit.), p. 17.

3
Arctic Adaptations: Nunavut at 15. Fundamentals Catalogue (op. cit.), p. 40.

4
Spirituality – Freedom and Creativity, a fundamental in Thai Architecture. Fundamentals Catalogue (op. cit.), p. 144.

5
Homeland. News from Portugal. Fundamentals Catalogue (op. cit.), p. 128.

6
OfficeUS. Op. cit. p. 152.

7
KOOLHAAS, Rem. Elements of Architecture. Fundamentals Catalogue (op. cit.), p. 193.

8
Idem, ibidem.

9
KOOLHAAS, Rem. Monditalia – a scan. Fundamentals Catalogue (op. cit.), p. 355.

10
FOLDER. Italian Limes. Fundamentals Catalogue (op. cit.), p. 440.

11
KOOLHAAS, Rem. Fundamentals – Architecture not Architects. Op. cit. p. 17.

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088.04 visita cultural
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