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interview ISSN 2175-6708

abstracts

português
Conversa entre Marc Simmons, John Klein e Gabriela Celani sobre detalhamento de fachadas em obras de arquitetura contemporânea. A entrevista ocorreu no mês de março de 2018 no Massachusetts Institute of Technology – MIT, em Cambridge.

english
Conversation between Marc Simmons, John Klein and Gabriela Celani on detailing façades in works of contemporary architecture. The interview took place in March 2018 at the Massachusetts Institute of Technology – MIT in Cambridge.

español
Conversación entre Marc Simmons, John Klein y Gabriela Celani sobre detalle de fachadas en obras de arquitectura contemporánea. La entrevista ocurrió en el mes de marzo de 2018 en el Massachusetts Institute of Technology – MIT, en Cambridge.

how to quote

CELANI, Gabriela. (DELETAR II) Fachadas - detalhamento construtivo na arquitetura contemporânea. Uma entrevista com Marc Simmons e John Klein. Entrevista, São Paulo, ano 18, n. 076.01, Vitruvius, <http://pop.www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/18.076/7141>.


Em uma matéria que publiquei recentemente na revista Drops sobre o congresso “Advanced Building Skins (1) eu começava dizendo que, quando cursava a graduação em Arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo – USP, nos anos 1980, não usávamos a palavra fachada. Usávamos, no máximo, elevação. Mas ao longo de minha carreira fui aprendendo que a fachada é algo extremamente importante para a arquitetura (e até para o urbanismo), não apenas do ponto de vista estético, mas também quanto aos aspectos de sustentabilidade e de qualidade do edifício.

Naquela época, também não se dava muita atenção ao detalhamento arquitetônico (aliás, esse ainda é um ponto bastante falho em nosso ensino de Arquitetura). Por esse motivo, a equipe de pesquisadores do Lapac (2) vem publicando alguns artigos sobre o tema (3), com o intuito de discutir a relevância desses assuntos na formação dos arquitetos no Brasil, onde o detalhamento arquitetônico costumava ser considerado uma etapa final do processo de projeto. No entanto, o uso do CAD, do BIM e dos equipamentos industriais de controle numérico – CAM estão trazendo o detalhamento arquitetônico para o início do processo de projeto, exigindo especificações ainda mais precisas, que dependem do conhecimento das potencialidades dos novos equipamentos e materiais (4).

Enquanto os melhores programas internacionais de formação de arquitetos apresentam uma grande preocupação com o ensino do detalhamento, no Brasil esse tipo de disciplina é oferecida em poucas escolas, em geral como eletiva. Nos ateliers de projeto, em geral, não há tempo para o aprofundamento teórico e técnico do assunto, e esse aprendizado acaba se dando nos estágios, quando muito. Além disso, são poucos os livros redigidos em português sobre detalhamento arquitetônico, e muitas publicações confundem representação gráfica com detalhamento, sem apresentar sua conceituação técnica e teórica.

Durante meu período sabático no Massachusetts Institute of Technology – MIT, de março a junho de 2018, acompanhei uma nova disciplina do Mestrado Profissional em Arquitetura, oferecida no 4º semestre do programa, com 3 anos de duração. A disciplina chama-se Architectural Assemblies, e foi ministrada pelos arquitetos Marc Simmons e John Klein. O programa da disciplina (5) deixa clara sua intencionalidade, apresentando uma foto de um carro completamente desmontado, com todas as peças espalhadas pelo chão. O edifício é entendido aqui como um produto a ser montado a partir de componentes industrializados e, consequentemente, com a qualidade de design e produção que encontramos na indústria automobilística.

Marc Simmons é bacharel em arquitetura pela Universidade de Waterloo, no Canadá, uma escola em que os estudantes passam parte de cada ano em estágios. Trabalhou em vários escritórios ao redor do mundo (Roma, Pescara, Paris, Kioto, Cingapura, Hong Kong e Vancouver), sendo que o escritório de Norman Foster em Hong Kong foi o mais influente em seu trabalho. Como resultado, levou nove anos para concluir seu curso. Ele é sócio-fundador da Front (6), Nova York, uma consultoria de fachadas responsável pelo detalhamento e execução de obras para escritórios renomados como os de Zaha Hadid, Renzo Piano, Shigeru Ban, Sanaa, Snohetta, Herzog & De Meuron, OMA, SHoP, Richard Meier, Gehry & Partners, David Chipperfield, Jean Nouvel, Scoffidio + Renfro, Steven Holl, Asymptote, Tadao Ando, Andrade Morettin e Triptyque, estes dois últimos no Brasil. Simmons foi professor nas universidades de Columbia, Princeton e Georgia Tech antes de lecionar no MIT.

John Klein (7) é cientista-pesquisador do MIT. Formou-se em arquitetura no ambiente inovador do Southern California Institute of Architecture – SCI-Arc, onde estudou com o ex-professor do MIT Peter Testa, que lhe apresentou a área de Computational Design e exerceu grande influência sobre ele. Klein trabalhou nos escritórios Gehry Partners, Greg Lynn Form e Zaha Hadid Architects. Neste último, coordenou equipes de grandes projetos como o Galaxy Soho em Beijing. Klein também colaborou com Mark Burry na aplicação de técnicas de fabricação digital na construção da Sagrada Família, em Barcelona. Obteve seu mestrado no MIT-Media Lab junto à professora Neri Oxman, na área de impressão 3D em vidro. Ofereceu cursos em Tsinghua University (Beijing, China), Southern California Institute of Architecture – SCI-Arc e Architectural Association (Londres, Reino Unido). Atualmente desenvolve pesquisa na área de construção em madeira (8) e é também proprietário do escritório John Klein Design (9).

A entrevista com Simmons é dividida em quatro partes. Na primeira, ele fala sobre sua formação acadêmica na Universidade de Waterloo, no Canadá, entrelaçada com sua trajetória profissional. Ele é apontado como um dos dez ex-alunos mais notáveis de sua Universidade pela Wikipedia (10). Apesar de se definir como um engenheiro de fachadas (façade engineer), ele possui uma base sólida em arquitetura e urbanismo, incluindo aspectos técnicos e teóricos, o que lhe permite afirmar, por exemplo, que para se fazer um bom detalhamento é preciso entender do contexto urbano ao tecnológico em que um edifício está inserido. A conversa nos faz refletir sobre a importância da experiência prática na formação dos arquitetos.

Na segunda parte, Simmons fala sobre a empresa Front: como surgiu, que tipo de consultoria oferece, qual o nível de envolvimento com os escritórios de arquitetura e quais os projetos dos quais ele mais gostou de participar. Nesse trecho fica claro o nível de complexidade que a construção está atingindo com o uso das novas tecnologias, e ao mesmo tempo o crescente distanciamento entre as tecnologias de construção tradicionais e as contemporâneas.

O envolvimento com a academia e a disciplina oferecida no MIT por Simmons são o tema da terceira parte da entrevista. Sua atuação no ensino começou cedo, participando em bancas de projeto na Universidade de Hong Kong, oferecendo palestras na Universidade de Waterloo, e em seguida como professor adjunto nas Universidades de Columbia, onde deu aulas com Bernard Tschumi, e de Princeton, a convite de Stan Allen, participando de ateliers de projeto com Iñaki Ábalos, Juan Herreros, Hani Rashid e Alejandro Zaera Polo.

Depois disso, a convite de Chuck Eastman, Simmons foi selecionado para ocupar a distinta cadeira Thomas W. Ventulett III na Georgia Tech e, após o término de seu contrato, foi convidado a atuar como Professor of the Practice pelo Departamento de Arquitetura do MIT. É importante frisar que o número de Professors of the Practice e de professores em tempo parcial que a Escola de Arquitetura e Planejamento do MIT pode contratar é limitado a no máximo 10% do corpo docente em tempo integral, um número relativamente baixo, considerando a importância do conhecimento prático para a área. Nas demais escolas do MIT o limite estipulado é de apenas 5% (11).

Ao final da entrevista, quando lhe pedi sua opinião sobre a arquitetura brasileira, a resposta de Simmons foi muito semelhante a um comentário de Walter Gropius sobre os edifícios de Niemeyer: “Os prédios de Niemeyer são sempre interessantes e ousados na sua concepção, mas ele parece dar pouca atenção aos detalhes, o que acaba comprometendo a qualidade dos edifícios” (12), disse Gropius.

Na segunda entrevista, John Klein contou sobre sua carreira profissional e sobre a dinâmica da disciplina Architectural Assemblies em 2017, quando ele a ofereceu pela primeira vez. É interessante notar como este jovem arquiteto teve uma trajetória direcionada, desde o princípio, para uma síntese entre o trabalho de pesquisa e a prática, com grande ênfase nos processos digitais, algo que vem se tornando cada vez mais frequente.

notas

1
CELANI, Gabriela; VELASCO, Rodrigo. Advanced Building Skins 2017. A essência da arquitetura do século 21. Drops, São Paulo, ano 18, n. 122.07, Vitruvius, nov. 2017 <https://bit.ly/2pGm71I>.

2
Laboratório de Automação e Prototipagem para Arquitetura e Construção.

3
Ver: CASTRIOTTO, Caio Magalhães; CARVALHO, Guilherme da Silva; CÔCO JÚNIOR, Verley Henry; CELANI, Gabriela. O futuro do detalhamento arquitetônico: concepção e representação na era digital e impactos para a formação dos arquitetos. Geometria gráfica. Volume 1, p. 1-16, 2017; CELANI, Gabriela. The seven myths of architectural detail that are changing in the digital age. A+C Arquitectura y Cultura. Volume 5, p.50-60, 2014; CELANI, Gabriela; DUARTE, José Pinto. Editorial: O novo detalhe arquitetônico. PARC: Pesquisa em Arquitetura e Construção, v.4, p.ii-iii, 2013 (também disponível em inglês); CELANI, Gabriela. 7 myths in architectural detailing that are changing in the digital age. ArchDaily, 09 jan. 2018 (também disponível em português) e CELANI, Gabriela. Architectural detailing & the new technologies – what is changing in the design process? Palestra convidada no Congresso Sustainable Intelligent Manufacturing. Lisboa, UTL, 2013.

4
CELANI, 2014

5
Architectural Assemblies. MIT 4.123 Lecture - Architecture + Urbanism <https://bit.ly/2CAMYVs>.

6
Website Consultoria de fachadas Front <https://bit.ly/2OeFVYA>.

7
Webpage curricular do cientista pesquisador John Klein. MIT Architecture <https://bit.ly/2E92Ksd>.

8
Um vídeo com seu último projeto em madeira pode ser visto em: MIT Mass Timber Design/Longhouse. Vimeo <https://bit.ly/2uf4VlZ>.

9
Website escritório John Klein Design <https://www.john-klein.com/>.

10
University of Waterloo School of Architecture. Wikipedia, the free encyclopedia, 4 jul. 2018 <https://bit.ly/2zZnVZT>.

11
2.3 Academic Instructional Staff Appointments. MIT Policies <https://bit.ly/2RxqR6J>.

12
GROPIUS, Walter. Um vigoroso movimento. In XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: Arquitetura Moderna Brasileira. São Paulo, Cosac Naify, 2003. p. 153-154.

 

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