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architectourism ISSN 1982-9930

Varanasi, Rio Ganges, Índia. Foto Victor Hugo Mori

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O acanto, planta nativa da Europa meridional, Mediterrâneo e norte da África, é a inspiração para adornos presentes em templos e edifícios importantes da tradição clássica.


how to quote

LISBOA, Christiane. Botânica e arquitetura. Arquiteturismo, São Paulo, ano 07, n. 080.03, Vitruvius, out. 2013 <https://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/07.080/4934>.


Em recente viagem planejei conhecer algumas espécies de plantas, entre elas a Tília e o Acanto, e aves como o Abelharuco e a Poupa, além de observar mais atentamente jardins históricos e os espaços públicos, seus equipamentos e uso. Sabendo que o Acanto (Acanthus mollis, da família Acanthaceae) é a planta cujas folhas enfeitam os capitéis coríntios, queria conhecê-la e imaginava que seria encontrada cultivada em jardins botânicos e hortos.

Mas contrariando a expectativa, encontrei uma planta comum que nasce e floresce em áreas urbanas ou rurais sendo facilmente encontrada até em terrenos baldios. É planta herbácea perene nativa da Europa meridional, Mediterrâneo e norte da África. Pelo que observei em Portugal e principalmente na Itália, o Acanto viceja a pleno sol ou em áreas com meia sombra, nasce espontaneamente no sub-bosque em meio a outras espécies e até em áreas de solo pobre e rochoso. É considerada invasiva fora de sua região de origem. Em Julho apresentava alta inflorescência colorida, branca e arroxeada, de cerca de 1m, se destacando no verde das colinas. As folhas verdes brilhantes, simetricamente lobadas (de margens profundamente recortadas) têm pares de espaços vazios que são característica marcante nas formas esculturais que adornam o topo das colunas. A planta se forma com os ramos foliares dispostos em densas touceiras circulares com as inflorescências surgindo centralmente. As folhas de longas hastes se vergam exatamente como na representação dos capitéis.

É interessante notar o uso da representação de uma planta tão comum como adorno recorrente em templos e edifícios importantes. O Acanto aparece inconfundivelmente nos capitéis das colunas e frisas e até nas volutas através das épocas e estilos arquitetônicos e já era descrito como adorno por Vitruvius em detalhes no Livro 4, (Capítulo I, 7 a 10) em 10 Livros da Arquitetura.

Na edição francesa de Perrault há um desenho que ilustra a história recontada por Vitruvius da origem desse tipo de capitel descrita no Livro 4. A ordem das colunas coríntias criada pelo arquiteto e escultor grego Calímaco, teve a forma do capitel inspirada por um memorial funerário que consistia em um cesto com pertences de uma criança, com uma tampa quadrada, no qual havia nascido espontaneamente um Acanto envolvendo sua base.

Desenho de Claude Perrault para a tradução francesa dos “De Architectura”, de Vitruvius, 1684
Imagem divulgação [Wikimedia Commons]

Histórias tradicionais sobre a origem dos elementos arquitetônicos atestam a relação inerente e muito estreita entre o homem da antiguidade e a natureza, que transcendia a mitologia e se materializava na arquitetura e nos objetos de uso. Atualmente a observação da natureza tem enfoque mais científico-analítico e não tão estético-simbólico com em épocas passadas: o biomimetismo é estudado e analisado com modelos paramétricos e arquitetos novamente se voltam para a natureza como fonte criativa.

sobre a autora

Christiane Lisboa, arquiteta (FAU USP) e mestre (FEC AU Unicamp).

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